025 Experiência

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2521 palavras 2026-01-30 12:43:15

Su Qiangguo era um médico experiente, já tinha visto muitas pessoas e vivido muitas situações. Quando Fang Zhuo se apresentou, ele se lembrou da sobrinha comentando sobre ele; sua impressão naquela ocasião foi de que era um “familiar de paciente muito calmo”, algo nada fácil diante da doença. Ao reencontrá-lo hoje, achou-o cortês e educado, embora aquela forma respeitosa com que a sobrinha o chamava de “Diretor Fang” lhe causasse certa estranheza — esperava que não estivessem sendo enganados.

Os três escolheram um restaurante de carne de cordeiro por perto, pediram três tigelas de sopa de cordeiro e alguns pães assados.

— Diretor Su, veja, eu me uni ao curso de Computação da Universidade de Ciência e Tecnologia para tocar um projeto de informatização.

— A ideia principal é distribuir de maneira racional, pela internet, os recursos de agendamento das consultas nos hospitais. Assim, reduzimos o tempo dos pacientes e facilitamos o processo prévio de triagem nas instituições.

Fang Zhuo explicou o projeto de forma direta.

Su Qiangguo não entendeu muito bem:

— E qual seria exatamente o benefício? Só para o paciente agendar consulta?

— O paciente acessa as informações on-line, já agenda consulta com determinado médico antes mesmo de ir ao hospital. Isso é bom para ambos os lados e, no seu setor de pediatria, por exemplo, as crianças têm imunidade baixa e são facilmente expostas ao risco de infecções cruzadas no hospital.

— Os pais ficam na fila com os filhos… O senhor sabe a quantidade de pacientes que o nosso hospital recebe diariamente. Às vezes, uma simples distância próxima, um espirro, e o vírus já está circulando no ar.

Fang Zhuo falou de outro benefício da simplificação do processo.

Su Qiangguo pensou de olhos semicerrados. Sim, fazia sentido.

— Essas coisas de alta tecnologia e internet eu não entendo muito — disse ele enrolando o pão, olhando primeiro para a sobrinha antes de continuar —. Parece interessante, mas você procurou a pessoa errada. Isso é assunto administrativo, não adianta falar com médico.

— Na verdade, gostaríamos que o senhor nos apresentasse ao responsável por esse setor, para nos conhecermos — esclareceu Fang Zhuo.

Su Wei estranhou. Ué, era só isso?

— Aí é que está, procuraram a pessoa errada mesmo — Su Qiangguo balançou a cabeça. — Weiwei não te disse? Talvez nem saiba… Primeiro, não me dou muito bem com o vice-diretor que cuida disso. Segundo, não falo do que não entendo. Por fim...

— Estou quase me aposentando.

Fang Zhuo entendeu imediatamente; realmente, não tinham buscado o caminho certo.

— O quê? Tio, o senhor vai se aposentar? — Su Wei ficou confusa. Sempre achou o tio cheio de energia, esquecendo-se que ele já estava perto dos sessenta.

— Pois é, essa sopa de cordeiro foi por conta à toa — disse Su Qiangguo sorrindo.

Su Wei colocou um pedaço de carne no prato do tio:

— Quem disse? Da próxima vez também sou eu quem convida. Coma mais, tio.

— Isso mesmo, coma mais, Diretor Su — completou Fang Zhuo, cuja cabeça brilhava refletida na sopa. — Entendi, mas o senhor poderia nos orientar sobre que caminho seguir?

Su Qiangguo continuou balançando a cabeça:

— Só cuido de pacientes, não me envolvo nesses assuntos do hospital.

Su Wei pediu com um tom de súplica:

— Tio, esse é meu projeto de estágio do terceiro ano, a faculdade vai cobrar resultados. Ajude-me, por favor.

— Se eu pudesse ajudar, não ajudaria? — ele abriu as mãos. — Tentem falar com o vice-diretor, mas vejam se citar meu nome não faz ele mandar o segurança expulsá-los.

Su Wei desanimou.

Fang Zhuo tomava sua sopa devagar, refletindo sobre esse resultado inesperado. Não era uma questão de interesses, simplesmente não havia ligação; um funcionário prestes a se aposentar…

Ele olhou para Su Qiangguo, analisando o rosto do velho médico: sobrancelhas grossas, olhos expressivos, rosto quadrado — transmitia uma impressão muito boa, do tipo de médico que não assustava crianças doentes.

— O que está olhando? — Su Wei percebeu a cena, perguntando sem muita energia.

— Pensava que, sendo o Diretor Su uma pessoa tão boa, se o vice-diretor não se dá bem com ele, talvez devesse examinar seus próprios defeitos — elogiou Fang Zhuo.

O velho diretor olhou intrigado para o careca, dizendo lentamente:

— É preciso agir corretamente.

— Não tem problema — assentiu Fang Zhuo.

Su Qiangguo franziu levemente as sobrancelhas, o semblante um pouco mais frio, mas não disse mais nada, voltando-se apenas para o trabalho e a vida da sobrinha.

O jantar terminou. O velho diretor voltou para casa, Fang Zhuo foi ao hospital acompanhar a irmã.

Depois de deixar o tio, Su Wei, ainda intrigada, perguntou:

— O que vocês estavam dizendo no final? Não entendi nada. Achei que meu tio não ficou muito contente e também não quis conversar mais com você.

A luz dos postes esticava as sombras dos dois.

Fang Zhuo, caminhando, respondeu:

— Não disse nada de mais, só que seu tio é bem perspicaz. Eu o elogiei, dizendo que ele era uma boa pessoa, e disse que, se o vice-diretor não se dava bem com ele, devia procurar seus próprios problemas.

— Uma afirmação positiva e outra negativa. Se seu tio é bom, então o vice-diretor não é. Quem precisa de um favor, quer um vice-diretor bom ou ruim?

— Seu tio entendeu que eu queria explorar o lado ruim do vice-diretor para tirar vantagem.

— Por isso, ele me aconselhou a agir corretamente.

— Não que eu pensasse mesmo em agir assim, mas achei que até seria um caminho possível, então lhe disse que, para completar algo benéfico para muita gente, um pequeno desvio não faria mal.

Fang Zhuo bateu palmas:

— Foi mais ou menos isso. Seu tio achou que não tinha mais nada para falar comigo e parou. Se quiser, confirme com ele depois se foi isso mesmo que pensou.

Su Wei parou, completamente atônita. Puxa! Eu estava ali no meio dos dois, rindo à toa? Isso é coisa de estudante do terceiro ano de faculdade?

Complicado demais! Que mente tortuosa!

— Você... você quer ser uma pessoa má? — perguntou Su Wei.

O rosto de Fang Zhuo, sob a luz, ficou um tanto indefinido. Ele riu:

— Professora Su, quer discutir filosofia comigo? O que é ser bom? O que é ser mau? Preto? Branco? Cinza?

Su Wei ficou muda, não pelas perguntas, mas pela convicção nas palavras de Fang Zhuo. Ele não era como muitos estudantes, sempre prontos a mudar de opinião diante das dificuldades.

Percebeu a maturidade daquele homem à sua frente.

Fang Zhuo virou o rosto para o fim da rua:

— Admiro muito médicos como seu tio... Ei, professora Su, por que está me olhando assim? Não vou ameaçar ninguém com uma faca para apoiar o site de agendamento de consultas.

— Só quero agir, mas agir dentro da lei.

Su Wei perguntou:

— Sério?

— Sério, nunca engano ninguém — respondeu Fang Zhuo, levantando três dedos sem mudar a expressão.

— Ah, está pensando em subornar o vice-diretor, não é? — acusou Su Wei.

— E eu lá tenho dinheiro para isso? Um grupo de estudantes pobres, uma professora sem recursos, vamos subornar com o quê? — zombou Fang Zhuo. — O máximo que podemos levar são dois sacos de frutas para ele.

Su Wei acreditou, mas logo ficou preocupada:

— E agora, o que vamos fazer?

— Talvez precisemos mudar a ordem das coisas, ver se a Yu consegue mexer com a opinião pública. Eu queria antes buscar o apoio do seu tio, mas agora só nos resta tentar forçar um pouco a situação.

Fang Zhuo refletiu:

— Professora Su, vou te ensinar uma coisa: o que não se pode ter está sempre fora do alcance, talvez tenhamos de criar um ambiente de competição.

— Fazer com que venham nos procurar, ao invés de irmos atrás.

— Isso eu sei fazer bem — declarou Fang Zhuo com confiança.

O que fazer diante do desconhecido?

Primeiro, transforme-o em algo familiar, depois use sua experiência para resolver.