Capítulo 8: Zabuza: Ainda sou o mesmo jovem de antes
Os dias foram passando um a um e, enquanto Araki era humilhado e torturado por Kenshin Himura, a data de um grande acontecimento se aproximava silenciosamente.
A avaliação de graduação da atual turma da Academia Ninja estava prestes a começar!
Com uma semana de antecedência, o instrutor chuunin já havia anunciado a novidade: o exame seria realizado no Campo de Treinamento Número Quatro, situado fora da aldeia, numa região de floresta densa e de terreno acidentado, perfeita para as necessidades táticas dos ninjas.
Afinal, ser ninja não se resumia apenas a enfrentar o inimigo de frente, como numa luta de espadas; técnicas de combate e domínio do ambiente eram cruciais. Ambientes desafiadores permitiam selecionar, de forma mais criteriosa, alunos com habilidades realmente completas — apenas esses genins teriam chances de sobreviver por mais tempo.
Ao receber a notícia, Araki não se preocupou muito. Sabia que sua diferença para os demais colegas não seria superada por uma simples floresta. Ele continuaria invencível, e nem mesmo a mata conseguiria afetar sua velocidade ao desembainhar a espada!
Porém, nesse momento, alguém inesperado apareceu à sua porta.
— Quem é você...?
Diante dele estava um jovem de estatura semelhante, rosto infantil, cabelo curto e verde-claro, olhos de um roxo profundo, uma cicatriz costurada debaixo do olho esquerdo e a bandana da Névoa amarrada à cintura. Araki hesitou.
“Mas que surpresa! Não é este o futuro Quarto Mizukage, Yagura? O que será que ele quer comigo?”
Por dentro, Araki se questionava, mas manteve-se calmo e fingiu apenas estar intrigado, como seria esperado.
— Hum... Permita-me apresentar, sou o jounin Yagura Kuwajitsu — disse o visitante, esboçando um sorriso gentil, de quem não faria mal a uma mosca.
— Ah, olá, jounin Kuwajitsu! — respondeu Araki, tentando equilibrar no rosto uma expressão de desconfiança e respeito. Afinal, não era comum um estudante da academia ser abordado por um jounin da vila. Desconfiar e manter-se alerta era o mais sensato.
— Vim porque tenho algo importante para conversar com você. Posso entrar? — perguntou o jounin, com voz suave e polida.
— Por favor, entre.
Araki cedeu o caminho rapidamente. O dormitório individual fornecido pela academia era simples e apertado; não havia muito espaço, e ambos acabaram sentados lado a lado na cama.
— Araki, tenho acompanhado seu desempenho na escola. Sua excelência é indiscutível — disse Yagura, elogiando-o logo de início.
— O mérito é todo seu, jounin Yagura, você sim é o pilar da Névoa. Ainda tenho muito o que aprender! — Araki apressou-se em responder humildemente. Aquela abordagem cheia de elogios o fazia desconfiar; precisava devolver alguma lisonja para não perder terreno.
Pisca os olhos, e, fingindo admiração, completou com um ar inocente:
— Meu sonho é, um dia, tornar-me um ninja como você, senhor Yagura!
Pronto, agora estava protegido pelo “buff do discípulo sonhador”. Assim, por mais que a conversa avançasse, não deveria haver risco para ele. Seria vergonhoso se Yagura resolvesse exagerar ainda mais nos elogios!
De fato, Yagura percebeu que não poderia subir o tom dos louvores, mas resolveu mudar de tática.
Com um sorriso malicioso, disse:
— Tornar-se um ninja como eu não é nada fácil. Por coincidência, tenho aqui uma missão importantíssima para o futuro da Vila da Névoa. Você se dispõe a me ajudar?
— Ah... — Araki realmente se surpreendeu desta vez; não era fingimento.
“Quem diria que Yagura tinha um jogo de cintura desses? Agora entendo como se tornou o jinchuuriki perfeito do futuro! Não foi à toa que a Sanbi acabou presa por ele...”
Mas Araki não era mais uma criança de dez anos; rapidamente se recompôs.
— Uma missão de tamanha importância? Mas eu nem sou genin ainda, talvez não consiga ajudar muito...
— Ah, bom... É importante, sim, mas... não é tão difícil assim... — Yagura forçou um sorriso, visivelmente desconfortável.
“O que está acontecendo? Desde quando as crianças da academia são tão cautelosas? Diante de uma missão fundamental para o futuro da vila, não deveriam disputar para aceitá-la? Estarão duvidando das próprias capacidades? Sempre tão cuidadosos assim?”
— Ah, não é tão difícil assim? Se até eu consigo cumprir, então a maioria dos ninjas da vila também conseguiria, não? — questionou Araki, agindo como um verdadeiro interrogador, lançando dúvidas por todos os ângulos. O sorriso de Yagura foi se tornando cada vez mais constrangido, quase não conseguia manter a compostura.
O motivo de tamanha ousadia era simples: Araki já havia deduzido qual era a real “missão para o futuro da vila” mencionada por Yagura.
Se estava certo, em sua linha do tempo original, Zabuza provavelmente aceitou essa missão e, durante a avaliação de graduação, enlouqueceu, exterminando mais de cem colegas da mesma turma!
Foi esse banho de sangue que permitiu aos reformistas da Névoa, como Yagura, lançar sua ofensiva, mudando afinal o cruel sistema de avaliação da academia.
Repleto de culpa e infâmia, Zabuza, para quem sabia a verdade, não era um demônio, mas sim um herói da Névoa!
No futuro, quando Yagura subiu ao posto de Quarto Mizukage, Zabuza, graças a essa proximidade, herdou a Espada Decapitadora e tornou-se um dos Sete Espadachins da Névoa. Sob a liderança do jovem Mizukage reformista, pretendiam pôr fim à névoa sangrenta e reconstruir uma nova vila.
Porém, infelizmente, Uchiha Obito mostrou-se um verdadeiro vilão. Por meios desconhecidos, usou ilusões para controlar Yagura, mesmo sendo jinchuuriki perfeito, e, movido pelo ódio ao que fizeram com Rin, endureceu ainda mais a política da Névoa, tornando-a mais cruel do que nunca.
A decepção de Zabuza foi total.
Você me falou de sonhos e de um novo futuro para a vila. Eu acreditei em você, sujei minhas mãos com o sangue dos meus companheiros para abrir teu caminho. Mas, no fim, você se tornou Mizukage, me deu a espada, mas era isso que eu queria? Não! Minha queda não foi por glória, foi pelo mundo novo que você descreveu!
Mas você mudou. Traiu nossos ideais, traiu a confiança que depositei em você — foi pior do que no tempo do Terceiro Mizukage!
Eu não posso devolver quem você era, mas quero que saiba:
Eu, Momochi Zabuza, continuo sendo aquele homem disposto a sacrificar tudo pela Névoa!
Foi assim que ele empunhou novamente a Espada Decapitadora e partiu sozinho para assassinar o Mizukage.
Aquela figura solitária, determinada e silenciosa, era a mesma do jovem que um dia prestes estava a se formar na academia ninja.