Capítulo 9: Zabuza se prepara para enfrentar os americanos
No fim das contas, Araki não aceitou a “missão importante” mencionada por Kiyuzu Yagura, nem mesmo chegou a ouvir os detalhes dessa tarefa. Isso porque, após dar algumas voltas na conversa, Yagura mudou de ideia. Antes de partir, lançou a Araki um olhar profundo e significativo, dizendo:
— Você é um jovem muito inteligente, posso perceber. Parece que esteve sempre muito cauteloso em relação à missão de que falei. Não tem problema. Em Kirigakure, só os cuidadosos sobrevivem por mais tempo. Mas...
Yagura virou-se, ocultando a expressão, deixando apenas uma voz firme no ar:
— Peço apenas que acredite: eu, e todos que me acompanham, lutamos para que nossos companheiros na vila não precisem mais viver com tanto receio.
O som seco do trinco anunciou sua partida definitiva.
— Fazer com que o povo de Kirigakure não precise mais viver tão cauteloso? Que objetivo grandioso... — Araki espreguiçou-se, pegou sua longa espada e, enquanto se preparava para sair, pensou consigo mesmo:
— Mas, deixando de lado se concordo ou não com o método de vocês, com minha força atual não quero me envolver tão cedo nessas disputas do alto escalão! Se forem capazes, venham me procurar quando eu já tiver desbloqueado alguns mestres semideuses da espada!
...
À beira-mar, o cenário era o de sempre.
Araki empunhava a espada com uma mão, relembrando os golpes de Kenshin Himura.
— O segredo do Rugido do Dragão é provocar, com o som da lâmina, uma ressonância nos frágeis canais semicirculares do ouvido, desestabilizando o inimigo e abrindo sua guarda. Em suma, é o uso das ondas sonoras; a lâmina e a bainha são apenas ferramentas, não essenciais.
Ele estalou o dedo contra a lâmina.
Um sutil tinido soou.
— Tsc, essa técnica é realmente difícil de dominar! Mesmo com todo o controle que já tenho sobre meu corpo, conseguindo dosar precisamente a força em cada toque e fazer ajustes minuciosos, ainda assim...
Araki coçou a cabeça.
— Aliás, essa técnica não diferencia aliados de inimigos, certo? Se eu me machucar sozinho durante o treino...
— Será que o nível médico de Kirigakure é suficiente para tratar lesões sutis assim?
— Melhor deixar de lado por enquanto, é perigosa demais. Preciso observar mais vezes Kenshin Himura usando esse golpe, ver se há algum movimento de autoproteção, e por ora praticar outras técnicas.
Araki posicionou a lâmina à altura da cintura, flexionou levemente as pernas, assumindo a postura do corte relâmpago, e começou a ajustar a respiração.
Impulso das pernas!
Giro do quadril!
Movimento dos braços!
Corte!
O som sibilante do aço rasgando o ar formou um leve estrondo, deixando uma marca fresca numa pedra à frente.
— Ufa... — Araki expirou, atento à sensação do movimento recém-executado.
— Ainda não é fluido o bastante, nem rápido o suficiente! Para o corte relâmpago, se a velocidade não atropelar o inimigo, não serve de nada!
Reassumiu a mesma postura, repetindo o golpe várias vezes, até que a pedra recebeu sucessivos sulcos de espada.
A cada treino, seus movimentos mudavam sutilmente, e o estrondo do ar ia diminuindo pouco a pouco.
Isso era bom sinal: indicava que encontrava posturas e formas de aplicar força mais adequadas ao seu corpo, e que começava a reduzir conscientemente o atrito com o ar, tornando o corte mais veloz.
O treino era sempre monótono e fatigante, mas era o caminho obrigatório para quem queria ser forte. Comparado àqueles que se esforçavam a vida inteira sem enxergar um futuro, ele já tinha diante de si uma perspectiva clara e brilhante — do que reclamar então?
Bastava seguir em frente, pela trilha certa!
...
O sol declinava no horizonte.
Exausto, Araki retornou ao dormitório da academia ninja, encontrando Zabuza encostado em sua porta, semblante incerto, como se tivesse algo importante a dizer.
— Algum problema? — Araki foi direto ao ponto, sentindo-se esgotado demais naquele dia.
— Há algo que acho que você precisa saber — Zabuza sinalizou para entrarem.
“Não quero saber o que você acha, quero saber o que eu acho!” — Araki revirou os olhos. — Tá, entra logo.
Já dentro, Araki serviu-se de um copo d’água, esvaziou-o de uma vez e sentou-se na cama, fitando Zabuza.
— Fala logo, o que houve?
Diferente de Yagura, Zabuza não era do tipo expansivo. Não se sentou ao lado de Araki, ficando de pé diante dele, e disse em voz baixa:
— Hoje à tarde, um jōnin chamado Kiyuzu Yagura veio falar comigo...
Assim que Zabuza começou, Araki entendeu imediatamente do que se tratava. Como previra, após encontrar resistência com ele, Yagura seguira o plano original e procurara Zabuza.
E como esperado, Zabuza se deixara convencer por ele.
Araki ouviu pacientemente até o fim, então perguntou:
— E então, por que veio me procurar?
A calma de Araki surpreendeu Zabuza, que baixou os olhos e repetiu:
— Eu disse que, na prova de graduação, vou matar todos os colegas da minha turma!
— Sim, ouvi. Você quer que a elite sinta dor, pelo futuro de Kirigakure, por isso vai matar todos os colegas.
O tom de Araki já demonstrava impaciência:
— E o que isso tem a ver comigo?
— Hmph, no final das contas, você é mesmo o mais frio de todos, Araki! — Zabuza forçou um sorriso torto, recordando a conversa anterior com Yagura.
...
— Matar todos os colegas da mesma turma? Banhar a elite apática em sangue? — O jovem Zabuza estava incrédulo.
— Sim, e então? Aceita essa missão? — Yagura mantinha um semblante pesado, achando que Zabuza hesitava diante da brutalidade da tarefa.
Mas não havia alternativa: a pressão para reformar o sistema da academia era gigantesca, e sem causar um grande escândalo, ninguém prestaria atenção.
Além disso, Yagura já investigara as turmas anteriores e seguintes: a turma de Zabuza era a mais fraca, com menos alunos, e fora Araki e Zabuza, não havia nenhum outro destaque. O sacrifício seria o menor possível.
Por isso escolheram agir naquele ano.
“Pena que Araki é cauteloso demais. Se Zabuza também recusar...”
Enquanto Yagura ponderava o pior cenário, ouviu Zabuza dizer:
— Eu até aceito, mas tem certeza que é para matar todos da mesma turma? Tem um deles que talvez eu não consiga vencer.
Zabuza parecia incomodado.
— Alguém que nem você consegue derrotar? Ah, você fala de Araki, certo? Ele não conta. Contanto que não interfira, não precisa lidar com ele.
Yagura acenou, indicando que Zabuza não precisava se preocupar com Araki.
— Se ele insistir em se meter, outros vão intervir. Não se preocupe.
— Claro que não me preocupo com Araki tentando me deter. Ele é a pessoa mais fria que já conheci. Mesmo sendo colegas de classe, ninguém consegue se fixar em seu olhar, ele só se importa com a própria força.