Capítulo 102: Pequena Maçã, quero que você me ajude a cultivar.
Vush! Um golpe de corte misturado a relâmpagos atravessou o tronco, sem resistência nenhuma, como uma faca quente cortando óleo, e a árvore abraçada pelos dois partiu-se de imediato, com a superfície da lâmina escurecida pelo carbono.
— Como ficou?
Ringo Yori recolheu a espada para a bainha, ergueu um sorriso e, com os olhos grandes e brilhantes, perguntou com inocência.
— Está muito bom. Esse corte já tem um pouco do meu acabamento.
Araki apertou de leve os dedos, sem poupar elogios.
Ele não estava brincando. Embora Ringo Yori fosse nova, aquele golpe tinha realmente o ímpeto de um trovão; não era de estranhar que fosse vista como um gênio famoso do Estilo do Raio.
— Ringo, as técnicas inferiores de relâmpago já não conseguem te segurar mais. Agora, em vez disso, estude as mudanças de natureza do relâmpago.
Araki explicou:
— A alteração de natureza mais comum no atributo de relâmpago é a paralisia e a velocidade divina. Você pode focar na segunda. Para a arte da espada, isso dá um acréscimo enorme de poder.
— Hehe, Araki, como você sabe que minha nova técnica tem a ver com mudança de natureza? — perguntou a garota de cabelos vermelhos, surpresa.
— O que? Você já inventou uma nova técnica?
Araki ficou ainda mais surpreso; faz quanto tempo desde então!
— Claro!
Ringo Yori falou com toda naturalidade:
— Da última vez, antes de você partir, já te disse: da próxima vez eu tinha que te mostrar o novo movimento que desenvolvi. Quando se promete, cumpre, né?
— He… heh, é verdade!
Araki não encontrou resposta.
Um talento assim, não é?
Olha ela aí, e olha eu. Ainda não vi nem a menor sombra de “ki demoníaco” em uma hora inteira. Como é que, entre dois candidatos à Lâmina do Sete-Ninjas, a distância é tão grande?
— Muito bem, então mostre. Quero ver!
Puseram-se frente a frente. Araki segurou a espada com uma mão só e olhou sério para a jovem.
Ringo Yori dobrou as pernas, arqueou-se para a frente, fitou o alvo e, de súbito, a palma que segurava o cabo brilhou com uma descarga. Um raio azul correu ao longo do metal e se aprofundou até o interior da bainha, aumentando cada vez mais, até que ela começou a zumbir.
Nesse instante, ela avançou um passo e girou o braço. A lâmina, envolta em relâmpagos ofuscantes, saiu como se fosse puxada de um reservatório de trovões, com um chiado estridente.
Tsss!
Num clarão, Ringo Yori deslocou-se para a frente como por teleporte, surgindo ao lado de Araki; no ar atrás dela ainda restavam pequenos rastros de luz azul que ainda não tinham se dissipado.
Poc! Poc!
Ao som das palmas de Araki, a menina ergueu a cabeça e exibiu um sorriso orgulhoso.
— Realmente impressionante. O tempo de carga ficou um pouco longo, mas dá para melhorar. O mais importante é a ideia: usar a bainha como meio para acumular relâmpago e depois desencadear uma explosão instantânea. Excelente conceito! Ah, essa técnica já tem nome?
— Ainda não. Araki, ajuda-me a achar um?
Ringo Yori recuou a espada para a bainha e, segurando a mão de Araki, sorriu.
— Então me ajuda a nomear?
— Deixe-me pensar…
Araki coçou o queixo.
— Relâmpago Rápido? Trovão Fulminante? Hum… que tal “Corte de Trovão”?
Subitamente, seu olhar acendeu. Lá longe, na Vila da Folha, Kakashi Hatake desmaiou no banheiro.
— Co…orte de… Trovão…
Ringo Yori repetiu baixinho, saboreando o nome. Seus olhos foram ficando brilhantes, e ela roeu sem perceber o pequeno dente pontudo da boca.
— Está ótimo. Eu gostei. D’ora em diante essa técnica será chamada de “Corte de Trovão”!
Além de ensinar Ringo Yori, Araki também tinha uma nova tarefa de aperfeiçoamento.
Bem, talvez não seja exatamente nova, pois essa técnica já estava com ele há algum tempo. A maior parte de seu percurso tinha sido dedicada ao Estilo do Vento, tentando dominar logo a esgrima aérea, e por isso deixara esse treino de lado.
Isso mesmo: tratava-se da Técnica Secreta de Estilo Água — Corte de Chuva.
Era um jutsu que se encaixava muito com Araki; era por ele que ele esperava alcançar o feito de “Uma única espada contra mil artes”.
Mas a dificuldade de treino dessa técnica também era enorme, digna do prestígio de ser um jutsu de nível A.
— Hum… para aperfeiçoar o Corte de Chuva, o primeiro passo é criar água com chakra. Isso não é nada difícil; eu já concluí.
Araki ergueu a espada longa. Com o fluxo de chakra por seu corpo, uma fina película de água começou a escorrer pela lâmina.
— Depois, é preciso injetar mais chakra e tentar, usando a chuva carregada de chakra, cancelar o chakra do jutsu do oponente. Hm…
Foi justamente aí que Araki sempre travava.
Embora a maioria dos jutsus seja composta de chakra, em muitos deles o chakra é só um gatilho parcial, como ocorre na maior parte dos jutsus de Água e Terra.
Aquela água e aquela terra já existem por natureza; o jutsu apenas as puxa e lhes dá forma. Contra algo assim, o Corte de Chuva não consegue lidar. Ou, mesmo que consiga, quase não adianta.
Imagine: se um inimigo no mar usa a Técnica da Grande Cachoeira contra você, mesmo que neutralize a parte de chakra, o que adianta? Toda aquela água do mar já veio correndo, e uma batida dessa já basta para te matar.
Por isso, o alvo em que o jutsu é mais eficaz é, na verdade, fogo, raio e vento, três estilos que são quase puro chakra transformado, e também formações de chakra exposto como a Esfera da Besta de Cauda.
Mas eis a questão: se na Vila Oculta da Névoa você pode jogar um tijolo à toa e atingir dez usuários de jutsu de Água, com Vento e Raio talvez precise de cem tijolos para acertar um. E mesmo cobrindo toda a vila com tijolos, seria difícil encontrar um usuário de Fogo.
Não é que eles não tenham afinidade com Fogo. É que, onde houver outra natureza disponível, ninguém no País das Águas se dá ao trabalho de desenvolver o Estilo de Fogo.
É, no fim, era colocar dificuldade nos próprios pés.
No caso de Araki, de todos que ele conhecia, apenas ele era usuário de Vento; de Raio, só a ainda escolar Ringo Yori contava como meio usuário. Quanto ao Fogo… desculpe, nem sombra vi.
Assim, o treino do Corte de Chuva ficou estagnado.
Mas agora era diferente: já que Ringo Yori já tinha aprendido jutsu de Raio, ela podia ajudar Araki a treinar!
Então, depois de examinar os resultados de seu treino, o rosto de Araki tornou-se sério de repente:
— Pequena Ringo, preciso que me ajude a treinar!
— Ah?
A garota ergueu a cabeça, meio confusa.
— Araki, o que você disse?
— Eu disse — Araki respirou fundo e repetiu — que preciso da sua ajuda para meu treino!
— Que maravilha!
Ela saltou num pulo. As duas tranças presas verticais às têmporas balançavam como pequenas orelhas longas, parecendo acompanhar também a alegria dela.
— Então, finalmente, posso te ajudar, Araki?
Ao ver que ela saltava só de alegria por poder ajudá-lo, Araki colocou a mão sobre a cabeça vermelha dela e sua voz ficou surpreendentemente suave:
— Claro. A pequena Ringo já ficou realmente muito forte.
— Então vamos começar logo!
A entusiasmada não quis perder um segundo.
— O que preciso fazer?
— Me diga, quais técnicas de relâmpago você domina agora?
— Não são muitas. Só Agulha de Relâmpago, Bola de Relâmpago e Serpente de Relâmpago.
Ringo Yori disse isso com um pouco de vergonha, como se achasse que eram poucas.
— Não tem problema, já basta. A partir de agora, basta me eletrocutar à vontade com esses jutsus!
Araki disse palavras que a menina quase não conseguiu entender.