Capítulo 24: Zabuza: É difícil demais, não consigo aprender!
No dia seguinte, o clima estava perfeito, com o vento suave e o sol brilhando. Quando Araki chegou à entrada do Edifício do Sombra d’Água, percebeu que Zabuza já o aguardava ali. O curioso era que ele também carregava uma longa espada nas costas.
— O que é isso... finalmente decidiu aprender a arte da espada comigo? — perguntou Araki, com um sorriso satisfeito.
Diante de Araki, Zabuza não conseguiu manter seu habitual ar distante e explicou:
— Ontem fui procurar o irmão Yakura, ele sugeriu que eu treinasse um pouco de kenjutsu, para aumentar meu poder ofensivo. Ele disse que acredita que um dia eu poderei empunhar uma das Espadas Ninjas.
Ao dizer isso, Zabuza demonstrou evidente empolgação, e um leve rubor subiu-lhe ao rosto.
“Esse Yakura é realmente habilidoso com as palavras, não? Como pode sair dizendo essas coisas? O Zabuza ainda é só um garoto!”, pensou Araki, resmungando internamente, mas logo mudou de assunto de forma abrupta:
— Então quer dizer que você já o encontrou ontem. Ele já te ensinou aquele jutsu avançado que havia prometido?
— Ainda não — respondeu Zabuza, um pouco desconfortável —, Yakura disse que, embora o Projétil do Dragão de Água seja poderoso, ele não combina com meu estilo atual de técnicas. Se for para lançar esse jutsu, o capitão Kisame é mais indicado que eu, então ele sugeriu que eu pensasse melhor e que, depois de aprender os três jutsus que recebemos na escola de ninjas, poderia escolher de novo.
Araki ouviu e, refletindo, achou que Yakura não fazia sentido. As técnicas de Zabuza no momento eram o Clone de Água (nível C), a Névoa Oculta e o Movimento Instantâneo (ambos nível D), o que oferecia muitas possibilidades táticas; podia muito bem usar o clone e a névoa para confundir o inimigo, enquanto preparava o Projétil do Dragão de Água escondido!
Que incompatibilidade seria essa? Yakura, um jounin de renome, estaria enganando uma criança? Ou Zabuza estaria lhe enrolando?
Araki lançou um olhar desconfiado para os olhos de Zabuza, sob as sobrancelhas, até que o fez desviar o rosto, envergonhado.
— Haha, você perdeu! Vamos lá, conte logo, o que aconteceu de verdade?
— Nada demais, é que o Projétil do Dragão de Água é muito difícil. Não consegui aprender ontem — murmurou Zabuza, a voz quase sumindo.
Ele jamais admitiria que nem sequer conseguiu memorizar a sequência de selos do jutsu no dia anterior!
Quando Araki se preparava para continuar brincando com Zabuza, Kisame apareceu saindo do Edifício do Sombra d’Água, segurando um pequeno pergaminho.
— Capitão!
— Capitão Kisame!
Após cumprimentá-lo, Araki perguntou, curioso:
— Capitão, qual é nossa primeira missão?
Sobre a primeira missão, ou melhor, sobre as missões de nível D de Kirigakure, Araki tinha grande interesse.
Afinal, nos animes, as missões de nível D em Konoha, no País do Fogo, envolviam tarefas como arrancar ervas daninhas, encontrar gatos ou cachorros — coisas aparentemente sem sentido.
Mesmo deixando de lado o grau de dificuldade, essas missões não combinavam em nada com o estilo de Kirigakure! Afinal, ali era a Vila da Névoa Sangrenta! Se um grupo de pessoas corresse atrás de um gato gordo pelas ruas, o Terceiro Sombra d’Água não hesitaria em sumir com todos de uma vez!
— Caçada! — anunciou Kisame, exibindo os dentes pontiagudos, que reluziam friamente.
— Caçada? — Araki e Zabuza não entenderam.
— É a missão de nível D mais comum na vila — explicou Kisame. — Afinal, vivemos numa ilha, e nossa especialidade são peixes exóticos. E muitos nobres, querendo provar iguarias raríssimas e valiosas, publicam missões para que nós as realizemos.
— Entendo... — Araki assentiu, compreendendo. De fato, era uma missão bastante característica de Kirigakure.
— Nosso alvo desta vez é o esturjão-negro do mar, uma espécie agressiva. Sigam-me! — Kisame guardou o pergaminho no peito e saiu correndo em direção ao litoral oeste.
Araki colocou a espada nas costas e, junto de Zabuza, seguiu logo atrás.
— Vocês aprenderam as técnicas que sugeri ontem? — perguntou Kisame durante o caminho.
— Sim, estou praticando o uso do Movimento Instantâneo — respondeu Araki, enquanto canalizava chakra nos pés e, num impulso, acelerou e apareceu à frente de Kisame.
— Muito bom, esse nível de controle de chakra — elogiou Kisame. — Usar o Movimento Instantâneo para se locomover já é o suficiente para considerar a técnica aprendida. Em combate, porém, o requisito de resposta neural é alto demais para um genin se preocupar.
Depois de instruir Araki, voltou-se para Zabuza:
— E você?
— Já peguei o pergaminho, mas ainda não comecei a aprender — respondeu Zabuza, num tom abafado.
Kisame, que já suspeitava disso, aconselhou:
— Aprender técnicas avançadas cedo demais pode ser prejudicial. Consome energia demais. Quando chegar a chuunin, ou até mesmo jounin, vai ver que é muito fácil. Temos só um mês para cumprir missões seguras e treinar vocês. Aproveitem bem esse tempo.
— Entendido, capitão — assentiu Zabuza, decidindo deixar o Projétil do Dragão de Água de lado e focar em aprender primeiro as três técnicas de nível C e D.
O local onde o esturjão-negro costumava aparecer não era longe. Após cerca de meia hora de corrida, pararam à beira de um penhasco. Chamá-lo de penhasco era exagero, pois ficava a apenas uns dez metros do mar e as paredes eram cheias de saliências, ótimas para apoio.
Sob a liderança de Kisame, Araki e Zabuza saltaram e logo estavam sobre a superfície do mar, abaixo.
Foi então que perceberam que, na base do penhasco, havia uma caverna escura, com pouco mais de um metro de diâmetro, de onde saíam ruídos estranhos, como grunhidos — não sabiam se era o vento ou algum animal.
— É aqui! — Kisame apontou para a caverna. — O esturjão-negro detesta a luz e costuma buscar cavernas escuras para se abrigar. Este é um dos pontos de pesca que descobrimos.
Aquela caverna deixou Araki apreensivo. Era pequena para um adulto entrar e se movimentar à vontade, mas se não entrassem, ele e Zabuza não tinham técnicas capazes de forçar o peixe para fora.
Araki olhou para Zabuza, que também estava calado.
— Que tal... usar selos explosivos? — Araki teve uma ideia, os olhos brilhando.
— Pode ser — Zabuza concordou, feliz por encontrar uma solução, mas logo percebeu que Araki ainda o encarava. — Por que está me olhando assim? Jogue logo o selo explosivo!
— Me dê um então! — Araki respondeu, sem entender por que o outro estava parado. — Vamos, pegue logo a ferramenta!
— Você não tem selo explosivo? — Zabuza mal podia acreditar.
— Tão caro assim, quem vai comprar?! — disse Araki, como se fosse óbvio.
— Então por que está pedindo para mim?! — Zabuza levou a mão ao peito, sentindo-se prestes a explodir de raiva.
— Você agora já tem um “patrocinador”! Um selo explosivo não é nada perto de um jutsu de nível B! — Araki fez um gesto indiferente.
...
ps: Espero que deixem algum comentário, nem que seja um ponto ou um número, só para eu saber que alguém está lendo. Muito obrigado!