Capítulo 10: A Verdadeira Divisão para a Avaliação

Ensinando Kenjutsu no Mundo dos Ninjas Morador da Residência Lunar 2487 palavras 2026-02-08 05:56:57

Quanto ao comentário de Zabuza sobre sua suposta frieza, Araki não confirmou nem negou. Afinal, sendo alguém que atravessou para outro mundo, não seria natural enxergar os nativos como meros figurantes? Só um convívio realmente profundo e próximo pode romper essa barreira de percepção enraizada. Por exemplo, para Araki, Rin Uryu já não era mais uma personagem descartável; se algum dia o nome dela aparecesse na lista de Zabuza, ele certamente tentaria salvá-la.

No entanto, o tom de “você é pior do que eu” que Zabuza usava o incomodava bastante.

“Observar friamente ainda é melhor do que sair por aí matando com as próprias mãos!”

— Heh — Araki riu, com frieza. — Naturalmente. Não sou tão ardente quanto você, oh grande paladino da justiça!

A ironia transbordava em suas palavras, deixando Zabuza ruborizado. Não dava para negar: no fundo, aceitar aquela missão cruel também era reflexo de uma certa fantasia heroica. Heróis, afinal, não são aqueles que fazem promessas grandiosas, carregam grilhões por toda a vida e terminam sob mal-entendidos e insultos, lembrados apenas por poucos?

Ser desmascarado assim, porém, era constrangedor demais para um jovem. Zabuza, furioso e envergonhado, gritou em voz baixa:

— Eu nunca disse que era um paladino da justiça!

E, diante do sorriso zombeteiro de Araki, retirou-se às pressas.

— Ainda é jovem! — suspirou Araki, olhando distraído para o teto não muito alto. — E mesmo que seja esse o seu verdadeiro motivo, o que muda? O que importa são os atos, não as intenções. Se você teve coragem de assumir tais pecados, então é um herói, independentemente do que pensa!

Com esse pensamento, seus olhos se fecharam pouco a pouco, e ele adormeceu.

...

O tempo voou, e logo chegou o dia da avaliação final.

Durante esses dias, Araki, enfrentando Kenshin Himura, conseguiu captar um pouco do segredo do Rugido do Dragão. O mais importante: aprendeu a proteger os próprios ouvidos contra danos.

A técnica era simples. O Rugido do Dragão provocava ressonância nos canais semicirculares do ouvido, danificando-os por meio de ondas sonoras. O método mais eficaz seria usar tampões de ouvido.

De fato, bloquear o som impediria qualquer dano. Mas Araki rejeitava essa solução: abrir mão de um dos cinco sentidos era uma tolice indescritível! Restava, então, a técnica de neutralização: ao atacar, ele emitia rapidamente outro som nos próprios ouvidos, suficiente para interferir na frequência do golpe inimigo. Bastava que o novo som impedisse a ressonância dos canais semicirculares; assim, o perigo desaparecia.

E como produzir esse som? Simples: bastava bater levemente os dentes. O ruído era mínimo, mas, por estar tão próximo da cóclea, era extremamente eficaz!

No espaço mental, Araki já havia testado e comprovado esse método contra o Rugido do Dragão de Kenshin Himura. No entanto, como a técnica era ativada no exato momento em que a lâmina voltava à bainha — um movimento altamente enganoso —, mesmo tendo conseguido neutralizá-la uma vez, Araki ainda não foi capaz de vencer o adversário.

— Só me resta esperar que, ao aprender um novo ninjutsu, eu possa enfim encontrar uma maneira de derrotá-lo!

Com a espada longa nos braços, Araki dirigiu-se sozinho ao entorno do Campo de Treinamento Número Quatro. Já havia ali dezenas de aprendizes de sua idade, reunidos em pequenos grupos, observando uns aos outros com atenção e, ao mesmo tempo, desconfiados até dos próprios colegas.

— Que tédio! — comentou Araki, balançando a cabeça com desdém ao ver aquela cena. — No fim, só vão conseguir fazer sua última contribuição à Vila da Névoa com o próprio sangue.

Uma voz grave soou atrás dele. Araki virou-se e esboçou um sorriso provocador.

— Ora, ora, olha só quem chegou: o grande herói!

Zabuza, que um instante antes falava sério sobre sacrifício e glória, se descontrolou de imediato, lançando-lhe um olhar feroz enquanto sussurrava entre os dentes:

— Já disse para não me chamar assim!

— Que divertido! E quem disse que você pode mandar em como eu te chamo? — Araki ergueu o queixo, desafiador. — Se não gosta, venha me bater!

— Você... — Zabuza rangeu os dentes de raiva, fechou o punho, mas logo se acalmou, dizendo pausadamente: — Vou te alcançar, Araki. E, quando eu te superar, vou fazer você gritar isso cem vezes na frente da vila inteira!

Araki explodiu em gargalhadas diante da sinceridade inesperada do rival.

Antes que pudesse responder, um grupo de avaliadores, usando coletes cinzentos, aproximou-se. O líder levava uma espada nas costas, usava uma bandana cinza e carregava uma lista nas mãos. Com voz rouca, anunciou:

— Começaremos agora a chamada para formação dos grupos. Os mesmos números das turmas A e B se enfrentarão em duelos.

A voz áspera, como metal raspando, calou todos os presentes. Mais de cem aspirantes olharam ansiosos para a lista, torcendo para pegar um adversário mais fraco.

— A1, Ueda Maeya. B1, Shimizu Ryu!

— A2, Momochi Zabuza. B2, No Ao!

...

— A34, Araki. B34, Itou En!

...

A cada nome anunciado, uns comemoravam, outros se desesperavam. Mais visível era o desânimo dos que teriam de enfrentar Zabuza ou Araki — já se jogavam no chão, parecendo peixes mortos sem esperança alguma.

Ao final da chamada, o examinador fechou a lista, lançou um olhar severo à multidão tagarela e elevou a voz:

— Os do grupo A, venham comigo. Os do grupo B, sigam o examinador Ueno ao meu lado. Vocês entrarão no Campo Quatro por acessos diferentes! Têm um dia para eliminar o adversário de mesmo número e retornar à entrada antes do pôr do sol. Quem conseguir, torna-se genin!

Após suas palavras, um ninja de meia-idade com colete cinza destacou-se:

— Sou o chunin Ueno Aoshi. Alunos do grupo B, venham comigo. Vamos pelo outro lado!

Araki e Zabuza eram do grupo A. Seguiram o examinador em trote leve até sua entrada designada. O clima era bem mais animado entre eles, pois não havia rivalidade interna naquele momento. Pelo contrário, alguns tentavam formar alianças para enfrentar seus oponentes.

Araki, ao ver tanta movimentação, sentiu certa pena.

— Vocês acham mesmo que a divisão é A contra B? Na verdade, a separação real é entre “quem Zabuza pode matar” e “quem ele não pode”. Infelizmente, todos vocês estão no primeiro grupo.