Capítulo 80: Recusa em Admitir (Peço votos de recomendação)

Ensinando Kenjutsu no Mundo dos Ninjas Morador da Residência Lunar 2528 palavras 2026-02-08 06:02:25

— Danzo, dê-me uma explicação!

Com um rugido furioso do Terceiro Hokage, um dossiê foi atirado diretamente no colo de um homem de meia-idade, cujo queixo ostentava uma cicatriz em forma de forquilha.

Homura Mitokado, Koharu Utatane, Orochimaru e outros presentes ficaram surpresos, lançando olhares em uníssono para o sombrio Danzo Shimura, tentando adivinhar que nova atrocidade ele teria cometido para deixar Hiruzen — ou o Mestre, como o chamavam — tão furioso.

O próprio Danzo estava confuso.

Mal tinha chegado e já era repreendido publicamente por Hiruzen Sarutobi, ainda por cima na presença do jovem Orochimaru, o que tornava a situação especialmente constrangedora.

Além disso...

Qual seria, afinal, a questão que havia sido descoberta?

Enquanto folheava o documento, Danzo se esforçava para se recordar das manobras recentes que havia realizado.

— Isto é...!

Para seu espanto, logo na primeira página a fotografia lhe fez mudar a expressão.

Não eram aqueles os membros da sua equipe da Fundação enviados ao País das Fontes para investigar? Como foram capturados e ainda fotografados amarrados?

Quando Ryoma Aburame voltou, não mencionou nada disso!

O quê? Ryoma Aburame nem sequer sabia que Danzo havia enviado uma equipe extra como precaução?

Nesse caso, tudo bem...

— Hmph! Esses três são da sua Fundação, não são? Danzo, como ousa enviar homens para atacar ninjas da Vila da Névoa sem minha autorização? Por acaso acha que pode ignorar o Hokage?!

Sarutobi bateu na mesa com força, a voz carregada de ira.

— O quê? Danzo, você agiu por conta própria mais uma vez? Já se esqueceu das palavras de Hiruzen de antes?

Koharu, chocada, não demorou a repreender Danzo com tristeza e indignação, sendo acompanhada por Homura, que acrescentou seu apoio.

Orochimaru observava a cena dos dois conselheiros com um sorriso irônico, desprezando-os internamente.

Com sua perspicácia, percebia que, embora de fato criticassem Danzo, também lhe ofereciam uma saída honrosa: se ele admitisse o erro, graças à mediação deles, provavelmente não sofreria punição severa — assim, os próprios conselheiros preservariam seus interesses.

O sistema do Conselho de Konoha nasceu de uma época peculiar.

No fim da Primeira Grande Guerra Ninja, o Segundo Hokage, Tobirama Senju, foi morto numa emboscada após assinar um acordo de paz com a Vila da Nuvem, e o jovem Hiruzen Sarutobi assumiu o comando de forma apressada.

Naquele tempo, ele carecia tanto de poder esmagador quanto de prestígio suficiente. Embora ocupasse o posto de Hokage, não conseguia controlar plenamente a vila, especialmente as grandes e pequenas famílias.

Sem alternativas, optou por chamar alguns colegas de classe para ajudá-lo — assim nasceu o Conselho.

Com o tempo, mesmo depois de conquistar títulos como "Professor de Ninjutsu" e "Deus dos Ninjas" (com alguma hipérbole), Hiruzen, por consideração à amizade e outros motivos, jamais retirou dos conselheiros poderes que deveriam pertencer apenas ao Hokage.

Em suma: a autoridade do Conselho era um empréstimo do Hokage. Se o Hokage consentisse, tinham poder; se um dia ele resolvesse revogar, bastaria uma palavra.

Não soa familiar? Não lembra as antigas diretorias do Leste e do Oeste no Império? E nem é preciso dizer quem seria o “regente”...

Para evitar que o Terceiro Hokage perdesse de vez a paciência, além de Danzo, que sempre fazia oposição, Homura e Koharu agiam como lubrificantes entre eles — quando surgia atrito, mediavam, suavizavam o clima, garantindo que Hiruzen não os dissolvesse num ímpeto.

— Hiruzen, acalme-se, Danzo apenas...

Koharu tentava apaziguar o Hokage, mas Danzo a interrompeu com algo inesperado.

— Quem disse que eles são da Fundação?

Suas palavras ficaram presas na garganta; ela virou-se abruptamente, chocada, encarando Danzo.

Também Orochimaru expressou surpresa: mesmo com provas tão evidentes, Danzo ainda negaria?

Sarutobi perguntou, em tom grave:

— O que está querendo dizer?

Danzo fechou o dossiê, murmurando sombriamente:

— A Vila da Névoa não tem provas de que são ninjas de Konoha; tudo não passa de suposições. Acusações infundadas — querem provocar uma guerra!

Muito bem...

Orochimaru achou a cena cada vez mais divertida: Danzo revelava talento para a retórica.

O Terceiro Hokage quase riu de irritação diante daquela inversão dos fatos:

— Mesmo que não tenham provas, eles estão com os nossos homens — acha que não vão arrancar a verdade deles por outros meios?

— Por isso precisamos mandar alguém para eliminá-los; mortos, não haverá testemunhas, nem riscos futuros.

Danzo, de leve, desviou o foco de si para o problema a ser eliminado.

O Terceiro Hokage lançou-lhe um olhar profundo, percebendo a tentativa de mudar de assunto, mas, por alguma razão, não o desmascarou. Em vez disso, deu continuidade:

— A Vila da Névoa fica num arquipélago isolado. Executar uma missão dessas lá não é tarefa para qualquer um.

— Mas temos o candidato ideal, não é mesmo?

Ouvindo isso, Sarutobi tragou o cachimbo, ponderando sobre as reais intenções de Danzo.

De fato, atualmente havia em Konoha alguém famoso no mundo ninja pela maestria no assassinato: o “Dente Branco de Konoha”, Sakumo Hatake. No entanto, infiltrar-se numa vila inimiga para assassinar reféns era uma tarefa que talvez superasse até o grau S de dificuldade; mesmo para o Dente Branco, o sucesso não seria garantido.

— Sakumo, então...

Após pesar mentalmente, o Terceiro Hokage também concluiu que era o mais apto para a missão.

Durante a Segunda Grande Guerra Ninja, o Dente Branco alcançara fama superior à dos Três Lendários ao destruir sozinho a unidade de marionetistas da Areia. Pelo estilo de combate, especializado em assassinatos rápidos com espada, era o mais indicado.

— E, mesmo que a missão fracasse, não haverá problema...

Hiruzen já avaliava as possibilidades — sucesso ou fracasso, ambos poderiam ser explorados.

— Chamem o jonin Sakumo Hatake.

Após a saída da Anbu, voltou-se para seu estimado pupilo, Orochimaru.

— Orochimaru, o que andou fazendo no País das Ondas?

Orochimaru, que assistia à cena, não esperava ser chamado; surpreendeu-se e, rapidamente, lambeu os lábios com a língua.

— O que o mestre deseja saber...?

— Além daqueles três, a Vila da Névoa também questionou Konoha sobre experimentos humanos no País das Ondas, alegando que estariam sendo desenvolvidas armas biológicas contra eles — e seu nome foi citado explicitamente. Tem alguma explicação?

O Terceiro Hokage voltou a segurar o cachimbo; a fumaça densa tornava sua expressão difícil de ler.

Os olhos dourados e reptilianos de Orochimaru brilharam por um instante; decidiu imitar Danzo e negar até o fim, assumindo uma expressão de surpresa:

— É mesmo? Talvez tenham se enganado, pois nunca estive no País das Ondas.

— É mesmo...

O Terceiro Hokage silenciou por um tempo, sua atitude bem diferente da que mostrara com Danzo.

— Então, responderemos assim: negamos ambas as acusações. Contanto que Sakumo elimine os três capturados, não terão provas para nos incriminar.