Capítulo 41: Persigam minha sombra!

Ensinando Kenjutsu no Mundo dos Ninjas Morador da Residência Lunar 4257 palavras 2026-02-08 06:00:17

O tempo de descanso sempre passa depressa. Como Araki não tinha muitos conhecidos na aldeia, nesses dias, além de treinar com Kisame e Zabuza, ele aproveitou para orientar Lin, a jovem Rainha das Lâminas, que ainda frequentava a escola de ninjas.

Ela fazia jus ao título de prodígio dos relâmpagos. Em pouco tempo sem vê-la, além da técnica reluzente de espada que já dominava, começou a tentar por conta própria fundir técnicas do estilo relâmpago à sua esgrima.

À beira-mar, no velho local de sempre.

“Estilo Relâmpago: Para-raios!”

Da palma da mão da jovem de cabelos ruivos irromperam faíscas azuladas, que serpentearam pelo metal da lâmina. Era apenas uma katana comum, mas ela a fez brilhar como se fosse uma arma de metal especial canalizadora de chakra.

“Araki, depois que aprendi alguns jutsus do estilo relâmpago, percebi que esta técnica, o ‘Para-raios’, é a que melhor combina com a espada. Agora, deixe-me mostrar os frutos do meu treino!”

Enquanto falava, um sorriso determinado se desenhava em seu rosto, e combinava estranhamente com os dentes afiados, mudando completamente sua aura.

Num salto veloz, Lin impulsionou-se à frente, e sua espada envolta em eletricidade azul centelleou ao perfurar em direção a Araki.

O brilho reluzente dos relâmpagos dançava diante dela, e aquele ataque parecia ser o verdadeiro—

“Golpe Reluzente!”

Se Araki não tivesse dominado a técnica dos ventos, talvez realmente estivesse em apuros.

Afinal, o estilo relâmpago aproveita a condutividade do metal. Mesmo uma espada comum pode conduzir chakra, embora com considerável perda. E quando duas espadas se cruzam, a eletricidade pode percorrer a lâmina e atingir o oponente, paralisando-o. Por isso, ninjas do estilo relâmpago são temidos em combate corpo a corpo.

Num duelo rápido como um trovão, um instante de paralisia pode decidir tudo.

E se todo golpe do inimigo traz paralisia, como não temer?

Claro, tudo tem sua antítese, e o estilo vento é o que contrabalança o relâmpago.

Araki não precisou mudar a natureza do chakra para enfrentá-la; envolveu simplesmente a lâmina em ventos e avançou.

Um estalo metálico ressoou. Ponta contra ponta, vento contra relâmpago: a eletricidade selvagem não conseguiu ultrapassar a barreira e não atingiu a lâmina de Araki.

“Vamos lá! Chuva de Estrelas!”

Vendo sua eletricidade sempre bloqueada, Lin flexionou levemente o cotovelo, fez um movimento ágil de pulso e, num instante, desferiu oito cortes consecutivos. Sob a luz dos relâmpagos, pareciam oito serpentes elétricas que investiram contra Araki.

“Preste atenção, Lin. O próximo golpe é o que vou te ensinar agora!”

Disse Araki, sereno, enquanto recolhia a espada à bainha. Então—

Abaixou-se, firmou o passo, sacou a lâmina e cortou!

Um som agudo de espada cortando o ar ecoou, e Araki já estava atrás de Lin.

Quando ele se ergueu e recolheu a espada, uma mecha de cabelo ruivo deslizou silenciosamente pelo rosto de Lin, testemunhando o quão afiado foi aquele golpe.

“O que foi isso...?”

Lin ficou atônita por um momento e logo agarrou o braço de Araki, dizendo:

“Quero aprender isso!”

Araki riu, afagou os cabelos vermelhos da menina e respondeu:

“Calma, era mesmo para te ensinar. Relâmpago e vento são estilos voltados para velocidade, mas têm diferenças. O vento é etéreo, constante, melhor para atacar sem cessar e desgastar o adversário. O relâmpago é explosivo, foca no impacto súbito. Por isso, técnicas como saque relâmpago combinam mais com você do que ataques contínuos.”

Araki explicou enquanto assumia a postura clássica da escola do Dragão Celeste.

“O segredo do saque relâmpago é a velocidade: pernas, quadril, ombro, cotovelo e mão se movem em perfeita sequência, sincronizados com a respiração, liberando força máxima em um instante. Assim, observe...”

Araki executou o golpe do Dragão Ascendente.

O corte claro partiu do abdômen, mas atravessou o ar como um trovão, e, quando Lin se recobrou do impacto, só pôde ouvir o clique da espada voltando à bainha.

“Este é o treino básico. Agora, como unir isso ao seu estilo relâmpago e aumentar o poder, cabe a você pesquisar. Espero que, quando eu voltar da próxima missão, tenha novidades para me mostrar.”

“Pode deixar, Araki! Da próxima vez, vou te mostrar minha própria técnica!”

Lin prometeu convicta, o rosto corado e determinado.

“Então, esforce-se para alcançar minhas costas, Lin. Não vou diminuir o passo para te esperar~”

Araki bagunçou seus cabelos vermelhos e sorriu.

...

“Investigar o Demônio Marinho? O que é isso?”

Ao ouvir o nome da missão, Araki estranhou. Existiam ‘demônios marinhos’ neste mundo? Teriam criaturas do mar de outros universos invadido aqui?

“Temos um acordo de proteção com um país insular ao sul, o País do Mar. Eles pagam uma boa quantia todo ano, em troca de nossa proteção. Agora, monstros marinhos começaram a atacar navios mercantes e estão prejudicando o comércio deles, então...”

Com a explicação detalhada de Kisame, Araki se recordou desse arco da história.

Entretanto, havia algo relacionado a Orochimaru nesse caso.

Se não estava enganado, lá existia um laboratório de experimentos biológicos fundado por Orochimaru. No futuro, o selo amaldiçoado de Anko teria origem ali.

Araki tocou o cabo da espada, olhou para Kisame e, em seguida, para Zabuza, cuja força ainda não era relevante. Aliviou-se.

Naquele momento, Orochimaru ainda não havia dominado técnicas proibidas nem modificado seu corpo. No máximo, teria um selo em desenvolvimento. Ou seja, era apenas um jounin “comum”, conhecedor das cinco naturezas de chakra e com uma grande invocação.

Sim...

Com Kisame ao lado, não importava o que acontecesse: mesmo que encontrassem Orochimaru de frente, poderiam escapar. Afinal, estavam no mar, onde Kisame era ainda mais forte.

E, como Orochimaru era um chefe do início da história, encará-lo assim, de frente, deveria até contar para os requisitos do “Coração Errante”. Será que isso aceleraria o domínio da técnica dos ventos?

Desde que, sem querer, usou a técnica do “Vem e Vai” na Ilha dos Piratas, Araki sentiu que a compreensão da esgrima dos ventos avançara bastante. Por isso, ansiava por outra oportunidade parecida.

Mas, olhando para a trajetória de Yasuo, desde a juventude no dojo, invasões, morte do mestre, desentendimentos, fuga e até matar o próprio irmão, não havia nada que Araki pudesse imitar de imediato.

Talvez esse encontro com Orochimaru lhe ensinasse o que era “a morte tão próxima quanto o vento”.

Araki rezou em silêncio.

Porém, como todo espadachim prudente, não alimentava ilusões de derrotar um Orochimaru recém-formado. Pelo menos, era preciso deixar ele crescer uns anos.

Com uma expectativa difícil de explicar, o time de Kisame embarcou rumo ao País do Mar.

...

O País do Mar era formado por quatro ilhas principais: a ilha central e, ao redor, a Ilha Maior, a Ilha Menor e a Ilha Misteriosa.

“Por onde começamos a investigar?”

Ao desembarcar, Araki examinava curioso os arredores.

“Basta perguntar a um pescador. Dizem que o caso do demônio marinho é grave; a maioria deve saber algo.”

Kisame já se aproximava de um pescador que vendia peixes.

“Vocês querem saber do demônio marinho? É um monstro meio homem, meio peixe. São enormes, saem do mar de repente e viram nossos barcos. É horrível...”

O olhar do pescador maduro estava cheio de medo. Parecia ter passado por isso.

“Sabe onde eles costumam aparecer?”

“Perto da Ilha Misteriosa!”

“Ilha Misteriosa?”

“Sim, sempre houve lendas sobre ela.”

Talvez pelo aspecto “amistoso” de Kisame, o pescador, mesmo tremendo de medo, não ousou recusar as perguntas.

“Dizem que um demônio vive ali!”

Nas palavras entrecortadas do pescador, Araki e os outros finalmente entenderam o caso.

...

O mar ao redor da Ilha Misteriosa sempre foi rico em peixes, mas também cheio de rochedos e redemoinhos. É uma região de alto risco e alto retorno, que muitos pescadores ousavam explorar.

Contudo, de uns tempos para cá, os peixes sumiram e, além disso, vários pescadores que tentaram explorar a ilha também desapareceram. Com o tempo, o local se tornou um tabu.

E foi ali que os demônios marinhos apareceram pela primeira vez.

“Essa informação é clara demais! Tudo começa naquela ilha. Então, vamos logo investigar!”

Zabuza ficou animado ao encontrar um objetivo claro.

Mas o experiente Kisame ponderava. Agora que a situação estava clara, era evidente que havia algo ou alguém por trás. Ou seja, haveria luta na Ilha Misteriosa, e provavelmente contra outros ninjas.

Combates entre ninjas já extrapolam o nível C de missão; isso era digno de uma missão nível B. Por isso, Kisame hesitou.

Não era medo, mas preocupação se Zabuza estaria pronto para tal missão.

Como líder responsável, Kisame se importava com a segurança da equipe.

Após breve reflexão, disse a Zabuza:

“Quando desembarcarmos, fique perto de mim.”

“Sim, capitão!”

Zabuza não entendeu o motivo, mas sabia obedecer ordens.

Assim, como ninguém mais ousava conduzir barcos até a Ilha Misteriosa, os três atravessaram correndo sobre a água.

Após cruzar a costa rochosa, encontraram logo uma caverna escura. Dada a atmosfera, estava claro que ali era a base do criminoso.

“Os inimigos estão aí dentro?”

O time de Kisame, destemido, avançou em formação para dentro da caverna.

...

Naquele momento, no interior da caverna.

“Senhor Amatsu, inimigos detectados!”

Um homem de jaleco branco virou-se da mesa de cirurgia:

“Oh? Mais pescadores imprudentes? Que bom, estou ficando sem cobaias. Tragam-nos para cá!”

A iluminação lúgubre, a voz insana e os olhos mortos e arregalados do homem davam ao lugar um ar ainda mais macabro.

“Mas... pelo protetor de testa, são ninjas da Vila da Névoa.”

O mensageiro tremia a voz.

“Ninjas da Névoa? O que fazem aqui?”

Amatsu perdeu a calma. Oriundo de Konoha, sabia o perigo dos grandes vilarejos. Com os resultados de pesquisa ainda precários, não tinha como enfrentá-los.

Tirou as luvas e, indo em direção à saída, ordenou:

“Libere os fracassos para ganhar tempo. Vou avisar Orochimaru!”

“Sim!”

No túnel, Zabuza parou e avisou em voz baixa:

“Muitos passos se aproximam!”

“Finalmente chegaram?”

Kisame mostrou os dentes, uniu as mãos, pronto para agir.

Araki desembainhou a espada, envolta em vento, ficou alerta e pronto para a matança.

À medida que os inimigos se aproximavam, o barulho aumentava. O combate estava prestes a começar.