Capítulo 73 – Este golpe carrega vinte anos de prática... (Peço votos de recomendação)
Embora o plano original dos três fosse que Takei se sacrificasse temporariamente para deter Killer B, enquanto Nakamura e Miki eliminavam rapidamente três genins da Névoa, os acontecimentos mudaram. Naquele momento, Killer B estava tomando banho lá embaixo e, devido à força do Lago do Trovão, provavelmente não conseguiria subir tão cedo. Assim, Araki e Zabuza, que estavam isolados à margem, tornaram-se presas fáceis aos olhos deles.
Takei, então, adaptou o plano rapidamente, valendo-se de sua habilidade de atuação para se aproximar de Araki e tentar garantir a primeira eliminação. Pela experiência que possuía, sabia que, embora entre os genins houvesse raros prodígios com poderes absurdos, esses geralmente dependiam de técnicas secretas herdadas. No combate corpo a corpo, pela limitação da idade, a diferença física, especialmente em força, era grande demais: dificilmente conseguiriam enfrentar um ninja adulto.
Afinal, o domínio das artes marciais exige anos de dedicação; seus vinte ou trinta anos de treino não seriam facilmente anulados por mero talento nato. Por isso, ao ver Araki erguer a espada às pressas para bloquear seu ataque, um sorriso cruel surgiu em seu rosto:
“Será que você consegue segurar?!”
O martelo de ferro atingiu a extremidade da bainha da espada, desviando-a. No entanto, como a mão de Araki, firmemente posicionada no meio da bainha, não se moveu, a força não arremessou a arma. Ao invés disso, foi transferida à lâmina como uma alavanca, tendo a mão do rapaz como apoio.
No instante seguinte, Araki pressionou o polegar, fazendo com que a lâmina da Espada do Vento se revelasse parcialmente. Um frio reluzente brilhou, e o fio cortante deslizou pelo pulso de Takei, fazendo jorrar um sangue vermelho e intenso.
“Ah!!”
Com os tendões cortados, Takei não conseguiu mais aplicar toda a força dos anos de treino. O martelo caiu no chão com um estrondo. Quando ainda tentava resistir, Araki, com a mão esquerda, golpeou o cabo da espada, que, ao ser embainhada novamente, emitiu um leve tinido.
Uma onda de vibração invisível propagou-se. Quando Takei se preparava para reagir, perdeu o equilíbrio, tropeçando e caindo desajeitadamente, os membros agitados mas incapazes de levantá-lo.
Sem alterar a expressão, Araki baixou a bainha e desferiu um golpe firme na nuca de Takei, encerrando de vez seu sofrimento.
Apesar de parecer uma sequência longa, tudo aconteceu num piscar de olhos. Quando Araki passou calmamente pelo corpo caído de Takei, os outros dois ainda não haviam iniciado o confronto com Zabuza.
Vendo o chefe ser derrotado com tanta facilidade, Nakamura e Miki entraram em pânico.
“O que está acontecendo? Não era pra você segurar o Killer B por um tempo? E agora? Em menos de um segundo, você foi derrotado por um genin comum?”
Naquele momento, ambos sentiram vontade de denunciar Takei por trapaça, pois nem sequer demonstrou a mínima dedicação ao papel. Chegaram a suspeitar que ele havia sido subornado, talvez para atrair os dois ou até mesmo aquele superior da Anbu que lhes transmitira a missão no dia anterior.
“O que fazemos?”
Com Araki e Zabuza se aproximando, Nakamura e Miki trocaram olhares, reconhecendo nos olhos um do outro a decisão firme. Empunharam suas armas especiais e lançaram-se num ataque suicida, gritando em altos brados:
“Pelo País do Vento!”
“Glória à Pedra Oculta!”
Sim... Embora a determinação fosse louvável e a improvisação aceitável, faltou-lhes sintonia, pois sequer acertaram o grito de guerra final. Quando perceberam, trocaram olhares constrangidos. Contudo, já era tarde para corrigir. As lâminas de Araki e Zabuza já estavam à sua frente.
No fim, ambos morreram de olhos abertos e expressão de indignação, como se acusassem o destino – talvez reclamando da dificuldade da missão, talvez amaldiçoando os colegas, ou lamentando o fracasso final.
Todo esse tumulto à margem não passou despercebido pelos dois que tomavam banho. Kaguya Ossonegro não tinha como subir sozinho, mas Killer B tinha. Arrastando o companheiro até a margem, perguntou:
“O que aconteceu?”
“Ah, nada demais. Esses três vieram tentar nos assassinar e falharam”, respondeu Araki, dando de ombros. “Aquele ali, eu não matei. Talvez possam interrogá-lo e conseguir alguma informação.”
“O quê? Tentativa de assassinato?!” exclamaram Killer B e Ossonegro ao mesmo tempo, mas enquanto um soava furioso, o outro misturava frustração, pena, decepção e um leve arrependimento.
“Viemos juntos, então por que, na hora da luta, só eu fiquei de fora? Se soubesse, não teria entrado no banho...” murmurou Ossonegro.
“Não foi sua culpa”, consolou Killer B, demonstrando certa simpatia pelo companheiro de banho. Bateu em seu ombro e prosseguiu: “Foi falha minha, por não garantir sua segurança em Kumogakure. Vamos, levo vocês de volta à hospedaria e depois avisarei o Senhor Raikage.”
“Ah... não era bem isso que eu...”, Ossonegro começou, mas Araki o interrompeu.
“Não é culpa sua, Killer B, mas você está certo: devemos informar o quanto antes.”
...
Gabinete do Raikage.
Quando Killer B entrou carregando o desfalecido Takei, Yagura e Ai discutiam acaloradamente os detalhes do exame conjunto para seleção de chunins.
Afinal, era a primeira vez que dois grandes países da Aliança Ninja realizavam, em igualdade de condições, um exame conjunto. Isso abria espaço para muitos debates.
“O exame será dividido em quatro fases: duas no País do Relâmpago, duas no País da Água. Assim está bom?”, cedeu Tsuchidai, fingindo resignação e aumentando de três para quatro etapas, para demonstrar imparcialidade.
“Poupe-nos dessas manobras!”, retrucou Chizuki Hozuki, percebendo a artimanha. “Todos sabemos que a fase decisiva é a final, em duelos individuais, quando as autoridades e nobres de todos os países assistem. É ela que impacta a economia e a influência nacional. As fases anteriores são só aperitivo!”
“E o que vocês propõem?”, perguntou Tsuchidai, recostando-se.
“Sugerimos eliminar a prova escrita de coleta de informações e adicionar mais uma rodada de combate em equipe.”
“Mas já há uma etapa em grupo!”, rebateu Tsuchidai, folheando os documentos.
“Refiro-me a duelos entre equipes, não batalhas caóticas. Além disso, a final deveria ocorrer em diferentes arenas, sorteadas para cada combate, garantindo justiça.”
“Quer dizer, trocar o local a cada luta? Como o público vai acompanhar?”
“Podemos dividir em três tipos de arena: floresta, mar e relâmpago. Com a distribuição dos espaços, a final pode se estender por três dias.” Era evidente que Chizuki Hozuki já havia considerado tais detalhes.
“Bem... podemos discutir sobre os locais, mas a prova escrita é fundamental. E adicionar outra etapa em grupo pode tornar o exame repetitivo”, argumentou Tsuchidai.
“Senhor Raikage, irmão, hoje três desconhecidos nos atacaram no Lago do Trovão!”, anunciou Killer B, entrando na sala com Araki e os outros, depositando Takei inconsciente no chão.