Capítulo 105: Quem é o caçador?
Após percorrer uma longa e sombria escadaria, uma porta de ferro negro surgiu diante dos dois.
Após a troca da senha, o portão se abriu lentamente, revelando a verdadeira face da casa de câmbio a Araki. Embora o ambiente fosse cercado de mistério, a decoração era comum: três ou quatro figuras vestidas com mantos negros examinavam pilhas de cartazes de recompensa, enquanto outra pessoa sussurrava algo ao dono careca no balcão, aparentemente discutindo o cumprimento de uma missão.
Ao que parecia, o dono, cujo rosto trazia uma cicatriz, acabou levando a melhor, e o homem se retirou dali cabisbaixo.
— Chefe, queremos informações sobre Shidate! — Kaguya Kurohone, mais experiente nesse tipo de ambiente, aproximou-se para negociar.
— Shidate? Você fala daquele "Mão de Pedra"? Cem mil ryos!
O homem estendeu uma mão enquanto, com a outra, retirava rapidamente um papel específico de uma pilha espessa de informações ao lado. Cem mil ryos não era um valor baixo; equivalia à recompensa total de uma missão de nível B. No entanto, Kaguya Kurohone não hesitou, demonstrando que já estava mentalmente preparado para o preço cobrado ali.
— Aqui está!
Após a troca, os dois não disseram mais nada e partiram apressadamente da casa de câmbio. Assim que saíram, um sorriso de escárnio surgiu no rosto do dono:
— Esse Mão de Pedra é realmente popular. Já é a segunda vez hoje que vêm comprar informações sobre ele. Espero que não acabem se matando... Amém!
...
País da Lua, capital, mansão do Ministro de Assuntos Governamentais.
O ministro, de ventre protuberante e bigode castanho, estava sentado confortavelmente em seu trono, uma réplica feita sob medida. Com a mão adornada por cinco anéis de pedras preciosas, segurava uma taça de vinho carmesim, observando os três indivíduos de cabelo afro à sua frente.
— Ouvi dizer que vocês possuem um método para envenenar alguém silenciosamente. É verdade? — Ele arrastou as palavras, perguntando com lentidão.
— De fato. Nosso perfume especial pode realizar esse feito, sendo difícil até mesmo para ninjas comuns detectarem — respondeu com orgulho Shidate, o líder de cabelos vermelhos e olhos azuis.
— Excelente! — O ministro bateu palmas e perguntou com um tom cruel: — Quero que vocês administrem esse veneno ao rei, para que ele morra sem que ninguém perceba. Conseguem fazer isso?
— Sem problemas. O velho rei é apenas um homem comum; ele não terá como resistir ao nosso veneno — apressou-se a dizer a garotinha de cabelos brancos espetados, ao lado de Shidate.
— Sendo assim, a mansão a oeste da cidade será de vocês por enquanto. Não me decepcionem, ou então...
O ministro conhecia bem a arte de gerenciar subordinados, combinando recompensas e ameaças com habilidade. No entanto, ele claramente não tinha muita experiência lidando com ninjas renegados.
Assim que saíram da mansão do ministro, após uma reverência superficial, a garotinha de cabelos brancos explodiu de raiva:
— Irmão Shidate, por que temos que ser tão condescendentes com aquele porco gordo? Só de ver aquela postura arrogante dele, sinto vontade de matá-lo!
— Karenka, não seja impulsiva — Shidate pousou a mão no ombro da menina. — Recebi notícias de um amigo de que alguém está investigando nosso paradeiro na casa de câmbio. Provavelmente, mais ninjas de recompensa estão atrás de nós; precisamos ser discretos.
— Irmão, quem está vindo é perigoso? — perguntou Kongou, o mais robusto do grupo.
— Não sabemos ainda. Mas, antes, éramos nós que fugíamos; desta vez, com o auxílio desse ministro, podemos assumir o papel de caçadores e nos divertir um pouco com eles — disse Shidate, com o tom de voz subindo, visivelmente entusiasmado.
— Oh? Vamos caçá-los? Isso seria incrível! — a pequena Karenka vibrou de alegria.
— Hehehe... — Kongou também soltou uma risada rústica.
Contudo, eles não notaram que, desde que deixaram a mansão, um par de olhos verde-esmeralda os seguia das sombras até a mansão nos arredores da cidade.
— Mão de Pedra... ficarei com a sua recompensa.
Ao entrarem na grande mansão, antes mesmo que pudessem se empolgar, os três ouviram uma voz gélida, desprovida de qualquer emoção, vinda de trás.
— Quem está aí?!
Os três eram veteranos em combate (ou, pelo menos, em fugir de perseguições), e, ao ouvirem o chamado, não entraram em pânico, rapidamente localizando o inimigo e assumindo uma formação defensiva. Claro, isso também se devia ao fato de Kakuzu ter se revelado abertamente, sem se esconder.
Quando ele saiu das sombras e ficou plenamente visível, Shidate e Kongou ficaram paralisados de medo.
— V-você... você é Kakuzu!
Shidate, que momentos antes estava confiante em transformar seus perseguidores em presas, agora tremia ao falar.
— Como alguém como nós chamou a atenção de um monstro como você?
Suas palavras estavam carregadas de desespero e frustração, como alguém que descobre ter ganhado na loteria, apenas para perceber, logo em seguida, que o bilhete já estava vencido.
— Não se menospreze. Embora você não valha muito, essa sua luva é uma peça interessante.
Kakuzu, sentindo-se no controle da situação, não se importou em conversar; afinal, ele tinha uma vida infinita para desperdiçar, não havia pressa.
— O quê? Como você sabe... — Shidate começou, mas calou-se imediatamente, mudando de assunto: — Entendo. Oyashiro En, ele ainda não desistiu de mim?
— Não me interessa o histórico de amor e ódio entre vocês. Sua recompensa só paga por essa conversa.
Kakuzu juntou as mãos e, ao abrir a boca, disparou três relâmpagos em forma de tridente: — Estilo Raio: Falsa Escuridão!
*Crac!*
A velocidade dos relâmpagos era extrema; mal saíram de sua boca e já estavam diante do trio, a luz azul iluminando seus rostos com um brilho intermitente.
— Maldito!
Em um momento crítico, Shidate apoiou uma mão no chão. O desenho de um olho nas costas de sua luva abriu-se, revelando uma pupila vertical dourada. Sem realizar qualquer selo manual, ele ergueu uma rocha colossal do solo para se proteger.
— Estilo Terra: Parede de Fluxo de Terra!
Contudo, devido à lei fundamental da natureza dos ninjas, a Terra é fraca contra o Raio. Por isso, a barreira, que parecia sólida, não conseguiu deter completamente a lança de relâmpago.
*BOOM!*
Sob a luz ofuscante, a parede de terra foi atravessada como se fosse papel. O relâmpago, com seu poder ainda intacto, estava prestes a atingir Shidate.
— Irmão!
Um grito de dor ecoou. Uma figura alta e robusta surgiu de repente, colocando-se na frente de Shidate e usando o próprio corpo para interceptar o ataque mortal.
— Kongou! O que você está fazendo?!
Shidate, que já havia fechado os olhos esperando a morte, ficou atordoado e gritou em desespero. No entanto, atingido diretamente pelo "Falsa Escuridão" sem qualquer proteção, Kongou não tinha mais forças para responder. Antes de cair, ele murmurou com a voz fraca:
— Fuja...