Capítulo 45: A Conspiração da Folha (Peço Recomendações)
Nesse momento, Araki finalmente compreendeu o verdadeiro terror representado por Orochimaru.
Esse, que era o mais poderoso entre os três lendários ninjas, praticamente não possuía pontos fracos em combate: dominava à perfeição taijutsu, genjutsu e ninjutsu, além de utilizar técnicas de invocação de forma magistral. Fossem ataques de curta ou longa distância, ele era proficiente em todos.
Como dizer? Em uma palavra: equilibrado!
Desde o início do combate, o ritmo esteve completamente sob o controle dele.
Embora à primeira vista Kisame e Araki ainda conseguissem lidar com os ataques e, até o momento, não tivessem sofrido ferimentos, eles permaneciam o tempo todo na defensiva, apenas reagindo aos golpes.
E como se diz, quem só se defende, cedo ou tarde acaba cometendo um erro. Continuando assim, uma hora algo sairia do controle.
Mas derrotar alguém como Orochimaru tampouco era tarefa fácil.
Ou você é ainda mais completo que ele, superando-o em cada aspecto, como acontecia com o Terceiro Hokage em seu auge, capaz de o suprimir diretamente com suas técnicas dos cinco elementos; ou então, é necessário levar uma especialidade a tal extremo que nem mesmo Orochimaru consiga responder — como o genjutsu de Itachi Uchiha, o taijutsu relâmpago do Raikage, ou a liberação de poeira do Tsuchikage.
No futuro, Kisame dominando o suiton e empunhando a Samehada, ou Araki, tornando-se um mestre na arte da espada, também poderiam alcançar esse nível. Mas, infelizmente, ambos ainda estavam em fase de crescimento e, por ora, eram relativamente frágeis.
Ao menos, Orochimaru ainda não possuía um golpe fatal que pudesse resolver a luta de imediato contra os dois.
Além disso, estavam em pleno mar, o que dificultava a utilização de técnicas doton, que neutralizam o suiton. Mesmo com as habilidades de Orochimaru, criar terra sobre a água exigiria um enorme consumo de chakra.
E, embora ele não fosse carente de chakra, também não era um bijuu como Kisame; precisava dosar seu uso.
Dessa forma, ao perceber que não conseguiria vencer rapidamente, Orochimaru também se viu em um impasse.
— Quem diria que apenas dois ninjas de Kirigakure seriam tão difíceis de lidar!
Ele semicerrava os olhos estreitos, ponderando se deveria ou não invocar Manda para auxiliá-lo.
— Este é o País das Águas, não preciso me preocupar com o sacrifício; contudo...
Serpentes não são criaturas marinhas; não se sabia até que ponto Manda seria útil ali.
Além disso, o domínio do shinobi de rosto de tubarão sobre o suiton era impressionante, não inferior ao dele, sem contar o garoto especialista em futon e kenjutsu...
Orochimaru suspirou novamente. Uma pena estarem em alto-mar, pois o ambiente era extremamente desfavorável para técnicas katon, o que diminuía drasticamente o poder do "Grande Combo dos Cinco Elementos".
Caso contrário...
— Parece que é mesmo necessário pesquisar soldados anfíbios para combater Kirigakure; este mar lhes concede uma vantagem formidável!
Lambendo os lábios, frustrado, Orochimaru se retirou silenciosamente. Afinal, ainda estavam sob o domínio da Nação da Água, e um ninja de Konoha permanecendo ali por muito tempo acabaria atraindo a atenção e possíveis ataques.
De todo modo, seu objetivo principal era resgatar Tenchi, um pesquisador valioso; quanto ao material, não havia pressa.
Após um tempo, Araki e Kisame trocaram olhares de dúvida.
— Ele foi embora?
— Parece que sim.
— Então vamos procurar Zabuza!
— Certo.
Agora aliviados, os dois seguiram na direção por onde Zabuza havia partido, conversando pelo caminho.
— Não é à toa que ele é um dos lendários Sannin de Konoha, realmente assustador.
Ao ouvir o comentário de Kisame, Araki concordou:
— Pois é, não conseguimos sequer revidar; se não fosse pelo seu suiton, capitão, estaríamos acabados.
— Quem diria que esse tal “Demônio do Mar” era, na verdade, manipulação de Konoha. Será que é uma ofensiva direta contra Kirigakure?
Os olhinhos redondos de Kisame expressavam preocupação.
— Devemos relatar ao vilarejo? — perguntou Araki.
— Sem dúvida. Enfrentamos Orochimaru, um dos Sannin, e ainda descobrimos experimentos secretos de Konoha no País das Águas. Esta missão merece ser elevada ao nível S.
Kisame abriu um sorrisinho ameaçador:
— Araki, sua primeira missão de nível S. Como se sente?
— Um pouco nervoso, mas estou bem.
Araki refletiu por um instante e, de repente, seus olhos brilharam.
— Ah, eu consegui pegar alguns documentos do laboratório deles. Antes de entregar, por que não damos uma olhada?
— Boa ideia.
...
Quando encontraram Zabuza, ele parecia abatido, descontando sua frustração em uma árvore.
Pelo visto, já percebera que o pedido para buscar reforços fora apenas um pretexto para afastá-lo e, embora isso doesse, ele não se manifestou.
No fim das contas, como o menos talentoso do grupo, já devia estar acostumado.
— Zabuza, tenho uma boa notícia!
Araki aproximou-se, dando-lhe um tapinha no ombro:
— A nossa missão será elevada de nível, e logo poderei te pagar o que devo. Feliz?
Zabuza apenas revirou os olhos, sem demonstrar alegria.
— Nem fica feliz em receber seu dinheiro? Então esquece, não pago mais!
Araki deu de ombros e se afastou.
Zabuza: ???
Desde quando devedores são tão arrogantes assim?
Um milhão de ryos não era pouca coisa. Mesmo com bastante dinheiro, Zabuza não podia simplesmente ignorar essa quantia.
Sem alternativa, acompanhou Araki até Kisame, que retirou alguns pergaminhos do manto, entregando-os separadamente.
— O que é isso?
— Um plano maligno de Konoha!
— Hã?
Como nunca encontrara Orochimaru, Zabuza não sabia que tudo isso envolvia um dos lendários Sannin.
Araki explicou brevemente o ocorrido e acrescentou:
— Esses documentos vieram do laboratório deles. Veja se encontramos algo útil, porque, depois de entregá-los ao vilarejo, dificilmente poderemos consultá-los de novo!
Enquanto falava, Araki já abria seu próprio pergaminho, lendo rapidamente.
— O Araki tem razão. Pesquisas de Orochimaru, um dos Sannin, realmente despertam curiosidade.
Kisame também abriu o seu.
Vendo os dois, Zabuza não hesitou e seguiu o exemplo.
— Hmmm, através de modificação biológica, é possível dar aos humanos órgãos similares aos de peixes, permitindo que sobrevivam debaixo d’água... O corpo também se torna mais forte... soldados anfíbios...
Araki murmurava o conteúdo do pergaminho, concluindo:
— Konoha está mesmo mirando em nós. Onde mais se exige combate aquático além de Kirigakure?
Kisame e Zabuza concordaram de imediato. Konoha era realmente traiçoeira, sem a dignidade do maior vilarejo ninja, sempre conspirando contra os menores.
— Já faz mais de cinco anos desde o fim da última Grande Guerra Ninja. Pelo visto, um novo conflito se aproxima — comentou Kisame, pensativo.
Araki também concordou em silêncio.
Agora que Kirigakure sabia das ações de Konoha, haveria uma resposta.
E Kirigakure não era um vilarejo pacifista; não se limitaria a protestar, mas certamente agiria.
E toda ação gera reação. Num ambiente em que todos se recuperam da guerra, pequenos conflitos podem rapidamente escalar em batalhas de grande escala.
Konoha, situada no centro do mundo ninja, era observada atentamente pelas demais nações, todas à espera de um descuido para tomar vantagem.
Se Konoha entrasse em conflito com Kirigakure, surgiriam inúmeros instigadores, e a guerra logo ultrapassaria a vontade de apenas esses dois vilarejos.