Capítulo 14: Disputa entre Facções (Peço que adicionem aos favoritos e recomendem)
Embora Kurokawa já tivesse compreendido completamente as intenções e o sacrifício do Terceiro Mizukage ao implementar a chamada “Política da Névoa Sangrenta”, o descontentamento dentro da aldeia em relação a essa política era generalizado. Kurokawa podia imaginar perfeitamente que, caso o ocorrido naquele dia viesse à tona, provocaria uma enorme comoção na vila, e aquele velho, que já se dedicara por quase toda a vida à Vila da Névoa, teria de suportar uma pressão ainda maior.
No entanto...
Kurokawa lançou um olhar disfarçado para os outros dois examinadores. Ele sabia que sozinho não conseguiria ocultar aquele acontecimento. A menos que os quatro examinadores combinassem suas versões e colocassem a culpa em espiões de outras nações.
— Kurokawa, aconteceu alguma coisa? Por que Ueno está tão nervoso? — Nesse momento, o outro examinador, de aparência mais jovem, perguntou sorrindo.
— Matsudaira... — O coração de Kurokawa afundou. Matsudaira era um genin recém-formado há poucos anos, que rapidamente havia ascendido ao posto de chunin, demonstrando ser um pequeno prodígio. O mais importante era que ele já havia sido cooptado pelo grupo reformista, colocando-se em oposição ao Terceiro Mizukage.
Normalmente, o exame de graduação da academia ninja era o principal meio de inserir novos membros na vila, e era praxe que as diferentes facções enviassem observadores. Mas, naquele momento, Kurokawa sentiu um profundo desgosto por essa tradição.
“Se não fosse por Matsudaira, talvez eu conseguisse ajudar o Terceiro a encobrir o que aconteceu!”, pensava Kurokawa, ressentido.
Mas a realidade não permite suposições. Diante das insistentes perguntas de Matsudaira, Ueno Aoshi acabou revelando a verdade.
— O quê? Como pode uma coisa dessas?! — Matsudaira exclamou, mas sua atuação era tão exagerada que nem mesmo Kurokawa conseguia ignorar.
“Seu idiota, você nem para de sorrir!”, pensou Kurokawa.
— O grupo B foi completamente eliminado, e só restaram dois do grupo A. O que realmente aconteceu no campo de treinamento só pode ser esclarecido por eles! — Matsudaira lançou seu olhar para Zabuza e Araki.
Dito isso, aproximou-se de Zabuza, agachou-se e perguntou:
— Você sabe como os outros morreram no campo de treinamento?
Ao ver que Matsudaira se aproximava dos sobreviventes sem autorização do examinador principal, Kurokawa demonstrou incômodo.
— Ei, Matsudaira, você...
— Fui eu que matei! — A voz de Zabuza não era alta, mas foi o suficiente para abalar os quatro examinadores, todos pelo menos de nível chunin.
— O que... o que ele disse...?
Kurokawa olhou, incrédulo, para Ueno.
— Ele disse que matou todos eles... — Ueno repetiu, atordoado, também em choque.
Apenas Matsudaira manteve-se impassível, ainda sorrindo:
— Não se deve mentir, sabia?
Zabuza, com o rosto impassível, não respondeu.
— Então, pode me dizer por que fez isso? — Matsudaira continuou.
— Para testar meus próprios limites.
A voz de Zabuza permanecia fria e indiferente.
— Pronto, a investigação está concluída. Momochi Zabuza, para testar seus limites, matou todos os colegas da mesma turma, exceto Araki, totalizando cento e quarenta... — Matsudaira levantou-se, como se estivesse prestando contas a Kurokawa.
— Ei, não seja tão superficial! Não podemos encerrar a investigação só com as palavras de uma criança. Pelo menos precisamos ir até lá e recuperar os corpos! — Kurokawa interrompeu o resumo de Matsudaira e, voltando-se para Araki e Zabuza, disse:
— Fiquem aqui e não saiam até voltarmos!
Em seguida, entrou no campo de treinamento número quatro com os outros três examinadores.
Assim que eles partiram, Araki aproximou-se de Zabuza e deu-lhe um tapinha no ombro.
— Ei, como pensou naquilo agora há pouco?
— No quê?
— Dizer que fez isso para testar seus próprios limites.
— Foi Yagura quem me ensinou.
— O quê? — Araki ficou surpreso, quase suspeitando que Yagura também fosse alguém de outro mundo.
“Provavelmente não. Se fosse, não teria tentado me convencer a aceitar aquela missão absurda. Talvez esse seja mesmo o modo de pensar das pessoas deste mundo...”, pensou Araki, balançando a cabeça e deixando de lado a questão.
— Esse Matsudaira também é dos seus, não é? Parece que Yagura tem bastante influência na vila.
— Nunca o vi antes, mas acho que sim — respondeu Zabuza, assentindo.
Afinal, a atuação de Matsudaira era tão exagerada que faltava qualquer traço de sobriedade de um verdadeiro ator.
Enquanto conversavam, Kurokawa e os demais retornavam, com expressões sombrias.
— E então, Kurokawa, minha investigação estava correta, não estava? — Matsudaira, persistente, ainda se vangloriava.
Kurokawa, sem conseguir conter-se, parou bruscamente, virou-se e, quase encostando o nariz ao de Matsudaira, disse:
— Matsudaira, faz três anos que você se formou aqui também. Agora, vendo todos os seus colegas mortos, você está satisfeito?
Diante do questionamento, Matsudaira pôs fim à sua expressão exagerada e respondeu friamente:
— Não me alegro pela morte deles, mas sim porque nosso sonho está prestes a começar!
— Sonho? Aquelas ideias impraticáveis de vocês? Vocês não têm ideia do quanto o Terceiro se sacrificou por esta vila! — disse Kurokawa, visivelmente exaltado.
— Talvez o Terceiro tenha mesmo se sacrificado, mas políticas desatualizadas devem ser descartadas, independentemente de quem as criou. Isso é o desejo de todos! — Matsudaira retrucou, com desdém.
O que mais o irritava era que, embora os reformistas quisessem mudar apenas um sistema específico, os opositores sempre apelavam para a grandeza e os méritos do Terceiro Mizukage.
O Terceiro era um deus, acaso? Suas decisões seriam sempre corretas? Ou, só porque ele se sacrificou, não poderíamos contestar suas decisões?
Para pessoas assim, Matsudaira jamais teve respeito. Não conseguiam debater o tema em si, pareciam apenas fanáticos incapazes de ouvir qualquer crítica ao Terceiro Mizukage.
“Até mesmo Hashirama, o lendário Deus dos Ninjas, provavelmente não ousaria afirmar que nunca errou”, pensou Matsudaira, passando ao lado de Kurokawa.
— O que aconteceu hoje é grave, precisamos informar imediatamente o Mizukage! — disse Matsudaira.
Ao ouvir isso, Kurokawa despertou de seu torpor.
“É verdade, algo tão sério não pode ser ocultado. Preciso avisar o Terceiro o quanto antes, para que ele não seja pego de surpresa pelos reformistas.”
Preparou-se para partir imediatamente ao prédio do Mizukage, mas então olhou para Araki e Zabuza.
— Vocês dois... Não, não é mais problema de vocês. Zabuza, venha comigo até o prédio do Mizukage!