Capítulo 91: Luz Fantasma Mil Lunas: Estou Profundamente Triste
Quando Araki e Hozuki Mitsuki chegaram aos arredores da base da Anbu, não se surpreenderam ao encontrar lá Kyoji Yagura e Hozuki Chizuki.
— Senhor Yagura!
— Tio Chizuki!
— Vocês também vieram, hein? — Yagura virou-se ao ouvir as vozes e os cumprimentou.
— O que está acontecendo aqui? A base da Anbu foi realmente invadida? — perguntou Mitsuki, curioso.
— Exatamente — respondeu Chizuki, assentindo com a cabeça. — Suspeitamos que sejam ninjas de Konoha. Um dos nossos sensores percebeu a presença de insetos ninja, o que desmascarou o disfarce do inimigo. Esses insetos só são criados pelo clã Aburame de Konoha.
— E aquilo ali? — Araki apontou para a silhueta no topo do edifício da Anbu, brandindo duas lâminas como um deus do trovão.
— É Kurotsuchi Raiga. Ele está ajudando Shuuhyou a enfrentar o inimigo. Pelas informações que temos, o adversário é o Dente Branco de Konoha! — A voz de Chizuki soou mais grave, como se tentasse controlar uma emoção forte.
— Tio, está tudo bem? — Mitsuki, percebendo a estranheza do tio, ficou ainda mais atento.
— Bem... — Diante do olhar curioso do jovem chefe de família, a expressão de Chizuki ficou cada vez mais esquisita; ele chegou até a morder levemente o dedo.
— Soube que o comandante da Anbu, Ketsuga, morreu ao resistir aos invasores. Estou... abalado.
Ao dizer isso, seu rosto ficou tenso de novo, os dentes cravados no dedo.
Ao ouvir isso, Araki entendeu imediatamente o que acontecia. Sendo o maior puxa-saco do Terceiro Mizukage e um dos mais odiados pelos clãs de Kirigakure, não era possível que Mitsuki lamentasse a morte de Ketsuga.
Na verdade, ele mal se continha para não rir. Se não fosse a presença de tantos membros da Anbu por ali, já teria caído na gargalhada. Só graças ao rigor de seu treinamento como ninja conseguia segurar o impulso.
Contudo, um nome chamara a atenção de Araki.
— O Dente Branco de Konoha? Aquele, Hatake Sakumo?
Ele estreitou os olhos, tentando distinguir à distância aquela figura que desafiava trovões e gelo, deslizando livremente entre os ataques.
— Sim. Mandar alguém desse calibre para infiltrar em Kirigakure mostra o quanto Konoha está determinada — Chizuki exibiu um sorriso de dentes pontiagudos. — Só queria ver a cara do Hokage quando devolvermos o corpo dele!
— A cara dele? De agradecimento por terem feito o serviço, aposto — Araki resmungou internamente, e então perguntou: — Por que vocês não vão ajudar? Só aqueles dois não parecem capazes de derrotá-lo.
Dessa vez foi Yagura quem respondeu:
— Os jutsus do Raiga e do Shuuhyou são de grande alcance e anulam completamente os de água. Se fôssemos, além de não ajudarmos, poderíamos acabar atrapalhando e dando margem para o inimigo nos surpreender.
— O Dente Branco de Konoha não veio sozinho, certo? Encontraram os companheiros dele?
— Ainda não. Mas, diante de um inimigo desses, o mais importante é capturar o próprio Dente Branco.
— Então, por que Mitsuki e eu não ajudamos a capturar o companheiro dele? Aqui não podemos fazer muito mesmo — sugeriu Araki.
— Ótima ideia — Yagura concordou. — Pelas informações, trata-se de um usuário de insetos do clã Aburame. Não sabemos mais nada. Tomem cuidado!
— Entendido!
...
— Araki, por que temos que caçar esses inúteis? — reclamou Mitsuki após aceitar a missão dada por Yagura.
Na opinião dele, assistir ao embate entre grandes guerreiros era incomparavelmente melhor do que capturar um simples ninja inimigo.
— Por favor, pense um pouco — Araki revirou os olhos. — Quem teria a chance de atuar ao lado do Dente Branco de Konoha? Você, como chuunin, talvez nem conseguisse vencê-lo.
— Está me subestimando?! — Mitsuki, indignado, sacou sua espada Hiramekarei das costas e brandiu no ar. — Vou mostrar do que sou capaz!
— Espero que sim — Araki ignorou os protestos do amigo, saltou para o telhado e observou a movimentação dos Anbu. — Por aqui!
...
— Huff... huff... — Aburame Shihui emergiu do subsolo, respirando pesadamente, o rosto coberto de suor. Estava evidentemente esgotado.
— Droga, restam poucos insetos...
Por causa da presença dos sensores inimigos, nunca conseguira escapar completamente ao rastreio dos Anbu de Kirigakure. Sempre precisava deixar um clone de insetos para desviar a atenção, enquanto ele próprio se esgueirava pelo subsolo com o Jutsu de Mergulho na Terra.
Mas, por conta das peculiaridades do seu clã, quase todo o seu chakra era destinado a alimentar os insetos parasitas. Em combate, eles podiam absorver chakra dos inimigos para se fortalecer, mas nessas circunstâncias, os insetos enviados não ousavam — nem podiam — retornar ao corpo. Para Shihui, era um desafio enorme.
Por isso, não conseguia manter o jutsu de mergulho por tempo suficiente para fugir da vila. Era obrigado a parar de tempos em tempos para recuperar um pouco de chakra.
Formou selos com as mãos, mesmo com a mente latejando e o corpo sentindo-se exaurido. Mas, se quisesse escapar, precisava se forçar ao limite.
— Suiton: Projétil do Dragão de Água!
...
— Suiton: Chicote de Água!
— Suiton: Rajada de Água!
Não demorou para que sua localização fosse descoberta de novo, e uma sequência de jutsus suiton começou a varrer o terreno.
— Jutsu Clone de Insetos!
— Doton: Mergulho na Terra!
A expressão de Shihui mudou. Rapidamente criou um clone de insetos e, então, mergulhou com o corpo real no solo. O pouco chakra que acabara de recuperar não seria suficiente para ir muito longe. Após pensar por um instante, decidiu descer para uma camada ainda mais profunda.
Bum!
Splash!
Boom!
Com o impacto sucessivo do dragão, do chicote e das rajadas de água, a casa onde Shihui estava escondido foi reduzida a escombros, formando até uma pequena lagoa no lugar. Seu clone de insetos, por sua vez, saiu em disparada, completamente desnorteado, em direção aleatória.
— Não fuja! Suiton: Canhão de Água!
Chegando perto, Mitsuki empunhou a espada com a mão direita e, com a esquerda, fez o gesto de uma pistola. Da ponta do seu indicador, um jato de água disparou com violência, mirando as costas de Shihui.
— Espere, é só um clone! — Araki impediu Mitsuki, que estava prestes a saltar atrás do alvo. — Vamos procurar onde está o verdadeiro.
— Como você sabe? — quis saber Mitsuki, desconfiado.
— Por favor, esse truque ele já usou várias vezes, mas sempre tem um monte de otários caindo — Araki deu de ombros, resignado com a falta de perspicácia dos outros ninjas.
— Tá dizendo que eu sou um deles?! — Mitsuki protestou.
— Isso não importa. O que importa é: onde ele está escondido?
Araki aproximou-se da pequena lagoa, desembainhou a espada, invocou o poder do vento e desferiu um golpe violento no chão.
— Fenda Terrestre: Lâmina Ondulante!