Capítulo 104: O Circo da Lua Sombria
O País da Lua pode ser considerado uma nação peninsular, com litoral em dois lados, um conectado à placa do planalto do País do Trovão e o outro à placa continental do País do Fogo, sendo a última barreira avançada do País do Trovão.
Após quase uma semana de navegação marítima, Araki e seus dois companheiros finalmente pisaram naquela terra.
— Ah, finalmente desembarcamos! Já estou quase enjoado de tanto comer peixe! — Kurohone Kaguya reclamou em voz alta assim que desceu do navio.
— Como ninja do País da Água, não conseguir nem comer peixe não é aceitável, sabia? — Zabuza levantou a cabeça e olhou para o horizonte, mas suas palavras sarcásticas claramente chegaram aos ouvidos de Kurohone.
— Ei, Zabuza, você quer brigar? — Kurohone ficou irritado.
— Estamos em uma missão da divisão de operações secretas, seria melhor se você mantivesse a discrição para não causar problemas ao capitão — Zabuza respondeu, ignorando o convite para briga, deixando Kurohone frustrado.
Araki, observando a cena, esboçou um sorriso. Esse tipo de confronto entre os dois já havia acontecido várias vezes. Sem o controle de Kisame, ambos queriam dominar a equipe secreta como vice-capitão.
No entanto, em todas as disputas anteriores, ninguém saía vencedor, e a rivalidade só aumentava.
Embora Araki não entendesse muito bem a necessidade de ter um vice-capitão em uma equipe de apenas três pessoas, ele ficava satisfeito em ver o progresso rápido dos dois por conta da competição mútua, por isso preferia não interferir, contanto que não atrapalhassem a missão.
— Chega de briga — Araki disse, abrindo o mapa. — O território do País da Lua é grande, mas as informações que temos não indicam um local exato. Querem tentar encontrar por conta própria? O que vocês acham?
— Chefe — Kurohone levantou a mão imediatamente —, podemos ir ao mercado negro para trocar recompensas e buscar informações. Traidores como eles costumam ser alvo de muitos ninjas mercenários.
Zabuza, incomodado por Kurohone ter se adiantado, provocou:
— Você sabe onde fica o mercado negro no País da Lua?
Ele achava que, sendo a primeira vez de todos ali, ninguém teria ideia da localização, e o conselho de Kurohone não valia nada.
Mas, para sua surpresa, Kurohone sorriu satisfeito, olhando de lado para Zabuza, e respondeu com orgulho:
— Eu não sei a localização exata, mas sei como encontrar.
Essa era a vantagem de ter uma linhagem tradicional. Apesar de a família Kaguya ser formada por guerreiros ferozes, eram uma das três grandes famílias do Vilarejo da Névoa, com uma herança que remontava à era dos Estados Combatentes.
Kurohone continuou:
— Cada mercado negro é um sistema independente, mas todos usam o mesmo símbolo, para facilitar que ninjas mercenários recebam suas missões. Em países pequenos como este, a capital certamente mantém suas marcas secretas. Se seguirmos essas marcas, encontraremos o mercado negro.
Zabuza não teve mais argumentos e virou o rosto, resmungando para si mesmo:
— Na próxima vez, eu vou...
Seguindo o plano que Kurohone havia elaborado, Araki e seus companheiros executaram a missão passo a passo.
A busca pelo mercado negro foi surpreendentemente fácil, quase inacreditável.
A marca secreta estava exposta bem na entrada do portão da capital!
— Ei, esse mercado negro é tão descarado assim? — Araki olhou para Kurohone, que conhecia melhor o assunto.
— Bem... — Kurohone refletiu —, no mundo dos ninjas, se os Cinco Grandes Países são os governantes visíveis, o verdadeiro domínio está nos mercados negros. Dizem que mais traidores foram mortos por eles do que pelas divisões secretas dos Cinco Grandes Países. Já se especulou que, se juntassem todos os ninjas mercenários dos mercados negros para formar um vilarejo, ele não ficaria atrás dos Cinco Grandes Vilarejos Ninjas.
— Sério? — Araki estreitou os olhos. Isso indicava que o poder por trás do mercado negro era imenso.
Será que o verdadeiro chefe deles era Kurozetsu?
Pensando melhor, parecia bastante possível.
Kurozetsu, uma entidade que existia há mil anos e era especialista em espionagem, parecia o chefe ideal para tal organização.
— O que? Você acha que é Orochimaru? — Araki perguntou.
Embora a técnica de reencarnação de cadáveres precise de corpos, o mercado negro surgiu muito antes, provavelmente junto com o estabelecimento do sistema dos Cinco Grandes Vilarejos.
Além disso, como rei não coroado do submundo, com uma vasta organização que se estendia por todo o mundo ninja, Orochimaru sozinho não conseguiria sustentar algo tão grande.
Mas, depois de sua deserção, talvez ele tenha estabelecido alguma cooperação com o mercado negro.
Mesmo assim, Araki não se preocupava muito. Mesmo que essa teoria fosse verdadeira, não teria relação com ele por enquanto. Como um ninja comum sem qualquer linhagem sanguínea especial, ele estava confiante de que Kurozetsu não se interessaria por ele.
Seguindo as marcas secretas, os três vestidos de negro chegaram ao lado de fora da capital, próximo ao acampamento de um circo.
— Zabuza, fique de guarda lá fora. Kurohone, venha comigo — Araki ordenou em voz baixa.
Zabuza parou, saltou e se escondeu, enquanto Kurohone seguiu com Araki.
— Venham ver! Macacos que dançam, tigres que pulam através de argolas de fogo, elefantes que jorram água! — ao entrarem, foram recebidos por anúncios e sons de animais fazendo truques: macacos, tigres-dentes-de-sabre, mamutes, águias.
— Ei, senhores, querem comprar ingresso para o espetáculo do Circo da Lua Sombria? Vale muito a pena, garanto que vão gostar! — um palhaço baixinho, vestido de forma extravagante, se aproximou para vender ingressos.
Kurohone ignorou o palhaço e seguiu adiante, mas para surpresa dele, Araki parou.
— Qual é o nome desse circo? — Araki perguntou, com um tom carregado.
— Circo da Lua Sombria, foi o nome que nosso chefe deu — respondeu o palhaço com entusiasmo.
— E como se chama o seu chefe? Seria Silas Lua Sombria? — Araki insistiu.
— Ah, não, nosso chefe não tem esse nome — o palhaço coçou o nariz vermelho e negou.
— Entendo, então esquece.
Araki balançou a cabeça e, guiados por Kurohone, continuaram seu caminho.
— Silas Lua Sombria? — o palhaço observou as costas dos dois e coçou a cabeça. — Esse nome combina mais com o circo, não acha? Vou sugerir ao chefe que adote esse nome artístico.
Ignorando o pensamento do palhaço, Kurohone perguntou baixinho a Araki:
— Chefe, tem algo errado com esse circo?
— Nada demais, só me lembrei de algumas coisas — respondeu Araki, sinalizando para que Kurohone não se preocupasse. — Este é o acesso ao mercado negro?
— Exatamente — Kurohone apontou para uma pequena construção decorada como um banheiro —. A entrada é por aqui, o mercado negro fica no subterrâneo.
— Então vamos. Espero conseguir informações rapidamente.
Araki levantou a cortina da porta e desceu as escadas de pedra.