Capítulo 98: Ingresso na Seção Sombria
Diante do Edifício da Névoa, os quatro membros do time de Kisame estavam prestes a entrar como de costume para receber uma nova missão, quando se depararam com Yagura, que acabara de sair.
— Senhor Yagura!
— Ah, Kisame — Yagura ergueu o rosto e sorriu —, estava mesmo precisando falar com vocês. Venham comigo!
Os quatro o seguiram até uma pequena taberna.
— Vocês ainda não podem beber, mas podem comer peixe grelhado à vontade, por minha conta! — disse Yagura, os olhos violeta semicerrados num sorriso radiante.
Ao ver essa expressão, Araki instintivamente sentiu um pressentimento ruim. Com o status de Yagura, convidar de repente para uma refeição não podia ser algo simples. Não seria mais uma daquelas missões “essenciais para o futuro da Vila da Névoa” que acabariam nas mãos deles?
Até para tosquiar uma ovelha, não se deve escolher sempre a mesma! Não estão vendo que até as sobrancelhas de Zabuza já foram arrancadas de tanto ser chamado?
Mas como um simples genin irrelevante, Araki não ousava dizer nada, nem perguntar, limitando-se a beber suco em goles rápidos e mastigar o peixe grelhado, aguardando em silêncio o girar inexorável da roda do destino.
Felizmente, dessa vez não se tratava de algo ruim!
— Kisame, quer se juntar à Anbu?
Ao ouvir isso, Araki soltou um longo suspiro de alívio. No fim, era só uma oferta para entrar na Anbu, nada preocupante. Não havia motivo para se alarmar.
Afinal, naquela vila sinistra, Araki temia que Yagura de repente dissesse algo como: “Acho que o Terceiro Mizukage está sendo manipulado, vamos dar um fim nele juntos”, ou então: “A existência do Clã Tal está impedindo o desenvolvimento da vila, eliminem-nos”. Os ninjas da Névoa não hesitavam ao eliminar os próprios companheiros e, ao contrário de Konoha, onde se buscava esconder os rastros, ali tudo era feito às claras, lâminas desembainhadas. Por isso eram conhecidos como a “Vila da Névoa Sangrenta”.
— Entrar para a Anbu? — Kisame estranhou por um instante, mas não hesitou —. Se precisar de mim, eu aceito!
Vejam só, isso é que é um ninja exemplar!
Até Yagura se surpreendeu com a prontidão de Kisame, mas logo sorriu:
— Então venha me ajudar! Acabei de assumir o comando da Anbu, preciso de gente de confiança ao meu lado.
Era um motivo perfeitamente plausível. Em qualquer vila, a Anbu é a tropa de elite sob comando direto do Kage. Excetuando raras exceções como o Terceiro Hokage, nenhum outro dividiria o controle da Anbu, salvo para preparar a sucessão.
Portanto, ao nomear Yagura como novo líder da Anbu após a morte de Kiba da Névoa Sangrenta, o Terceiro Mizukage deixava clara a intenção de torná-lo seu sucessor. Para consolidar o comando, Yagura precisava mesmo substituir os antigos subordinados leais ao falecido chefe.
— Senhor Yagura, se o Capitão Kisame entrar para a Anbu, o que será de nós três? — indagou Araki, levantando a mão.
De fato, era uma questão relevante. Os três eram apenas genin, e a Anbu raramente admitia genin em suas fileiras.
Mas Yagura, como candidato ao posto de Mizukage, já havia considerado essa situação.
— Quanto ao destino de vocês, tenho duas opções, e podem escolher livremente.
Ele ergueu dois dedos:
— Primeira: designo outro chunin como capitão, e vocês continuam a receber missões sob seu comando. Segunda: reconheço que o talento de vocês foge ao comum, então concedo uma permissão especial para que também ingressem na Anbu, formando um time próprio, ao qual darei missões de grau um pouco inferior. Contudo...
A expressão de Yagura tornou-se grave:
— Por mais simples que sejam, ainda serão missões da Anbu —, advertiu —, portanto o risco permanece alto. Recomendo que reflitam bem.
— Não precisamos pensar, queremos entrar para a Anbu! — Araki decidiu de imediato, sendo apoiado com entusiasmo por Kaguya Kurohone e Zabuza Momochi.
— Viva ao chefe! — comemorou Kurohone.
O olhar de Yagura transbordava admiração, mas ainda tentou demovê-los:
— Reflitam mais um pouco. Com o talento de vocês, mesmo trilhando o caminho comum, cresceriam rápido. Não há necessidade de assumir riscos tão cedo.
— Não, eu acho essencial — respondeu Araki, fitando Yagura nos olhos, sério —. Com nossas habilidades, poderíamos nos tornar jounin sem correr grandes riscos, mas quanto tempo isso levaria?
— Estivemos envolvidos nos acontecimentos de ontem à noite. Shinobi de Konoha já atravessaram o mar e invadiram nossa vila. A sombra da guerra está próxima. Em tempos assim, não precisamos de conforto, mas de desafios. Só enfrentando missões difíceis poderemos despertar nosso potencial e nos tornar verdadeiros guerreiros, capazes de fazer diferença no conflito. Além disso...
Araki retirou a espada da cintura e pousou-a sobre a mesa, acariciando a lâmina.
— Para que uma espada se torne realmente poderosa, não basta ser afiada. É preciso ser banhada em sangue. Sem sacrifício, jamais será suficiente!
Além disso, Araki não revelou seu verdadeiro motivo: sentia-se já com força equivalente à de um jounin comum. Era hora de liderar, não de ficar sob o comando de um chunin recém-chegado.
Diante do olhar firme de Araki, Yagura não pôde deixar de apreciar sua determinação:
— Pois bem, já que estão tão decididos, concordo. Daqui a pouco, encontrem-me com Kisame na base da Anbu, farei o registro pessoalmente.
Após um tapinha nos ombros dos três, Yagura pagou a conta e partiu apressado. Como novo comandante da Anbu, estava muito mais atarefado e não podia perder tempo ali.
— Parabéns, capitão, está quase sendo promovido! — Araki ergueu o copo de suco para brindar com Kisame.
— Hã?
— Tirando nossa exceção, não é comum times da Anbu terem liderados por jounin e chunin? Se Yagura fez questão de te levar, duvido que seja para ficar sob ordens de outro. Certamente será promovido a jounin!
Com a explicação de Araki, Kurohone e Zabuza também ergueram os copos em celebração.
— O capitão tem só treze anos, não? Treze anos e já jounin... será que é um novo recorde para a Névoa? — perguntou Kurohone, olhando para Araki.
— Não faço ideia! — Araki balançou a cabeça. — Se fosse sobre Konoha, lembraria que Kakashi bateu os recordes de idade como chunin e jounin, com seis e doze anos. Mas quanto à Névoa... quem saberia? Kishimoto nunca mostrou isso!
— Mas, batendo recorde ou não, ninguém pode negar que o capitão Kisame é incrível! — Araki exclamou, erguendo o copo.
— Isso mesmo, o capitão Kisame é demais! — Kurohone respondeu de imediato.
— Capitão Kisame é incrível! — bradou Zabuza, e a taberna se encheu de risos e alegria.