Capítulo 46 Mudanças Avançadas de Propriedades
Após conversarem brevemente sobre questões relativas à guerra, os três não se aprofundaram no assunto. Afinal, esses temas pouco diziam respeito ao pequeno esquadrão de genins a que pertenciam, nem eram coisas que pudessem controlar ou influenciar. Para a equipe de Kisame, o mais importante era, sem dúvida, aprimorar as próprias habilidades. Especialmente após o confronto com Orochimaru, Araki sentiu ainda mais claramente suas limitações atuais.
Embora, segundo a avaliação de Kisame, sua capacidade em combate corpo a corpo não ficasse atrás de muitos jounins comuns, na prática, durante a luta com Orochimaru, onde teria ele a chance de se aproximar daquele oponente? Aqueles jutsus mortais, letais ao menor toque ou mesmo ao menor arranhão, não exigiam porventura serem evitados? Ele não era, afinal, um Raikage capaz de resistir a técnicas ninjas apenas com o próprio corpo!
É verdade que talvez fosse prematuro tomar Orochimaru como referência, já que ele era apenas um genin recém-formado, pouco experiente, especializado em kenjutsu, manipulação do elemento vento... e jogar basquete... Não, nada de basquete! Contudo, perceber cedo as próprias falhas também tinha seu valor.
“Diante de um bombardeio de jutsus inimigos, como poderia eu me aproximar o suficiente para decapitar meus adversários?” Araki se perguntava, enquanto folheava um pergaminho sem encontrar nada de realmente útil, dando início a uma tempestade de ideias.
“Veja só, aqui está descrita a ideia de uma técnica que me parece muito interessante!” Kisame exclamou de repente. “Usando a propriedade fluida da água, criar uma criatura que, enquanto estiver na água, possa se regenerar sozinha.”
“Regenerar-se? Fluidez? Isso também é uma forma de mudança de propriedade do chakra de água?” questionou Araki.
“Exatamente. Assim como há manipulações de forma, como esfera de água, chicote de água, dragão de água, muralha de água, também há várias mudanças de propriedade. Muitos dos jutsus mais poderosos devem seu impacto à exploração de uma propriedade única do elemento. Por exemplo, nosso conhecido jonin Yagura, da Vila da Névoa, executa o famoso Jutsu do Espelho de Água, explorando a capacidade reflexiva da água para replicar e devolver técnicas inimigas. Ou o Jutsu da Rocha Peso-Leve do Tsuchikage, que provavelmente utiliza a manipulação de gravidade do chakra terra para permitir o voo livre.
Naturalmente, técnicas que envolvem mudanças específicas de propriedade são muito difíceis de aprender; geralmente, só quem recebe instrução direta de quem domina o jutsu consegue efetivamente captar o segredo.”
“Então, esse jutsu do pergaminho seria também uma dessas técnicas avançadas?” Zabuza perguntava, animado; era ele, afinal, o mais sedento por poder naquele momento.
“Pelo que está descrito, sim. Imagine uma criatura que pode se regenerar infinitamente enquanto houver chakra suficiente. É o tipo de adversário que se torna um verdadeiro incômodo!”
Kisame refletiu e chegou a essa conclusão.
Ouvindo a conversa, Araki pensou primeiro na técnica de invocação do Kaibyo de Amaterasu. Mas, à medida que Kisame detalhava a análise, percebeu que aquilo ressoava com o conceito do futuro jutsu de Kisame, o Mil Tubarões Famintos.
De repente, Araki teve um lampejo: “Essa propriedade de fluidez não é exclusiva do elemento água. O elemento vento também a possui e, além disso, impõe menos restrições, afinal, há vento por toda parte! Talvez eu possa explorar a mudança de propriedade do vento por esse caminho... Quem sabe, criar um dragão de vento capaz de se regenerar indefinidamente a cada golpe de espada?”
Fora essa ideia para um jutsu, o pergaminho não continha outras informações mais relevantes. Nada sobre selos amaldiçoados ou energia natural; isso deixou Araki um tanto desapontado.
Contudo, sendo alguém que sempre confiou apenas em seu próprio talento e esforço, ele não se sentiu dependente daqueles registros. Lamentou brevemente e logo se recompôs, acompanhando Kisame de volta à vila.
Desta vez, Kisame não foi sozinho relatar a missão. Como envolvia uma das Cinco Grandes Vilas, a Folha, Araki e Zabuza, por serem conhecedores dos fatos, também seriam inevitavelmente interrogados.
Por isso, Kisame os levou juntos ao escritório do Mizukage.
Após o anúncio, os três foram admitidos sem dificuldades.
Era a primeira vez que Araki via de perto o Terceiro Mizukage. Ele exalava uma aura de grande velhice — a pele enrugada marcada por manchas senis, os cabelos brancos narrando silenciosamente o peso dos anos. Vestia um manto cerimonial azul, e o chapéu de Mizukage repousava sobre a mesa. Da aparência, era difícil perceber qualquer traço de imponência.
“Kisame, ouvi dizer que houve contratempos em sua missão?” A voz do Terceiro Mizukage também era idosa, mas o tom permanecia afável, talvez pelo fato de os três serem ninjas de origem simples.
“Sim, Mizukage-sama. Investigando os ataques dos demônios-marinhos no País do Mar, encontramos, por acaso, uma base secreta da Folha. Aqueles monstros eram frutos de experimentos deles e, ao final, ainda fomos perseguidos por Orochimaru, um dos Três Lendários Ninjas.”
Kisame entregou ao ANBU ao lado do Mizukage os registros reunidos por Araki.
“Demônios-marinhos, Folha, Orochimaru...”, murmurava o Terceiro Mizukage, recebendo o pergaminho sem demonstrar emoção.
“Experimentos em humanos, tropas anfíbias? Estaria a Folha de fato tramando algo contra nós?”
Mas, à medida que lia os pergaminhos, o semblante do Mizukage se fechava. Via que as coisas não eram tão simples quanto supusera. Achava, a princípio, que se tratava de mais um laboratório clandestino, como tantos em que diversos vilarejos conduziam experimentos em humanos — e não eram raros os que preferiam instalar esses laboratórios em pequenas nações vizinhas, facilitando a aquisição de cobaias.
Afinal, estrangeiros, por acaso, eram considerados gente?
Porém, lendo até o fim, percebeu que o objetivo dos experimentos da Folha era criar soldados capazes de lutar tanto em terra quanto no mar.
Contra quem mais, senão a Névoa, seria útil tal tropa? Que sentido faria a Folha pesquisar isso? Pretendiam agir contra a Vila da Névoa?
“Isso é uma afronta!” O Terceiro Mizukage bateu com força na mesa e ordenou ao ANBU ao seu lado:
“Vá chamar Yagura imediatamente!”
Virando-se novamente para os três, elogiou-os:
“Vocês fizeram um excelente trabalho ao desmascararem o plano da Folha antes do tempo, dando-nos margem para agir. E ainda conseguiram escapar ilesos de Orochimaru, sem manchar o nome da Névoa! Declaro esta missão oficialmente promovida a nível S, com registro confidencial. Além disso, concedo a Kisame o direito de troca por um jutsu de nível A, e a Araki e Zabuza, respectivamente, a troca gratuita por um jutsu de nível B.”
“Muito obrigado, Mizukage-sama!” responderam os três, radiantes.
Cumprir uma missão de nível S normalmente garantia apenas uma troca por jutsu de nível A. Para um jounin comum, técnicas desse nível já eram trunfos, como o Rasengan do Quarto Hokage ou o Chidori de Kakashi. Para adquiri-las, além de conquistar o direito por missão de nível S, era preciso pagar caro.
Agora, o Mizukage lhes dera jutsus extras; tal recompensa poderia fortalecer consideravelmente até mesmo um jounin comum — imagine, então, para genins como Araki e Zabuza.
Isso demonstrava o apreço do Terceiro Mizukage pelo potencial dos ninjas de origem simples.