Capítulo 75: Sem mulher no coração, a espada se ergue com divindade
Em seguida, a Vila Oculta da Nuvem permaneceu sob estado de emergência por três dias, sem conseguir capturar mais nenhum espião; Yakushi Nonoyu já tinha desaparecido sem deixar rastros. Aproveitando-se da ajuda de Konoha nessa ocasião, a Vila Oculta da Névoa ganhou vantagem nas negociações subsequentes, conseguindo aprovar diversas regras do exame em benefício próprio.
Entre as mudanças estavam a modificação da prova de coleta de informações, a inclusão de batalhas em grupo em cenários de ilhas desertas, entre outros ajustes; ao final, o rosto de Tsuchidai já estava verde de raiva, em nítido contraste com a satisfação de Yagura Kyoju. Contudo, havia uma exigência em que a Vila da Nuvem se manteve irredutível: a data de realização do exame.
Normalmente, para ninjas, um mês seria tempo mais que suficiente para preparar o local e reunir o pessoal, mas Tsuchidai insistiu em adiar para três meses. Essa era uma exigência do Terceiro Raikage, e o motivo era claro como água. Sentindo-se já bastante favorecido, Yagura Kyoju não quis afrontar a vontade do Raikage; para ele, não fazia muita diferença se o exame fosse em um mês ou em três. Será que alguém realmente acredita que três meses de treinamento especial mudariam o destino de alguém?
Além disso, para a Vila da Névoa, o mais importante não era a vitória no exame, e sim o significado implícito da aliança representada pela realização conjunta do Exame Chūnin.
Ah, e sobre a Vila Oculta da Pedra: eles estavam apenas participando, não eram organizadores, no máximo convidados especiais.
Assim, a Vila da Névoa podia agora se valer da força da aliança entre Nuvem e Névoa para encarar Konoha de igual para igual.
Após uma breve pausa para descanso, o grupo partiu de volta ao País da Água, levando consigo a satisfação de missão cumprida.
Porém...
— Ei, aquela kunoichi ali não é a mesma que o Araki deixou inconsciente outro dia? — perguntou Kaguya Kokkotsu, cutucando as costelas de Zabuza com o cotovelo, sorrindo maliciosamente.
— É ela sim — respondeu a voz abafada de Zabuza por trás das bandagens, meio aborrecido por não ter conseguido treinar direito nos últimos dias.
— Veja só, ela foi tão maltratada aquele dia e já teve alta do hospital? Será que ela também tem a constituição do nosso clã Kaguya?
Zabuza lançou um olhar de desdém para Kokkotsu.
Olhe só para ela: pele clara, rosto bonito, pernas longas, seios fartos. Agora olhe para você: magro feito um esqueleto... De onde vem essa confiança toda?
— Araki, ouvi dizer que vocês já vão partir hoje? — perguntou Samui, com a cabeça baixa e as bochechas pálidas tingidas de um rubor suspeito.
— Isso mesmo, missão cumprida, é hora de ir — confirmou Araki com um aceno.
— Você ficou incrível lutando! — disse Samui, criando coragem para encará-lo nos olhos, o olhar envolto em admiração.
Vendo aquele olhar, Araki coçou a cabeça, meio intrigado.
Eu quase a despedaço outro dia, e ela ainda diz que fui incrível?
Isso me lembra algo que já vivi antes...
Ah, claro, foi com Kaguya Kokkotsu!
Bati nele e ele quis me seguir como líder.
Será que...
Você também tem sangue Kaguya?
O olhar de Araki ficou estranho, e Samui, constrangida, perdeu rapidamente a coragem, desviando os olhos para o peito de Araki.
— Não fui tão bem naquele dia, mas vou me esforçar em dobro! — disse ela, dando um passo à frente, os braços delicados impulsionando o corpo em sua direção.
— Até daqui a três meses, Araki!
...
— Incrível! No fim das contas, quem mais saiu ganhando nessa viagem foi você, Araki! — brincaram os companheiros, logo após a despedida de Samui, como Araki já previa.
Yagura Kyoju bateu nas costas de Araki, sorrindo de orelha a orelha.
Kaguya Kokkotsu também entrou na onda, pedindo dicas de conquista para Araki.
Araki revirou os olhos:
— Que dicas, o quê! Só dei uma surra nela. O mérito é que sou bonito mesmo!
Ao ouvir isso, exceto Yagura Kyoju, os outros quatro ergueram as sobrancelhas em uníssono.
Bom, Zabuza ergueu o ossinho da sobrancelha.
Talvez pelo fato de a Vila da Névoa estar sempre envolta em neblina, onde é difícil enxergar direito, muitos habitantes de lá têm um visual peculiar.
Dentes pontudos já são comuns; as sobrancelhas de Zabuza, o figurino do clã Kaguya, e o próprio Kisame, com aquela cara de tubarão.
Com esse visual, só mesmo quem é da Névoa está acostumado. Achar que vão atrair mulheres estrangeiras assim? Continue sonhando!
Entre os seis, apenas Yagura Kyoju e Araki tinham boa aparência.
E, comparado ao rosto de criança de Yagura, Araki era ainda mais charmoso e atraente, sendo o galã oficial do grupo!
Como dizem por aí: se você nunca foi bonito, jamais entenderá como é fácil conquistar garotas!
Samui, a flor da Nuvem, que o diga.
— E mais, — continuou Araki, sem se abalar — vocês sabem por que eu luto tão bem com a espada?
Ao ouvir isso, Zabuza e os outros ficaram atentos, inclusive Suigetsu, os olhos brilhando de expectativa.
— Uma frase pra vocês: sem mulher no coração, a espada brilha naturalmente!
Enquanto encarava os olhares ansiosos, Araki revelou seu segredo, mas só recebeu desprezo unânime.
— Tsc! — todos reclamaram, acusando Araki de esconder o jogo e usar mulheres como desculpa.
— Ah, hoje em dia ninguém acredita quando falo a verdade... — suspirou Araki, resignado.
...
Entre piadas e risadas, o grupo se aproximava do porto do País do Relâmpago quando Zabuza, atento, levantou a mão de repente.
— Alguém se aproxima em alta velocidade!
Todos, sendo elites da Vila da Névoa, não desperdiçaram tempo com palavras; ao ouvirem Zabuza, prepararam-se para o combate.
Yagura Kyoju, Suigetsu e Kisame, os três jōnin, assumiram formação triangular, cada um cobrindo uma direção, cercando Araki, Kokkotsu e Zabuza no centro.
Os três genins recuaram, fechando as brechas entre os jōnin.
Vistos de cima, formavam um duplo triângulo, como pétalas de uma flor, bem distribuídos e organizados.
Logo, avistaram um ninja renegado de manto negro, metade do rosto coberto por máscara e olhos verdes, surgindo da floresta.
Era fácil identificar que era um renegado pelo protetor de testa riscado da Vila da Cachoeira, à mostra.
— Ora, ora, que grupo atento! Não é à toa que valem cinquenta milhões de ryous! — zombou o estranho, com uma voz grave.
Esse visual: era Kakuzu!
Araki reconheceu o protetor da Vila da Cachoeira e confirmou a identidade do inimigo.
Mesmo sabendo que estavam diante de um adversário capaz de enfrentar os Cinco Kage, Araki não se assustou; o grupo também era forte.
— Cinquenta milhões? Então você é um caçador de recompensas? — indagou Yagura Kyoju, como líder.
— Terem ousado chamar minha atenção será o fim da linha para vocês! — ameaçou o estranho, enquanto Suigetsu já estava pronto para o combate, sua espada exalando chakra visível.
— Humpf, um bando de crianças, querendo se exibir! — zombou Kakuzu, fazendo selos rápidos com as mãos.
— Liberação do Raio: Escuridão Falsa!
Raios bifurcados e ofuscantes saíram de sua boca, luz branca como lanças de um deus do trovão, atingindo o grupo em um instante.
Araki, que se preparava desde que Kakuzu apareceu, sacou a espada e invocou uma rajada de vento.
Um vendaval ergueu-se do chão, formando uma barreira invisível diante deles.
Barreira de Vento!
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