Capítulo
Qual seria, afinal, a verdadeira essência da energia natural e do Modo Sábio? Tomado por essa dúvida, Orochimaru mergulhou em um estudo aprofundado. Segundo os relatos que ouvira do Sábio das Cobras Brancas e de Jiraiya, além dos antigos registros do Clã Senju que pegara emprestados de Tsunade, Orochimaru descobriu que o Primeiro Hokage, Hashirama Senju, também dominava o Modo Sábio.
Porém, o Modo Sábio de Hashirama não era igual ao de Jiraiya, tampouco ao descrito pelo Sábio das Cobras Brancas. No caso de Jiraiya, seu Modo Sábio fazia surgir traços de “anfíbio” em seu corpo; embora ele justificasse isso dizendo que não havia atingido a perfeição na técnica, Orochimaru sabia que, mesmo naquilo que se chamava de Modo Sábio Perfeito do Monte Myoboku, os olhos do praticante ainda adquiriam aparência de sapo.
Já o Primeiro Hokage era diferente: fora as marcas coloridas no rosto, nenhuma outra característica física se manifestava — nada de traços de sapo, cobra ou lesma. Isso sugeria que o Modo Sábio de Hashirama não tinha origem em nenhum dos três grandes santuários das bestas místicas!
Ao chegar a essa conclusão, Orochimaru não pôde deixar de estremecer de excitação. O exemplo do Primeiro Hokage provava que o Modo Sábio não precisava ser aprendido exclusivamente através das bestas invocadas; talvez fosse possível desenvolvê-lo por conta própria.
E desenvolver técnicas proibidas era justamente o campo em que Orochimaru mais brilhava!
Assim, ele iniciou seus próprios experimentos. Antes de tudo, notou que a energia natural possui altíssima inércia; salvo em certas regiões especiais, ela é difícil de ser sentida diretamente. No Monte Myoboku, recorre-se ao óleo de sapo para auxiliar o praticante a perceber a energia natural. Orochimaru, por sorte, tinha à disposição algo semelhante: as células de Jugo.
Dotado de uma afinidade natural com a energia primordial, Jugo poderia, num mundo de fantasia, ser chamado de “corpo celestial” ou “nascido do Dao”; aqui, porém, era apenas o organismo de onde Orochimaru extraía seu material de pesquisa.
A energia natural abrange toda a existência: terra, vento, água, fogo, tudo está contido nela. Orochimaru deduziu que o motivo de os praticantes dos santuários manifestarem traços como “cobra” ou “sapo” era a absorção seletiva de apenas parte da energia natural, aquela que combinava com as bestas dominantes do local. Por exemplo, o Sábio das Cobras Brancas criou um modo de absorver a energia que mais se aproximava de sua própria natureza; o mesmo ocorria com o Grande Sapo Sábio do Monte Myoboku.
Por isso, os praticantes desenvolviam traços cada vez mais similares aos das bestas que lhes transmitiam o poder. Se, ao contrário, absorvessem de forma equilibrada todos os tipos de energia natural, como poderiam surgir transformações tão distintas quanto as de sapo ou cobra?
Usando uma analogia pouco comum àquele mundo, Orochimaru pensou: ao usar o corpo humano para cultivar poderes monstruosos, não seria inevitável tornar-se monstruoso também?
Embora não rejeitasse a ideia de se tornar um ser sobrenatural, Orochimaru queria antes desvendar o princípio por trás do fenômeno. Além disso, se o Primeiro Hokage conseguira criar seu próprio Modo Sábio, por que ele, Orochimaru, não seria capaz? Afinal, ele também era um gênio, não era? Talvez a força de Hashirama viesse justamente de ter desenvolvido um Modo Sábio feito sob medida para si, conquistando um poder semelhante ao da Sábia das Cobras Brancas!
"Quem sabe, um dia, eu próprio me torne um novo sábio..."
Enquanto lavava o rosto com a própria saliva, Orochimaru injetava uma solução diluída das células de Jugo em um novo corpo de teste.
"Orochimaru-sama, nosso estoque de cobaias está acabando", informou Tenchi, interrompendo os devaneios do mestre com a dura realidade.
Era natural. Antes, no País das Ondas, podiam capturar pescadores livremente para seus experimentos, mas agora, de volta à Vila da Folha, isso se tornara impossível.
"Aqueles malditos de Kirigakure!" Ao lembrar dos dois ninjas da Névoa que destruíram seu laboratório, Orochimaru não pôde deixar de praguejar mentalmente.
"Vá até o País dos Rios e traga algumas pessoas para suprir a emergência. Eu, quando puder, montarei um novo laboratório por lá."
"Mas, Orochimaru-sama, nossos experimentos anteriores foram realizados em ambiente marinho. O País dos Rios não é muito diferente do País das Ondas?"
Tenchi levantou uma objeção. Como cientista experiente, Orochimaru sabia que Tenchi tinha razão: o segredo de um bom experimento era manter inalteradas as condições externas, mudando apenas uma ou outra variável para observar o efeito. Se o ambiente mudasse drasticamente, grande parte dos dados anteriores se perderia.
"O ambiente do País das Ondas...", ponderou Orochimaru. "Nesse caso, vamos usar as ruínas do País do Redemoinho. Fica no mar e o clima é semelhante."
"Sim, Orochimaru-sama, vou preparar tudo imediatamente!" respondeu Tenchi, deixando o laboratório com um sorriso de satisfação.
...
Sobre as águas cintilantes e agitadas do mar, um navio com um grande símbolo de “Água” pintado à borda seguia em direção ao norte.
"Ahhh..." Zabuza espreguiçou-se, esticando os braços, e, ao avistar a silhueta da terra à frente, perguntou:
"Yagura, estamos quase lá, não é?"
"Sim", Yagura estava à proa e sorriu: "Faltam cerca de meio dia e atracaremos."
Então, girou o corpo e lançou um olhar ao convés, notando a ausência de alguém.
"Araki ainda não acordou?"
"Não. Sempre que viajamos de barco, Araki prefere ficar no porão. Não se preocupe, basta chamá-lo quando desembarcarmos."
Zabuza fez um gesto com a mão, como quem diz para não dar importância.
"Será que o Araki está enjoado? Hahahaha!" Yagura riu, claramente provocando.
Naquele momento, Araki, acusado de estar enjoado, estava imerso em seu espaço mental, lutando ferozmente com Yasuo.
"Hasaki!"
Com um grito, Yasuo brandiu a espada e lançou um tornado cortante.
"Hmph, esse golpe já não me surpreende!" Araki rebateu confiante, desferindo uma lâmina de vento translúcida em forma de crescente, que dissipou o tornado de Yasuo com precisão.
"Deslocamento do Vento!"
"Corte Avançado!"
Ambos avançaram ao mesmo tempo, lançando dois cortes semicirculares quase idênticos.
Clang!
As espadas se cruzaram e logo se separaram. No imenso vazio do espaço mental, ora batalhavam lado a lado, ora se afastavam, tão rápidos que só se viam sombras e as lâminas de vento que explodiam ao se chocarem.
Após uma intensa troca de golpes, ambos reapareceram com as posturas firmes.
Araki manteve a espada erguida e desafiou Yasuo:
"Agora, já não fico atrás de você em seu estado normal. Mostre-me aquele seu golpe supremo!"
Enquanto falava, formou um selo de mão:
"Estilo Vento: Técnica das Réplicas!"
Num instante, uma brisa suave envolveu o local e dois Arakis idênticos surgiram, correndo cada um para um lado de Yasuo.
Esse era um novo ninjutsu que Araki desenvolvera recentemente, após aprofundar sua compreensão sobre o vento:
A Técnica das Réplicas do Vento!