Capítulo 119: Aquele que serve aos deuses, é só isso?

Ensinando Kenjutsu no Mundo dos Ninjas Morador da Residência Lunar 3329 palavras 2026-03-31 22:42:37

Vila Oculta da Folha.

Shikaku, um jovem jounin do clã Nara, sentia-se inquieto durante todo o dia. Estava tão distraído que nem mesmo durante o churrasco com seus melhores amigos, Inoichi Yamanaka e Choza Akimichi, conseguiu se concentrar.

— Ei, Shikaku, está preocupado com alguma coisa? — perguntou Inoichi, sempre atento aos sentimentos alheios, segurando a mão de Shikaku, que estava prestes a mergulhar a carne grelhada dentro do copo de saquê.

— Mmm, mmm, mmm-mm-mmm! — resmungou Choza, com a boca cheia de carne, concordando com o amigo.

Shikaku soltou uma risada fraca ao ver a cena.
— Não é nada específico. Só não sei por que, desde esta manhã, meu olho esquerdo não para de tremer e sinto um pressentimento ruim no coração.

Ao ouvirem isso, a expressão de Inoichi e Choza tornou-se séria. Eles achavam que Shikaku estava apenas triste por ter passado vergonha diante de Yoshino, mas a situação era bem mais grave. Para um ninja, um pressentimento súbito desses não deve ser ignorado. Ele poderia estar prevendo algo real.

— Um pressentimento ruim... — Inoichi estreitou os olhos. — Recentemente, além dos boatos contra o Canino Branco, nada de importante aconteceu na vila. Houve algum problema na sua casa?

— Não tenho certeza, mas pretendo voltar lá à tarde para dar uma olhada — respondeu Shikaku, balançando a cabeça.

— Sendo assim, eu e Choza iremos com você! Não temos nada para fazer hoje de qualquer maneira. — Inoichi bateu palmas, decidindo o destino de todos.

— Isso não seria um exagero? — hesitou Shikaku. — Afinal, é apenas uma intuição minha.

— Confie em si mesmo, Shikaku! — Inoichi deu um tapinha no ombro do amigo. — Você é o cérebro da nossa equipe! Se o cérebro está inquieto, como vamos cumprir nossas missões? Choza e eu sempre confiamos cegamente em seu julgamento.

— Exato! — Choza, que já havia terminado de comer toda a carne, assentiu vigorosamente. — Já terminei de comer, vamos agora mesmo. Assim, resolvemos logo essa preocupação e garantimos que você não cometa erros quando for encontrar a Yoshino hoje.

— Vocês são mesmo... — Shikaku olhou para o olhar preocupado de seus amigos e assentiu. Se até mesmo Choza, cujo lema de vida era "nada é mais importante que comida e bons amigos", estava disposto a devorar a comida às pressas para acompanhá-lo, ele não tinha mais desculpas.

— Então vamos. Vamos até o Jardim dos Cervos! — Shikaku levantou-se. Seus olhos estavam firmes e serenos, revelando, por um instante, a postura do futuro comandante da Aliança Shinobi.

— Isso! Esse é o Shikaku que eu conheço! — Inoichi riu. Os três caminharam com os braços sobre os ombros um do outro, saindo da churrascaria e partindo rapidamente para fora da vila.

— Senhor Kakou, cheguei! — Na entrada do Jardim dos Cervos, Shikaku chamou em voz alta enquanto explicava aos companheiros: — O senhor Kakou é um ancião do clã. Ele se recusa a descansar e insiste em trabalhar, então o patriarca lhe deu a tarefa de vigiar o portão do Jardim dos Cervos. Não é muito cansativo e satisfaz a vontade do velho.

No entanto, após chamar várias vezes, não houve resposta.

— Talvez esteja tirando uma sesta. Afinal, a energia dos idosos não é como a nossa — Shikaku sorriu e se aproximou para bater na porta.

*Toc, toc!*
— Senhor Kakou?

*Toc, toc, toc!*
— Senhor Kakou!

Desta vez, não apenas Shikaku, mas também Inoichi e Choza perceberam que algo estava errado. Mesmo que alguém dormisse pesado, seria difícil não reagir a batidas tão fortes. Algo aconteceu!

A expressão de Shikaku mudou. Sem se importar com os danos, ele gritou:
— Choza!

— Entendido! — A dupla, que era parceira desde os tempos de genin, tinha uma sintonia perfeita. Sem precisar de explicações, Choza já havia erguido o punho direito.

— Técnica de Expansão Parcial!

Seu punho, que já era grande como um pote de barro, inchou instantaneamente até ficar do tamanho de meio corpo humano e atingiu com força a pequena cabana de madeira.

*Estrondo!*
A pequena construção não resistiu ao impacto. Sob o punho de Choza, paredes e portão foram reduzidos a lascas de madeira que voaram por toda parte. Shikaku, tomado pela ansiedade, nem esperou a poeira baixar e invadiu o local em ruínas.

— Cuidado, Shikaku! — Choza ia alertá-lo, mas foi segurado por Inoichi.

— Deixe-o ir. Algo deve ter acontecido mesmo no Jardim dos Cervos. — Como o segundo cérebro da equipe, Inoichi era mais sensível. Diante de um ataque como aquele, se Kakou estivesse lá dentro, ele teria emitido algum som. Só havia duas possibilidades: ou ele estava morto, ou não estava lá. E ambas as situações indicavam que algo inesperado havia ocorrido.

— Senhor Kakou! — Shikaku entrou na cabana, mas não encontrou o ancião. Ele sentiu um leve alívio, mas a dúvida aumentou.

— Pela personalidade dele, o senhor Kakou não é alguém que negligenciaria seu posto. O que poderia tê-lo feito sair daqui? — Shikaku franziu a testa ao olhar para o Jardim dos Cervos, agora envolto por uma névoa fina.

— Relaxe, Shikaku — Inoichi aproximou-se e deu um tapinha em seu ombro. — Não encontrar ninguém também pode ser considerado uma notícia boa, não acha?

— É, suponho que sim. — Shikaku entendeu o amigo. Não encontrar um corpo era melhor do que encontrá-lo; havia esperança de resgate enquanto houvesse desaparecimento.

— Ufa! — Shikaku soltou um suspiro profundo e se recompôs. — Vamos, não adianta pensar demais. Vamos entrar e ver o que está acontecendo aqui dentro.

...

Enquanto o trio adentrava o Jardim dos Cervos, do outro lado do País do Fogo, um templo budista solene recebia, após muito tempo, dois invasores.

Telhados de telhas azuis, portões dourados luxuosos e duas estátuas de Tengu com expressões ferozes na entrada atestavam a dignidade e a majestade do Templo do Fogo. Infelizmente, os visitantes desta vez não tinham boas intenções.

— Então este é o Templo do Fogo? Parece bem imponente! — Um homem de cabelos longos e pretos, trançados em formato vertical, com barbas longas, lábios grossos, dentes afiados, o olho esquerdo coberto por um pano preto e o pescoço envolto em bandagens, olhou para cima e começou a rir loucamente. — Um lugar tão grandioso... deve ser divertido explodi-lo, não é? Ahahaha!

— Jinpachi, está com você! — Ao ver o entusiasmo de Jinpachi Kushimaru, Kushimaru Kuriarare deu a ordem de ataque sem hesitar.

Como um dos marcos do País do Fogo, o templo teve a infelicidade de ser alvo de dois membros dos Sete Espadachins da Névoa.

— Exatamente o que eu queria! — Jinpachi retirou a espada "Shibuki" das costas, deu dois passos à frente e cravou a lâmina no chão. — Arte Ninja da Espada Explosiva: Fenda da Terra!

O rolo de papéis explosivos na parte de trás da espada se desenrolou, e inúmeros selos voaram, criando um "caminho de runas" que levava diretamente ao portão principal.

*Estrondo!*
Explosões ensurdecedoras ecoaram pelo céu. O portão de ferro de cinco metros de altura não resistiu à violência da detonação e foi estilhaçado, voando para dentro do templo e atingindo vários monges e noviços.

— Hehe, que prazer! — Jinpachi parecia muito satisfeito com o resultado. Mas nem todos ficaram felizes.

— Quem se atreve a causar problemas no meu Templo do Fogo?! — Um monge careca de meia-idade saiu furioso, encarando os dois invasores. — Foram vocês, seus patifes? Sabem onde estão?

— Sabemos, é o Templo do Fogo, não é? — Jinpachi acariciou a barba, indiferente.

— Este é um lugar de adoração aos deuses! Sua arrogância será punida pelos céus! — vociferou o monge.

— Deuses? Punição divina? Que medo~. Por que não nos mostra como isso funciona? — Jinpachi pegou um selo explosivo e o arremessou contra o monge. — Deixe-me ver se há algo de especial em matar quem serve aos deuses!

*Boom!*
O selo atingiu o alvo com extrema rapidez. Antes que o monge pudesse reagir, ele foi engolido pela fumaça da explosão. Quando a poeira baixou, o monge estava caído no chão, com membros destruídos e à beira da morte.

— Só isso? — Jinpachi parecia desapontado e, em seguida, irritado. — Como alguém que serve aos deuses pode ser tão fraco? Você está enganando os meus sentimentos! Hoje, vou explodir todos vocês!

Dizendo isso, ele saltou alto e avançou com a espada em direção ao portão principal do Templo do Fogo.