Capítulo 71 Rapper (Peço votos de recomendação)
A partir do segundo dia, Yagura levou Chiyuki e Kisame para discutir com o Raikage e seus companheiros os detalhes do exame, incluindo o local do evento, data, número de participantes de cada vila, entre outros aspectos.
Dessa vez, por se tratar de uma organização conjunta entre duas vilas, diferente do exame de chunin que Naruto participou no passado—que era realizado apenas por Konoha, com Sunagakure apenas enviando representantes—, ambas as partes tinham voz nas decisões sobre as regras do exame.
Já Iwagakure estava na posição que Sunagakure ocupara naquela época: podia participar, mas não opinar.
Diante desse cenário, os três genins não tinham como interferir e acabaram ficando completamente ociosos.
“Chefe, o que vamos fazer hoje?”, perguntou Kuroi logo cedo, com entusiasmo.
“Hm, aqui não é muito adequado para treinar...”, Araki ponderou por alguns segundos. “Na última vez, Yugito não disse que Kumogakure tem dois grandes pontos turísticos? Já visitamos o Mar de Nuvens, então por que não vamos hoje ao Lago dos Trovões?”
E, quem sabe, ele aproveitaria a oportunidade para procurar alguns minérios raros com afinidade de raio para forjar uma espada.
“Lago dos Trovões? Só o nome já soa poderoso!”, comentou Kuroi, achando o lugar perfeitamente adequado ao seu estilo.
Zabuza não fez objeções. Apesar de estar um pouco frustrado por não ter tido oportunidade de agir no dia anterior, não se opôs à ideia.
Dessa vez, sem um guia, recorreram às belas jovens que encontraram pelo caminho para pedir informações e, ao final, conseguiram encontrar o Lago dos Trovões.
Crepitar!
Rugido!
Antes mesmo de entrarem, podiam ouvir claramente, mesmo através das paredes da montanha, o som grave dos trovões vindos de dentro.
Na entrada, dois ninjas de pele escura montavam guarda.
“Parem aí!”, ordenaram, barrando os três pelo tom de pele claro demais.
Não havia alternativa. Embora o País do Raio tivesse tanto habitantes de pele clara quanto escura, entre os homens, a incidência de pele clara era baixíssima, sendo praticamente impossível encontrar três juntos ao mesmo tempo.
“Cof, somos membros da delegação de Kirigakure. Ouvimos dizer que o Lago dos Trovões é um dos pontos turísticos famosos de Kumogakure e gostaríamos de visitá-lo”, Araki apresentou-se.
“Delegação de Kirigakure? Bem... precisamos informar a alguém”, respondeu um dos guardas, entrando para avisar alguém do interior.
“Então não vão avisar o Raikage, mas sim alguém de dentro do Lago dos Trovões? Será que há algum eremita poderoso aqui? Um ancião de Kumogakure?”, Araki especulou em silêncio.
“Yo, yo, deixa eu ver, quem chegou aqui? Yo!”, uma voz peculiar e cadenciada ecoou antes mesmo que o dono aparecesse, fazendo Araki reconhecer imediatamente quem era.
O maior rapper do mundo ninja—Killer B!
Representante máximo do rap improvisado, sempre pronto para um freestyle, embora a qualidade fosse duvidosa.
Logo surgiu um jovem de cabelos loiro-claros, óculos escuros e pele escura, com um sorriso estranho no rosto, balançando o corpo no ritmo das próprias palavras, parecendo alguém sob efeito de entorpecentes.
“Olá, eu sou Killer... B!”
Ao finalizar a apresentação com uma ênfase, os dois guardas atrás dele taparam o rosto, constrangidos.
“Chefe, é só um nome, não precisava disso! Assim vão pensar que todos os ninjas de Kumogakure são esquisitos!”
Mas nada podiam fazer, pois Killer B era alguém cuja importância ficava apenas atrás do Raikage e de seu braço direito.
“Olá, eu sou Araki, estes são Kuroi e Zabuza. Ouvimos de Yugito que o Lago dos Trovões é uma das principais atrações de Kumogakure, então viemos especialmente para conhecer. Seria possível?”, perguntou Araki.
“Claro, claro, sem problema, yo, yo!”, Killer B ficou satisfeito com a postura amigável de Araki.
Apesar de ser um dos jinchuriki mais bem tratados, Killer B também enfrentara rejeição dos moradores e traições de amigos na infância.
Seu otimismo nato o fazia combater a negatividade com raps improvisados, embora ruins.
Mesmo adulto, sem grandes feitos, a maioria o tratava com respeito, mas mantinha distância; só alguns poucos, como o Terceiro Raikage, A e Dodai, eram realmente próximos.
Por isso, ele ansiava por novas amizades e via nos ninjas de Kirigakure, que não conheciam sua verdadeira natureza, uma ótima oportunidade.
“Vocês querem visitar o Lago dos Trovões? Sem problemas, venham comigo! Yo, yo!”
Killer B, de bom grado, virou-se para guiá-los.
“Killer B, senhor, mas...”, hesitaram os dois guardas.
“O que tem demais? Normalmente essa área é livre, só fechei porque ia treinar, mas mudei de ideia. Algum problema?”, respondeu seriamente, abrindo mão até do rap para conquistar novos amigos.
“Não, nenhum.”
Sem suas rimas, Killer B impunha grande pressão, e os dois chunins só puderam concordar, balançando a cabeça.
“Certo, podem ir também, não precisam ficar de guarda, yo, yo!”
Ao entrarem, Araki olhou ao redor e reconheceu que o nome Lago dos Trovões fazia jus ao local.
À frente, uma profusão de relâmpagos azulados e brancos ofuscava a vista. Sob seus pés, uma fenda parecida com um cânion estava cheia de água, formando um imenso lago. Sobre sua superfície, relâmpagos percorriam como serpentes prateadas, fazendo o lago brilhar como se fosse feito de eletricidade líquida, belo e impressionante.
“Isto é realmente... deslumbrante!”, admirou-se Araki. “Killer B, você disse que hoje é seu dia de treino aqui dentro. Não me diga que... você toma banho ali?”
“Yo, adivinhou, não tenho o que fazer, yo, yo!”, Killer B admitiu, e Araki não insistiu, pois sabia que provavelmente era um segredo de Kumogakure.
Ainda assim, sua suspeita estava quase confirmada.
“Um lago para treinamento corporal, criado especialmente para aprimorar o modo de chakra do estilo relâmpago? Ninguém mais conseguiria uma estrutura dessas. Agora entendo por que todos os Raikages ao longo das gerações têm corpos tão poderosos: eles têm acesso a esse tesouro.”
...
Do lado de fora, após Killer B dispensar os guardas, o Lago dos Trovões ficou sem vigilância.
Normalmente isso não seria problema, já que o acesso era livre quando ninguém treinava ali, mas hoje era diferente.
Nakamura, o açougueiro, Miki, a vendedora de roupas, e Takei, dono de uma oficina de armas, ao verem Araki e seus companheiros passarem pela rua, largaram discretamente seus afazeres, fecharam as lojas em plena luz do dia e seguiram os três até o Lago dos Trovões.
“Eles entraram, e ainda estão com aquele Killer B! O que fazemos?”, sussurrou um deles, cientes da fama de Killer B e do risco de enfrentá-lo.
“Esperamos! Killer B não ficará com eles o dia inteiro. Assim que ele sair, agimos imediatamente!”
“Quem será o primeiro alvo?”
“Dizem que Zabuza é chamado de Demônio da Névoa e é muito forte. Kuroi pertence a um clã de linhagem sanguínea, também difícil de lidar. Só Araki parece comum, deve ser o mais fácil. Eliminamos ele primeiro; se der certo, seguimos com Kuroi e depois Zabuza, nessa ordem!”
Recordando as informações que receberam de Nonoyu, Takei tomou sua decisão.
“Certo!”