Capítulo 33: Tragam o meu canhão!
Ao ouvir a pergunta do comerciante de meia-idade, Bandô imediatamente estendeu o braço para proteger os dois barris de Lama Universal atrás de si, recusando firmemente:
— Não posso. Preciso levá-los de volta para mostrar a todos!
— Que pena. Espero que mude de ideia, afinal, o caminho de volta para a Ilha Vermelha não é nada seguro!
O comerciante de meia-idade não insistiu. Deixou apenas uma frase cheia de significado e partiu com seus subordinados.
No entanto, os dois membros do grupo comercial atrás de Bandô tremiam de medo, chegando a se ajoelhar diante de Kisame e seus companheiros.
— Por favor, senhores, escoltem-nos até a Ilha Vermelha!
— Ei, o que houve com vocês? — Bandô ainda não entendia.
— Humpf, garoto, aquele homem estava te ameaçando. Não percebeu? — Zabuza zombou friamente.
— É mesmo? — Bandô realmente não havia notado. — Achei que ele só estivesse nos alertando sobre a rota marítima...
— Que garoto ingênuo! — Araki balançou a cabeça. — Deixe pra lá. Este é nosso primeiro trabalho de nível C; melhor fazermos tudo perfeitamente. O que acha, capitão Kisame?
Kisame, é claro, não se opôs. A ameaça de um mero comerciante não era digna de sua atenção.
...
— Chefe, o que vamos fazer? São dois barris inteiros de Lama Universal! Se conseguirmos roubá-los, talvez seja suficiente para o senhor ser promovido a ninja superior! — Xigua Tarô Longo também parecia insatisfeito.
— Mas parece que aqueles ninjas da Névoa embarcaram com eles... — O outro subordinado, Yuta, hesitou, pois o nome Névoa Sangrenta ainda causava medo nos mares.
Porém, o grande lucro sempre leva as pessoas à loucura. Após ponderar bastante, o comerciante Kenjiro bateu as mãos, um brilho feroz nos olhos:
— Vamos fazer isso! Yuta, vá contatar o Bando dos Piratas Barba Vermelha e conte-lhes sobre o trajeto de Kamizumi Bandô. Quero ver se resistirão à tentação da Lama Universal!
— Mas, chefe, mesmo os Barba Vermelha não ousam atacar ninjas da Vila da Névoa!
Yuta estava confuso, achando que o chefe subestimava os piratas.
— Idiota! — Kenjiro deu-lhe um tapa na cabeça. — Quem disse para contar que há ninjas da Névoa no navio?
— Ah, entendi!
Yuta saiu correndo, segurando a cabeça.
Kenjiro acenou para Longo:
— Vamos, sigam de longe o navio de Kamizumi Bandô. Quando aqueles três ninjas da Névoa enfrentarem os Barba Vermelha, aproveitamos para subir a bordo e roubar a Lama Universal!
— Chefe, genial!
...
A viagem de Nanakusa à Ilha Vermelha levaria dois ou três dias. Sem muito o que fazer, Araki voltou a desafiar Yasuo para um duelo.
Após o treinamento corporal no Vale Infernal, Araki sentia que, se fosse apenas para se esquivar e ganhar tempo, poderia resistir a Yasuo até ambos ficarem sem chakra.
Contudo, a realidade mostrou que isso era ilusão. A Espada do Vento de Yasuo não se resumia a Golpe Cortante, Corte Avançado, Barreira do Vento e Tufão. Era um método completo de treinamento, baseado na compreensão e no domínio do vento.
No controle do vento, Yasuo era dezenas de vezes superior a Araki!
Assim, Araki, o mestre do vento, foi novamente derrotado ao som do grito imponente de “so lei ye gai dong”.
Bum!
Araki mal abrira os olhos quando ouviu um estrondo ensurdecedor, e, em seguida, todo o navio começou a tremer violentamente.
— O que está acontecendo?
Agarrou a espada ao lado e já ia sair para perguntar, quando Zabuza escancarou a porta, gritando:
— Encontramos piratas! Venha para o convés!
— Piratas? — Araki achou a situação estranha. Encontrar piratas no mundo do Hokage... Bem, isso certamente era algo curioso e confuso.
Em poucos passos, subiu ao convés e ficou ao lado de Kisame. Seguindo seu olhar, viu, através da névoa, um navio se aproximando, sua silhueta quase invisível.
— Aquilo é o navio pirata? E aquele barulho de explosão de agora?
Araki estava intrigado. Em batalhas navais, usar canhões parecia normal, mas ali era o mundo do Hokage. Segundo as regras dos ninjas, além de selos explosivos, haveria outros produtos de pólvora capazes de explodir?
Seriam piratas ninjas errantes?
— São balas de canhão com selos explosivos! — Kisame explicou enquanto fazia selos com as mãos. — Técnica do Muro de Água!
Uma parede d’água, com dez metros de largura e várias dezenas de altura, ergueu-se à frente do navio, interceptando com precisão as bolas de canhão, cobertas de selos e faíscas.
Bum! Bum! Bum!
As balas, do tamanho de cabeças humanas, estavam repletas de selos explosivos. Cinco ou seis explodiram ao mesmo tempo, rasgando a parede de água de Kisame e despejando uma chuva torrencial sobre todos.
— Técnica do Vento: Palma Tempestuosa!
Araki uniu as mãos com um estrondo e um vento cortante dispersou as gotas, evitando que ficassem encharcados.
— Capitão, defender assim não parece funcionar muito. O poder dessas balas é grande demais! — Tendo resolvido a crise, Araki voltou-se para Kisame.
— Tem razão. Fico aqui defendendo. Você e Zabuza ataquem e eliminem todos os piratas! — Kisame concordou e ordenou imediatamente.
— Sim! — Zabuza se animou ao ouvir isso. Dos três, ele era o único sem técnicas ofensivas ou defensivas à distância, ficando ocioso no navio. Agora, podendo partir para o ataque com a espada, nada o agradava mais.
Ambos desembainharam as espadas e saltaram do navio, correndo sobre as águas em direção ao navio pirata.
...
Naquele momento, no navio pirata com a bandeira de caveira, um homem com um grande chapéu triangular vermelho-escuro, bigodinho avermelhado e curvado para cima, vestindo um casaco marrom-avermelhado com botões duplos, estava na proa, observando com um monóculo.
— Capitão, parece que há ninjas no navio à frente! — gritou um marujo desgrenhado, armado com um sabre.
— Ninjas? E daí! Sob meus canhões, nem mesmo ninjas escaparão da morte! — O capitão desembainhou sua espada fina e apontou adiante. — Continuem atirando!
Com estrondos, mais quatro ou cinco balas de canhão, cobertas de selos explosivos, voaram em direção ao navio comercial.
Mas desta vez, Kisame usou a cabeça: ao invés do Muro de Água, fez selos para a Técnica da Rajada Aquática, lançando cinco balas d’água de sua boca, derrubando com precisão cada uma das balas explosivas que vinham.
— Capitão, parece que alguém está correndo sobre a água em nossa direção! — Nesse momento, Araki e Zabuza, atacando, foram avistados pelos piratas.
— O quê? — O capitão se surpreendeu, olhando para baixo. — Ha! São só dois moleques. Imediato, prepare o canhão de selos explosivos do papai, quero despedaçá-los!