Capítulo 87: Os Intrusos

Ensinando Kenjutsu no Mundo dos Ninjas Morador da Residência Lunar 2502 palavras 2026-02-08 06:03:24

Vento Cortante: Fenda das Ondas — este era um golpe de espada recém-criado por Araki, que utilizava o controle avançado do vento aprendido com Yasuo, aliado a conceitos tirados tanto do Pergaminho do Conhecimento quanto do ataque do monge marinho e do Rasengan. A lâmina giratória, composta inteiramente de vento, finalmente supria a sua carência de técnicas de ataque à distância em área.

Agora, ele já não via sentido em trocar o Vento Cortante: Devastação. No início, recorrer aos jutsus era uma necessidade, pois sua habilidade com a espada ainda não era suficiente, e assim ele elevava seu poder de combate. Mas, tendo atingido esse nível, salvo por técnicas secretas ou proibidas dotadas de poderes especiais, os jutsus ofensivos comuns já não podiam se comparar à força de seus próprios golpes de espada. Para quê desperdiçar recursos à toa?

Além do mais, se necessário, ainda podia se aproveitar das relíquias da família Hozuki...

Sim...

Desfrutar de algo alheio uma vez é prazeroso, mas fazê-lo sempre é ainda melhor. A família Hozuki que se cuide — nem mesmo o Sábio dos Seis Caminhos seria capaz de impedir!

Enquanto Araki e Mangetsu discutiam suas técnicas de espada com entusiasmo, um trovão ensurdecedor, como se fosse rasgar o céu, explodiu sobre suas cabeças, e serpentes de raio desceram em ziguezague dos céus.

O estrondo ecoou, faíscas cortaram o ar.

“Aquilo é...”

Araki se virou para o sul, seguindo o som.

“É a localização da base da ANBU!” Mangetsu logo reconheceu. “Estamos sob ataque!”

“O quê?” Araki piscou, surpreso. Não seria esse o efeito da Espada Relâmpago?

Entre as Sete Espadas Lendárias, a Espada Relâmpago sempre teve destaque. Aos olhos de Araki, ela não passava de um amplificador de técnicas relâmpago, e um amplificador poderoso. A técnica Kirin do Sasuke era sua mais poderosa justamente porque podia invocar relâmpagos naturais do céu.

Porém, com a Espada Relâmpago, esse feito era simples.

Mangetsu percebeu sua dúvida e explicou: “Embora a espada realmente permita isso, Kurosuki Raiga jamais faria uma coisa dessas dentro da vila.”

Assim que terminou de falar, uma claridade intensa irrompeu no céu, e dragões de relâmpago, brancos e furiosos, rugiram e despencaram até o solo.

Diga-se de passagem, poucas são as técnicas relâmpago capazes de manipular o trovão natural. Tudo ali parecia de fato efeito da Espada Relâmpago.

Mangetsu silenciou.

Levar um tapa desses da realidade é como ser arrastado por um furacão.

“A menos que haja uma situação realmente fora do comum!”

Certo, ele conseguiu disfarçar a situação.

Araki deu de ombros: “Vamos ajudar?”

“Claro!”

Ambos saltaram para os telhados, correndo em direção ao local onde relâmpagos caíam sem parar.

...

Retrocedendo um pouco na linha do tempo.

Ao cair da noite, na costa do País da Água, um pequeno barco de pesca, com aparência comum, se aproximava lentamente, conduzido por um velho barqueiro.

“Kawamura, hoje você chegou bem tarde”, comentou um dos ninjas da Névoa que patrulhavam o cais, ao mesmo tempo que lançava um olhar cauteloso para o acanhado camarote do barco.

“Nem me fale, hoje foi puro azar!” O velho Kawamura, diante do ninja que se aproximava, manteve-se tranquilo e até parecia querer desabafar: “Antes de escurecer, vi um peixe enorme no mar, só a barbatana dorsal fora d’água já era desse tamanho!”

Ele abriu os braços, mostrando um tamanho exagerado.

“Um peixe daqueles, nunca tinha visto antes. Se eu conseguisse pegar e vender para os nobres, quanto não valeria? Talvez eu nunca mais precisasse pescar na vida! Então joguei a rede, mas quem diria que aquela fera seria tão difícil de capturar!”

Kawamura suspirou: “Ela arrastou minha rede para longe, e eu não tinha força para segurar, só fui levado para o oeste. Se a rede não tivesse se rompido no meio do caminho, acho que teria ido parar no País do Fogo!”

“Ah, é mesmo?” O ninja, de patente mediana, respondeu desconfiado. “Preciso inspecionar seu camarote!”

Três figuras envoltas em mantos negros, escondidas no minúsculo espaço do barco, estremeceram ao ouvir, seus olhares trocando sinais de alerta.

Mas Kawamura permaneceu calmo, esfregando as mãos: “Claro, senhor, por aqui. Hoje gastei toda minha força com aquele peixe, não consegui pescar muita coisa.”

Ele trouxe do convés um balde de madeira cheio de peixes frescos e entregou ao ninja, dizendo em voz baixa: “O senhor tem trabalhado demais, faça um assado à noite! O senhor sabe, toda semana cozinho peixe para aquele mestre, e hoje já estou muito atrasado...”

Diante do balde de peixes, Kawase Shinsuke lambeu os lábios, lançando mais um olhar ao camarote escuro.

Num instante, uma shuriken voou veloz, girando e cravando-se em uma das tábuas do camarote.

Kawamura levou um susto e perguntou, com cautela: “Senhor, isso foi...?”

“Haha, escorregou!” Kawase Shinsuke riu, pegou os peixes e voltou ao cais.

“Vá para casa, e não volte tão tarde outra vez!”

“Sim, sim!” Depois de uma série de reverências, Kawamura remou de volta em direção à sua casa.

Dentro do camarote, um homem de cabelos brancos recolheu lentamente a curta lâmina que já estava meio sacada, dissipando a aura ameaçadora que o envolvia.

“Senhores, não sei qual missão vieram executar, mas se precisarem de ajuda, basta lançar um sinalizador ao céu. Eu verei. Não posso ajudar muito, mas causar uma distração, para servir de cobertura, é o mínimo que posso fazer.”

A voz de Kawamura era quase um sussurro. “Não posso fazer grandes feitos, mas causar confusão para ajudar vocês, posso sim. Considerem como uma distração.”

“Muito obrigado! Mas é melhor não se envolver mais do que isso. Esta missão é perigosa, nem nós três temos certeza de sair vivos...” O homem de cabelos brancos recusou a oferta.

“Hehe”, Kawamura deu uma risada tranquila. “Sobre sair vivo ou não, desde que fui destacado para cá, nunca achei que voltaria em segurança para a vila. Gente como eu é material descartável. Já que fui escolhido, prefiro morrer ajudando a vila do que desaparecer sem deixar rastro.”

As palavras do velho barqueiro deixaram Sakumo Hatake em silêncio.

Apesar de ser um ninja poderoso, cuja força só era superada pelo Terceiro Hokage nesse período, ele tinha um coração gentil. Amava a vila, prezava os companheiros, e ouvir aquela confissão de Kawamura o comoveu profundamente.

“Está bem. Se precisarmos, enviaremos um sinal.”

Diante do olhar satisfeito do velho, Sakumo olhou-o nos olhos, desceu do barco e, de costas, disse suavemente:

“Se eu tiver a oportunidade, levarei você para ver como está a vila hoje.”

Ouvindo isso, Kawamura soltou uma gargalhada sincera:

“Seria ótimo! As folhas dançam, mas depois de queimadas também precisam voltar às raízes. Então, deixo a vocês o encargo de levar meus velhos ossos de volta. Só não sei se alguém como eu merece ser lembrado no memorial. Mas, por favor, não deixem que minha vida atrapalhe a missão de vocês. Se isso acontecer, nem morto eu descansarei em paz!”