Capítulo 110: Danzo: A Terceira Geração Também Agiu
As palavras de Shikuro Aburame foram como um martelo pesado, despedaçando ainda mais o coração já dilacerado de Sakumo Hatake.
— É... mesmo? — Baiya murmurou com dificuldade, como se buscasse confirmação, mas ao mesmo tempo falasse consigo mesmo.
— Não quer mais ser salvo por mim...?
— Parece que... no fim, eu realmente errei...
Ele se virou, com o semblante completamente abatido, e avançou lentamente em direção à residência dos Hatake.
Observando suas costas desoladas, Shikuro Aburame demonstrou um leve pesar e, virando-se em voz baixa, perguntou:
— Chefe do clã, será que estamos fazendo a coisa certa? Ele é o Baiya Hatake de Konoha, afinal.
— E daí que é Baiya? — replicou o líder dos Aburame, que estava dentro da casa.
Em seguida, suspirou:
— Além disso, isso não é algo em que podemos interferir. Hoje mesmo você viu o ancião Danzo chegar, ele trouxe a ordem do Hokage para levar Shiki embora, e parecia até interessado nos nano-insetos que você estava estudando. Se não fosse por mim interrompê-lo, talvez você já estivesse no Anbu agora!
— Maldito... — Shikuro Aburame ficou em silêncio, e por fim lançou um último olhar para Sakumo Hatake, cuja figura quase se fundia com o pôr do sol no fim da rua.
Murmurou "desculpe" para si mesmo e fechou a porta da casa dos Aburame.
Na residência dos Hatake.
Após a escola, Kakashi voltou para casa animado, puxou sua pequena faca e se posicionou diante do pai:
— Pai, prometeu que me ensinaria um novo golpe de faca desta vez que voltasse! Vamos começar logo!
Observando o filho entusiasmado, Sakumo Hatake esforçou-se para animar-se, sacou sua pequena faca branca chamada Baiya e dirigiu-se ao campo de treinamento da casa:
— Você vai ter que se concentrar e aprender direitinho. Hoje vou te ensinar todas as técnicas de faca que são passadas na família!
— Oba! — Kakashi levantou as mãos em comemoração.
Pai e filho, grandes e pequenos, entraram de mãos dadas no campo de treino.
A noite caiu.
No escritório do Hokage.
— Ele tem ensinado Kakashi a usar a faca desde que chegou em casa? — perguntou o Terceiro Hokage após receber o relatório do Anbu.
Embora Baiya não tivesse demonstrado nada fora do comum, ele sentia uma inquietação crescente.
— Danzo, quando pretende procurar Sakumo?
— Hiruzen, sua mente está confusa — respondeu Danzo calmamente.
— Durante o dia, já destruí completamente sua fé através das palavras dos clãs Hyuga e Aburame. Esta noite, irei pessoalmente dar a esta lâmina uma nova alma. Aí você verá o quão brilhante será o Baiya Hatake livre das amarras dos sentimentos!
— É melhor que consiga, ou então...
— Deixe comigo!
...
Na residência dos Hatake.
O jovem Kakashi já dormia. Ele fora submetido a um intenso e exaustivo ensino forçado pelo pai, que despejou sobre ele um volume enorme de conhecimento. Mesmo com seu talento, era demais para suportar.
Mesmo em sonhos, ele murmura suavemente os nomes das técnicas:
— Yatotsu... Tsuiya... Yashan...
Enquanto isso, Sakumo Hatake sentava-se sozinho no chão do dojô, curvado sobre a mesa, escrevendo uma carta.
— Kakashi, meu filho:
— Quando você ler esta carta, provavelmente já não estarei mais entre os vivos, mas ainda há algumas palavras que quero lhe dizer...
Ele escrevia devagar, ponderando cuidadosamente cada palavra, tão absorto que não percebeu a presença de alguém ao seu lado.
Até que—
— Muito bem, parece que você entendeu meu significado.
Danzo esperou até que Baiya largasse a caneta para falar em voz baixa, elogiando-o.
— Senhor Danzo?
A voz repentina no silencioso e escuro dojô assustou Sakumo.
— Já que terminou de escrever, venha comigo!
Danzo era um homem decidido. Ele acreditava que Baiya escrevera a carta de despedida porque já havia percebido o plano do Terceiro Hokage e dele, e que assim cortava de vez seu passado. Por isso, nutria por ele um respeito a mais.
No entanto, Baiya estava confuso e perguntou:
— Ir? Para onde?
— Para o Anbu!
— Por quê?
Dessa vez Danzo parou seus passos, voltou-se e fixou Baiya com um olhar sombrio.
— Está fazendo-se de bobo comigo?
Sua voz soou ríspida:
— Porque o Anbu pode lhe dar uma nova vida!
— Nova vida... — Baiya deu um sorriso irônico e desanimado — Que valor teria alguém como eu para uma nova vida?
— Seu valor não é você quem decide, somos nós!
A voz de Danzo era autoritária.
Sakumo Hatake não era tolo. Através daquele diálogo, percebeu algo.
— Então tudo o que aconteceu nos últimos dias foi arranjado por você? O objetivo era me fazer entrar no Anbu?
Sua voz mudou gradualmente, deixando de usar o tratamento formal a Danzo.
Diante da provocação, talvez achando que já tinha a vitória garantida, Danzo admitiu sem disfarces, ainda oferecendo um grande futuro.
— Exatamente. Uma lâmina como você não deveria ser presa por sentimentos inúteis! Só no Anbu poderá brilhar de um modo que impressione o mundo!
— Hmph, impressionar o mundo, é? — Sakumo Hatake respondeu indiferente.
— O Hokage também pensa assim?
— Claro, ou como poderia ter sido tudo tão fácil? Afinal, ele é o Hokage.
Danzo envolveu Hiruzen Sarutobi na trama.
— Entendo... Então é isso que significa ser Hokage...
Sakumo murmurou, seus olhos escurecendo um pouco, como se tivesse compreendido algo.
Mas no instante seguinte, um brilho obstinado reacendeu em seus olhos:
— Talvez a decisão de vocês esteja certa, mas não é o que eu quero!
Num movimento rápido, uma luz branca cortante brilhou, e Sakumo desembainhou a pequena faca Baiya, que sob o luar prateado parecia ainda mais límpida e pura.
— O que pretende fazer?
Danzo se assustou, suando frio, recuou meio passo e gritou ameaçadoramente.
— Hmph! — Sakumo riu com desdém ao ver a reação de Danzo.
— Minha lâmina só se ergue para proteger meus companheiros!
Danzo estava numa mistura de raiva e urgência, mas ter a lâmina de Baiya apontada tão perto o fazia temer até mesmo uma palavra errada, que poderia partir seu corpo ao meio.
Assim, reprimiu a fúria e respondeu:
— O Anbu também é parte de Konoha, estamos protegendo a vila!
— Talvez. — Sakumo não tinha vontade de discutir — Mas nossa ideia de proteger a vila é diferente. Vá embora, não vou entrar no Anbu!
O Anbu ser tão rebaixado assim não poderia ser tolerado por seu chefe Danzo.
Como não conseguiu persuadi-lo, passou a ameaçar:
— A essa altura, além do Anbu, você acha que tem outro caminho? Shiki Aburame já está comigo no Anbu. Não quer vê-lo mais uma vez?
— É? Então parece que fui eu quem o prejudicou. Melhor não nos vermos, então. Mas meu caminho sempre foi escolhido por mim mesmo, não dado por outros.
Sakumo virou a lâmina contra o próprio abdômen.
— Se o caminho da vida está bloqueado, então só me resta encarar o caminho da morte!