Capítulo 34: Cortando Ondas · Círculo Quebrado
Apesar do poder devastador das bombas com selos explosivos — que quase nem mesmo a Barreira de Água de Kisame conseguiu conter —, quando usadas contra Araki e Zabuza, sua eficácia diminuía drasticamente. Os dois eram incrivelmente ágeis, e as ondas explodindo ao redor deles não bastavam para frear sua velocidade. Em pouco tempo, a embarcação pirata já estava perigosamente próxima.
A essa distância, Araki pôde distinguir claramente a silhueta do capitão, solitário e imponente, de pé no esporão da proa. “Se ao invés desse traje ele usasse um chapéu de palha, eu certamente teria fugido sem pensar duas vezes!”, resmungou mentalmente, não conseguindo deixar de notar como aquele bigode fino e o casaco ocidental faziam-no parecer o próprio Rei dos Piratas.
“Capitão Roger, os projéteis não funcionam! Eles já estão em cima de nós!”, gritavam, em pânico, os piratas de segunda categoria ao verem Araki e Zabuza saltarem para o convés. O desespero tomava conta de todos, menos do capitão, que parecia confiante. Ao ouvir o nome “Capitão Roger”, Araki quase perdeu o equilíbrio de surpresa, forçando-se a se recompor enquanto encarava o tal capitão com um olhar carregado de perplexidade.
“Como você ousa escolher um nome tão espalhafatoso?”, pensou Araki, enquanto o Capitão Roger, convencido de que o adversário estava intimidado, brandia sua espada fina e exclamava com arrogância:
“Garoto, ficou assustado com a fama do Capitão Roger? Hahaha, não se preocupe. Prometo que sua morte não terá dor alguma!”
Logo após, avançou com destreza, pernas em posição de ataque, e desferiu um golpe preciso — um movimento clássico da esgrima. Araki bloqueou o ataque, percebendo que a força de Roger não era desprezível.
“Interessante!”, pensou, surpreso por finalmente encontrar alguém que duelasse com espadas em combate real. Animado, gritou para Zabuza: “Deixa esse capitão comigo, o resto é contigo!”
Dito isso, empunhou a espada com as duas mãos, reuniu força nos braços e desferiu um poderoso golpe à frente.
Um estrondo ecoou. A força foi tamanha que Roger foi arremessado contra a amurada, batendo pesadamente as costas.
“Sabia que manejar uma espada com as duas mãos é muito mais eficiente do que com uma só? Não era você que prometia uma morte sem dor? Pois venha!”
Araki sorriu, tomado pela excitação do combate.
“Maldito pirralho!”, rosnou Roger, massageando as costas doloridas e assumindo expressão sombria. Com a experiência de um pirata veterano, percebeu logo que não era páreo para Araki. E, àquela distância, pôde distinguir claramente a bandana da Vila Oculta da Névoa no pescoço do adversário.
“Um ninja da Névoa... subestimei-os desta vez!”, lamentou-se. Mas, como típico pirata, não se prendeu a regras de duelos justos.
“Homens, ataquem todos juntos!”, ordenou o capitão. Em resposta, dezenas de piratas armados com sabres e machados avançaram de todos os lados contra Araki.
“Matem-no!”
“Pelo Bando dos Barba-Ruiva, ataquem!”
Enquanto isso, Roger retirou do casaco algumas pesadas esferas de ferro, cada uma do tamanho de uma bola de pingue-pongue, também cobertas de selos explosivos, e as lançou em direção a Araki.
“Morra, garoto!”, gargalhou, tomado pela loucura.
Mas foi então que, ao som cristalino de uma lâmina cortando o ar, Araki inclinou o corpo para trás, girou o pulso e descreveu um amplo arco com a espada.
Um brilho invisível se espalhou, delicado como as ondulações de uma gota caindo no mar, expandindo-se em círculo ao redor. O golpe se dissipou a alguns metros, e por um instante tudo pareceu congelar — piratas, projéteis, tudo imóvel.
Em seguida, corpos tombaram em sequência, sangue escorrendo livremente pelo convés. Os selos explosivos nas bombas foram cortados ao meio, inutilizando-as antes que pudessem detonar.
“Onda Cortante: Ruptura Circular!”
Vendo aquilo, o Capitão Roger empalideceu de terror, o sorriso se desfazendo em seu rosto.
“Tem alguma piada tão boa assim? Compartilhe, talvez eu também ria”, murmurou Araki ao ouvido do capitão, enquanto sua espada sibilava.
A lâmina descreveu uma curva, e um corte profundo, do ombro direito ao quadril esquerdo, surgiu lentamente no corpo de Roger. O riso do capitão morreu na garganta, e após um breve suspiro rouco, tombou ao chão.
“Você realmente acha que merece ser chamado de Roger?”
Araki sacudiu a espada, limpando o sangue, e olhou para o interior do navio, completamente envolto pela névoa densa, decidindo não intervir na luta de Zabuza.
Era claramente o Jutsu da Névoa Oculta, e, naquele ambiente, nem mesmo Zabuza seria capaz de distinguir amigos de inimigos sem recorrer aos sons. Se Araki entrasse, poderia acabar cometendo um engano fatal.
Por isso, limitou-se a gritar: “Zabuza, lembre-se de deixar um vivo!”
A ideia surgiu-lhe de repente.
Embora aquele bando de piratas não fosse páreo para sua equipe, o poder das bombas com selos explosivos era realmente formidável — em batalhas navais, poucos teriam chance contra eles. Mais importante, tais selos não eram materiais baratos como kunais ou shurikens; seu poder rivalizava com técnicas avançadas de fogo dos jonin, tornando-os caríssimos. O pagamento de uma missão de nível C mal dava para comprar um único selo.
Afinal, para ninjas de alto ataque e baixa defesa, ser atingido por um selo explosivo sem proteção geralmente significava morte certa — o alto preço era justificável.
Mas, ao ver aquele navio pirata, com duas ou três etiquetas em cada projétil, disparadas como se não valessem nada, Araki sentiu o coração apertar. Aquilo tudo seria deles!
Com tantos selos, poderiam até vender e comprar uma espada longa forjada com metal condutor de chakra! Por isso, decidido a não sair no prejuízo, Araki resolveu investigar o covil dos piratas em busca de ainda mais riquezas.
Era a chance de enriquecer de uma vez!
Talvez por estar acostumado a apanhar de Araki, Zabuza passou a levar a sério suas recomendações. Em pouco tempo, os gritos cessaram, a névoa densa se dissipou e Zabuza surgiu, coberto de sangue, arrastando um pirata inconsciente pelo colarinho.
“Aqui está, um sobrevivente. O que pretende fazer?”
“Vamos assaltar o covil deles, claro!”, respondeu Araki sem hesitar. “Se tinham tantos selos explosivos a bordo, é porque são ricos. Uma única investida pode render mais do que uma missão de nível A!”
Zabuza sentiu-se tentado. Vindo de família simples, sabia que, para ninjas, dinheiro ia embora tão rápido quanto vinha. Um ganho extra era sempre bem-vindo.
“Certo, acorde esse aí e descubra onde fica o esconderijo deles. Vou avisar o Capitão Kisame e organizar o plano.”
Assim que terminou, Araki saltou para fora do navio.
Naquele momento, apenas Kisame permanecia no convés do mercante; todos os outros estavam escondidos, facilitando a conversa.
“Vamos ao covil dos piratas buscar suprimentos?”, ponderou Kisame. Parecia uma boa oportunidade, impossível de recusar.
“Mas primeiro precisamos levar os clientes de volta”, ressaltou. Não era questão de perigo, mas, sim, de evitar que soubessem do roubo durante a missão.
A Vila da Névoa não possuía um sistema rígido de fiscalização financeira; uma súbita fortuna não levantaria suspeitas. Porém, se alguém denunciasse que estavam fazendo trabalhos paralelos durante a missão, poderiam ser punidos.
Afinal, isso poderia manchar a reputação da vila.