Capítulo 113: Vultos que se Cruzam
"Bem..."
Diante da pergunta de Mangetsu, Aramaki passou rapidamente pela situação das Sete Espadas da Névoa em sua mente.
Primeiro, descartou a Samehada e a Hiramekarei, pois ambas as lâminas eram consideradas seres vivos e, provavelmente, não seriam passíveis de modificações adicionais. A Kabutowari também foi excluída, pois ele não conseguia imaginar como o poder de petrificação poderia combinar com o conceito de explosivos. O mesmo valia para a Kiba, a espada do trovão.
Após essa análise, restaram apenas a Kubikiribocho, a Nuibari e a Shibuki.
A habilidade da Kubikiribocho era a regeneração através da absorção de sangue, o que parecia não ter relação com a petrificação. No entanto, como a lâmina era extremamente frágil e propensa a quebrar, talvez o poder de petrificação pudesse adicionar uma camada de proteção? Aramaki pensou um pouco, julgou a ideia pouco confiável e também a descartou.
"É a Kabutowari, não é?"
Entre as opções restantes, ele escolheu a espada contundente, famosa por sua capacidade de destruir qualquer defesa.
"Exatamente!" Mangetsu assentiu com entusiasmo. "A Kabutowari já possui um poder destrutivo imenso; a vasta maioria das armas ou defesas não consegue suportar seus golpes diretos. Se adicionarmos um olho capaz de petrificar e tornar o inimigo quebradiço, não haverá nada neste mundo capaz de resistir ao seu ataque!"
"Hum..." Aramaki imaginou o cenário de combate com a Kabutowari aprimorada pelo poder de petrificação.
Um machado pesado desce com força, sendo bloqueado pela arma do inimigo. Mas, no momento em que o oponente acredita ter se defendido com sucesso, uma camada de cinza pétrea se espalha, transformando sua arma em pedra frágil. Nesse instante, a arma secundária da Kabutowari — o martelo — desce violentamente!
Pum!
Arma destruída, vida ceifada! Parecia, de fato, muito satisfatório.
"Mas a Kabutowari não está na vila agora. Teremos que esperar que eles voltem para discutir isso..."
***
País do Fogo, Costa Leste.
Um grupo de sete ninjas, cada um com aparências distintas e portando suas espadas, desembarcou silenciosamente em terra firme.
"Então este é o País do Fogo? Chefe, qual é o nosso próximo passo?" Kushimaru Kuriarare, ou melhor, Jinpachi Munashi, balançava sua Shibuki, com o rosto estampado de impaciência, ansioso para explodir algo.
Houzuki Mangetsu, com uma expressão séria, respondeu: "Nossa missão possui três alvos: o Templo do Fogo, o jardim de ervas do clã Nara e a fazenda do clã Akimichi. Anuncio a divisão das equipes: Jinpachi virá comigo para o Templo do Fogo; Kushimaru e Jūzō cuidarão do jardim dos Nara; os outros seguirão para a fazenda dos Akimichi."
Após a divisão, ele varreu todos com um olhar afiado e disse, pausadamente: "Desta vez, viemos para dar um aviso a Konoha. Matem sem restrições! Após cumprirem suas tarefas, usem isto para entrar em contato comigo."
Mangetsu invocou três conchas, cada uma menor que a palma da mão, e as entregou a Kushimaru e Fuguki Suikazan.
"Dispersar!"
***
Não por coincidência, no mesmo momento em que os Sete Espadachins da Névoa desembarcavam no País do Fogo, dois ninjas envoltos em mantos negros entravam no mar na direção do País dos Redemoinhos.
"Conselheiro Danzo, você realmente pretende se infiltrar no País da Água sozinho?" Uma risada fria e rouca ecoou debaixo de um dos mantos.
"Não está você comigo, Orochimaru?"
"Hehe, você sabe muito bem o propósito pelo qual o professor Sarutobi me enviou. Não espere que eu realmente o ajude em qualquer coisa."
"Hmph, então abra bem os olhos e observe como os meus métodos para instigar uma guerra civil no País da Água superam os de Hiruzen!"
Atrás deles, um grande número de ninjas da ANBU e da Raiz se espalhava rapidamente, patrulhando a costa leste do País do Fogo para prevenir qualquer ataque inesperado da Vila da Névoa.
***
Deixando de lado a situação tensa entre a ANBU de Konoha e os Sete Espadachins, Yagura Karatachi, que estava na sede da ANBU da Vila da Névoa, também sofria com a dor de cabeça de como garantir a retirada dos espadachins.
Dada a vastidão do País do Fogo, a infiltração de sete ninjas, todos no nível Jounin ou superior, era como sete gotas de água no oceano — totalmente imperceptível. Era o mesmo princípio que permitia aos esquadrões da organização Akatsuki transitarem livremente pelos países; contanto que não entrassem diretamente na Vila da Folha para tocar suas barreiras sensoriais, a probabilidade de serem descobertos era como encontrar uma agulha num palheiro. Afinal, nem Konoha poderia se dar ao luxo de cobrir todo o território do País do Fogo com o Byakugan.
Porém, desta vez, eles foram especificamente para causar problemas.
Isso significava que, assim que agissem, seriam inevitavelmente descobertos por Konoha. O grande dilema era como garantir uma retirada segura. Pois... causar confusão e querer fugir ileso? Ninguém toleraria isso! Konoha certamente enviaria um esquadrão de elite para persegui-los. Sem suporte, quantos dos sete conseguiriam retornar? A Vila da Névoa não poderia arcar com tal perda.
O problema era justamente esse: eles queriam dar um aviso a Konoha, mas não desejavam provocar um conflito de grande escala que resultasse em baixas irreparáveis. Era possível ter todos os benefícios sem pagar o preço? O mundo não funcionava assim.
Yagura estava angustiado. Infelizmente, seu estrategista, Houzuki Mangetsu, não estava por perto. Como sendo a primeira grande operação desde que assumiu a ANBU, ele não queria recorrer ao Terceiro Mizukage.
Caminhando sem rumo, ele se viu, inconscientemente, diante da entrada da residência do clã Houzuki.
"Ouvi dizer que Aramaki tem treinado frequentemente aqui. Não sei se ele está por perto."
Já que estava ali, Yagura decidiu entrar. Talvez pela pequena diferença de idade, ele não se importava em pedir conselhos a Aramaki. Afinal, o desempenho dele nos incidentes do País do Trovão e na invasão anterior do Canino Branco havia provado seu valor. Aramaki não era alguém que possuía apenas força bruta; aos olhos de Yagura, ele era completo.
Embora as regras da Vila da Névoa fossem mais sangrentas e cruas, elas também ofereciam menos restrições baseadas em antiguidade para aqueles que possuíam talento real. O fato de Yagura ter alcançado uma posição de alto escalão tão jovem era a prova disso. Em comparação, Minato Namikaze, da vila vizinha, ainda estava atrás de conselheiros e dos Sannin.
Já Yagura, após assumir o comando da ANBU, era praticamente o segundo homem mais poderoso da Névoa, com uma autoridade imensa. Isso mostrava a diferença de gestão entre as duas vilas. Se não fosse pelo Exame Chunnin conjunto que ocorreria em alguns meses, Yagura já teria promovido Aramaki para ser seu braço direito.