Capítulo 62: Um Espião de Folha? (Peço votos de recomendação)
— Olá, sou a guia de vocês, ninja de Kumogakure, Yugito Nii!
A jovem de longas tranças loiras presas atrás da cabeça sorria com frieza, porém sua voz era gentil, o que deixou Araki surpreso por um instante.
Claro, não era por ela ser bonita — afinal, beleza ameaçadora não era exatamente o gosto de Araki.
O que realmente o surpreendeu foi o nome dela: Yugito Nii!
No mundo de Naruto existem nove grandes Bestas com Cauda, criaturas lendárias de temperamento feroz, imortais e com poder de destruir tudo ao redor. Por serem tão perigosas, foram capturadas em conjunto pelo Primeiro Hokage, Hashirama Senju, e por Madara Uchiha, tornando-se armas nucleares para equilibrar o poder entre as cinco grandes vilas ninjas.
E a embalagem dessas armas nucleares é chamada de jinchūriki — o recipiente humano para o poder das Bestas com Cauda.
Ao abrigar esse poder, o jinchūriki possui praticamente chakra ilimitado, regeneração acelerada, uma armadura formada pelo manto da besta e muitas outras habilidades. Se crescer normalmente, seu poder é comparável ao dos próprios Kages das vilas e, em batalha, pode ser até mais decisivo.
Em situações extremas, podem até liberar a besta dentro de si num ataque suicida, levando o inimigo junto para a morte.
Ser um jinchūriki é o caminho mais rápido para o topo do mundo ninja.
Contudo, todo presente do destino exige um preço.
O custo de ser um jinchūriki é duplo: interno e externo.
Internamente, se o jutsu de selamento não for perfeito ou se o recipiente não tiver força de vontade suficiente, a besta pode escapar a qualquer momento. Caso isso aconteça, o jinchūriki morre.
Externamente, como as bestas causaram muita dor à humanidade, quase todos os odeiam. E esse ódio se estende aos próprios jinchūrikis.
Nessas circunstâncias adversas, poucos conseguem crescer normalmente.
Kumogakure, porém, tem dois jinchūrikis excepcionais — e um deles estava agora diante deles.
Yugito Nii, a jinchūriki do Matatabi, a besta de duas caudas.
— Olá, somos ninjas de Kirigakure. — Yagura, o líder do grupo, adiantou-se e apresentou todos.
— Estou incumbida de mostrar Kumogakure a vocês. Gostariam de visitar algum lugar em especial? — A postura de Yugito era cordial; embora seu semblante fosse um pouco altivo, talvez por ser pouco expressiva, sua voz permanecia suave.
— Bem... É nossa primeira vez em Kumogakure, não sabemos muito sobre os pontos turísticos. Miss Yugito pode nos guiar como achar melhor. — Yagura até pensou em consultar o grupo, mas acabou encarando cinco olhares perdidos. Nenhum deles fazia ideia das atrações locais.
— Entendi — respondeu Yugito, balançando a trança. — Os lugares mais famosos do nosso vilarejo são o Mar de Nuvens e o Lago dos Trovões. Qual vocês gostariam de ver primeiro?
— Mar de Nuvens! — gritaram cinco de uma vez.
— Lago dos Trovões! — respondeu Araki, em descompasso.
Os dois grupos de respostas soaram ao mesmo tempo. Cinco pares de olhos se voltaram para Araki com um olhar de reprovação:
“Por que você tem que ser diferente?”
— Certo, certo, então vamos ao Mar de Nuvens. — Araki mudou a resposta com a mesma expressão serena de sempre. Não era por pressão do grupo; para ele, a ordem não fazia diferença.
A razão de ter sugerido o Lago dos Trovões era simples: lembrou-se das condições para reconstruir a Espada do Vento, contadas por Chizuki Hozuki. A Espada do Trovão fora forjada com um raro minério de chakra pelo Segundo Hokage. E onde haveria mais minério com afinidade elétrica do que em Kumogakure?
Por isso, queria ver o Lago dos Trovões. Se encontrasse um bom pedaço de minério, sua arma poderia evoluir imediatamente.
Mar de Nuvens.
Esse era o ponto turístico mais famoso do vilarejo, situado numa encosta do Monte Raio e Nuvem. Muitos ninjas levavam a família para relaxar ali nos momentos livres.
Não eram poucos os casais que, escondidos entre nuvens e neblina, aproveitavam para fazer coisas mais íntimas.
Por exemplo...
— Gi... Giru, não... Aqui quase não tem neblina... Vão... Vão nos ver...
A voz tímida e frágil de uma jovem surgiu atrás de uma pedra. Yagura e os outros lançaram olhares inquisidores para Yugito.
Este era o famoso ponto turístico de Kumogakure?
Eles adoraram!
Três linhas negras surgiram na testa de Yugito. Ela mordeu os lábios, furiosa.
E, como se não bastasse, ouviram um homem ofegante:
— Não... Não se preocupe, Yuno... Todos estão ocupados... Ninguém vai se importar...
— Idiotas...
Yugito fechou os punhos, sumiu num instante com um shunshin.
Pouco depois, sons de pancadas e gritos ecoaram. Quando retornou, a jovem estava serena, ostentando um sorriso constrangido, porém educado:
— Me desculpem, nossa vigilância falhou e dois espiões de Konoha entraram. Já cuidei deles. Não precisam se preocupar.
Que maravilha!
Araki não pôde deixar de admirar.
Essa mulher era realmente audaciosa — inventou uma mentira sem pensar duas vezes!
Dois espiões de Konoha, depois de tanto esforço para entrar em Kumogakure, teriam se infiltrado só para... fazer isso no Mar de Nuvens? Seria esse lugar mais interessante do que o monumento dos Hokages?
Mas, como bons diplomatas, sabiam que não deviam desmentir o anfitrião. Então, todos passaram a condenar Konoha.
— Esses de Konoha são nojentos! Até o melhor cenário eles conseguem estragar! — reclamou Chizuki Hozuki, comedida.
— Os ninjas de Konoha só pensam nisso o dia todo? A tal Vontade do Fogo deles não passa de um fogo da paixão! — Yagura demonstrou habilidade em ironias.
Kisame e Zabuza, pouco falantes, nada disseram.
Kurotsuchi Kaguya, por sua vez, animou-se:
— Nunca testei meu sabre num ninja de Konoha... Tenho curiosidade para saber como é a sensação!
O sorriso insano e sedento por sangue estampou-lhe o rosto. Já se preparava para ir até atrás da pedra.
— Espere... Espere! — Yugito apressou-se a barrá-lo, gaguejando:
— E-espiões precisam ser interrogados pela vila... Vocês não podem matá-los...
Ao perceber que o grupo de Kirigakure incluía um louco como Kurotsuchi, pronto para cortar qualquer um em qualquer lugar, Yugito se arrependeu. Aqueles dois eram apenas civis de Kumogakure. Por vergonha, inventou a história e jogou a culpa em Konoha, sem imaginar que poderia provocar um banho de sangue!
— Kurotsuchi, se controle! — Araki colocou a mão sobre o ombro do companheiro, impedindo-o, e sorriu gentilmente para Yugito:
— Desculpe, senhorita Yugito. Não pretendemos interferir nos assuntos de Kumogakure.
Naquele momento, o sol aqueceu o topo da montanha, iluminando Araki como se ele emanasse uma aura dourada. Seu leve sorriso atravessou o coração da jovem como um raio de luz ao amanhecer.
— Q-que bom, que bom... — Yugito, inesperadamente nervosa, respondeu apressada, abaixando a cabeça para esconder o leve rubor que coloriu seu rosto.