As mulheres só servem para atrapalhar minha determinação...
Em menos de meio dia desde que voltaram do hospital, a pequena empresa Agendamento Online entrou em um ritmo frenético, onde todos tinham tarefas a realizar.
Zhou Xin e Song Rong sentiam a necessidade de provar que não recebiam à toa seus salários de 1500 yuans por mês e se esforçavam para que a empresa continuasse funcionando, garantindo assim seus pagamentos mensais.
Yu Hong ficou com a função de despachar materiais e imprimir documentos; precisava ir ao Hospital Provincial e preparar rapidamente várias orientações para o agendamento online.
Já Su Wei tinha uma tarefa ainda mais especial.
Ela foi incumbida de acompanhar o chefe no dia seguinte para uma nova rodada de articulações no Primeiro Hospital Afiliado. Afinal, ela ainda contava com a vantagem de ter um tio-chefe no setor de Pediatria daquela unidade. Fang Zhuo pensava que, caso surgisse algum imprevisto, seria bom ter essa relação como carta na manga. No ambiente hospitalar, conhecer ou não alguém faz uma diferença gritante.
— Então, amanhã nos encontramos direto no hospital?
Su Wei confirmou o combinado antes de partir.
— Não, melhor nos encontrarmos na Universidade de Ciência e Tecnologia — ponderou Fang Zhuo após pensar um pouco. — Se chegarmos muito cedo ao hospital, eles nem terão começado o expediente. Primeiro, vamos dar uma olhada nos materiais que Xiao Yu preparou, depois levamos tudo junto. Ela não deve aparecer lá por enquanto. Melhor prevenir do que remediar.
Su Wei balançou a cabeça, suspirando:
— Uma estudante brilhante da Ciência e Tecnologia, veja no que se tornou... sempre às escondidas.
— Vai chegar o momento dela aparecer. Depois que tudo estiver alinhado com o hospital, precisaremos pensar seriamente em como aproveitar uma onda de políticas favoráveis — disse Fang Zhuo, calmo. — Senão, se perdermos essa oportunidade, não sabemos quando virá outra.
— Um bom vento pode te levar às alturas? — Su Wei brincou, citando versos de um clássico romance.
— Um bom vento pode levar todos nós ao topo — respondeu Fang Zhuo, sério, sempre atento em unir o time.
Su Wei cortou sem piedade:
— Tsc, você realmente sabe como criar ilusões.
...
No dia seguinte, Su Wei chegou à Universidade de Ciência e Tecnologia às oito da manhã, indo direto para a sala multimídia que o grupo costumava usar.
Lá, encontrou Fang Zhuo devorando um pão frito e Zhou Xin com uma expressão estranha.
— O que houve? — Su Wei se aproximou.
Fang Zhuo, mastigando, respondeu de boca cheia:
— Os colegas daqui são mesmo calorosos.
Su Wei, sem entender, olhou para Zhou Xin, pois sabia que Fang Zhuo às vezes exagerava nas palavras.
Zhou Xin, estarrecido, apontou para o leste:
— Agora há pouco... a repórter do jornal da universidade veio aqui, aquela que publicou sobre nosso projeto, a Wei Zhen. Na segunda vez que passou, ela trouxe uma refeição para o Fang.
Su Wei não conteve a curiosidade:
— Por quê?
— Porque ela perguntou se eu já tinha comido e eu disse que não — respondeu Fang Zhuo, tranquilo, terminando o pão e avaliando — As frituras do refeitório são muito boas.
— Fang, você ouviu o que ela disse ao sair? 'Hoje você está muito bonito!' — exclamou Zhou Xin, sem entender como aquilo podia acontecer diante de seus olhos.
— Ouvi sim, mas ela foi tão rápida, só pendurou a marmita na minha mão e sumiu. Eu não ia jogar a comida de volta nela, né? — Fang Zhuo deu de ombros. — Deixa pra lá, só mais uma garota encantada pela minha beleza.
Su Wei apenas ficou em silêncio, Zhou Xin quase chorou.
— Cadê Xiao Yu? Só falta o material dela. — Fang Zhuo olhou ao longe, sob a luz dourada do sol, sua silhueta delineada.
— Wei, Fang, vocês esperam por ela aqui... — Zhou Xin estava desolado, nunca experimentara ser alvo da atenção feminina.
— Vai aonde? Para o laboratório? — perguntou Su Wei.
Zhou Xin suspirou ainda mais:
— Vou tomar café... Ainda não comi...
— Já comeu, Wei? Quer que eu traga algo para você?
— Já comi, obrigada, pode ir — Su Wei respondeu apressada.
Zhou Xin acenou, levando consigo uma mistura de confusão, surpresa, desânimo e um toque de melancolia rumo ao refeitório.
— Tem uma sopa ainda na sala, quer? — perguntou Fang Zhuo, descontraído.
— Também foi aquela repórter que trouxe? — Su Wei fitou Fang Zhuo, que, para ela, não era nada de especial.
— Foi sim — ele assentiu. — Zhou já tinha me dito que essa garota perguntou de mim, hoje, por acaso, nos encontramos. Ou talvez tenha vindo só por isso.
— E o que pensa sobre isso?
— Se ela não tivesse um pouco da beleza da professora Su, eu teria jogado o pão na cara dela — respondeu Fang Zhuo, sério.
— O quê?
Su Wei ficou sem reação por um segundo, entre envergonhada e indignada.
— Você está falando besteira...
— Quem empreende precisa ser objetivo: bonita é bonita, feia é feia, certo? Não dá pra mentir pra si mesmo — disse Fang Zhuo, sorrindo.
Su Wei sentiu uma estranheza difícil de explicar.
Depois de pensar, perguntou:
— E o que pretende fazer? Sobre a garota da marmita.
— O que posso fazer? Mulheres só atrapalham minha determinação, e sem o agendamento, nem casa terei! — riu Fang Zhuo. — Depois, peço ao Zhou que explique para ela que nem sou da Ciência e Tecnologia, foi só um engano da última vez. Isso deve resolver.
— Por quê?
— Objetivamente, ela deve ter um padrão alto. Se criar uma decepção, pronto. Não é a mesma coisa um veterano empresário da Ciência e Tecnologia e um de uma escola técnica de impressão.
Su Wei torceu o nariz. Apesar de soar desagradável, fazia sentido.
Depois de dois segundos, ela comentou:
— Você não é como os outros.
— Eu sei. Ei, Xiao Yu chegou, vamos ao hospital. — Fang Zhuo acenou para Yu Hong.
Yu Hong, correndo, entregou o material para Fang Zhuo, que o examinou com cuidado. O guia estava perfeito.
— Ontem à tarde fui ao Provincial, mas o diretor nem me deixou falar direito — Yu Hong relatou, frustrada.
— Normal, não tenha pressa. Vamos focar no Primeiro Hospital — consolou Fang Zhuo, entrando na sala multimídia para pegar uma sopa embalada. — Xiao Yu, ainda não tomou café, né? Aqui tem uma sopa extra. Eu e a Su vamos ao hospital agora.
Yu Hong sorriu, aliviada — não tinha tomado café mesmo. Fang era um ótimo colega.
Su Wei: “...”
A dupla saiu da universidade levando os materiais.
— A sopa era para você, e você dá para a Hong? — Su Wei comentou, irônica.
— Ora, você não quis — respondeu Fang Zhuo.
Su Wei ficou sem palavras, percebendo que ele sempre conseguia mudar o rumo da conversa.
— Deixa disso, aquela ali só viu beleza, nós é que estamos juntos na batalha.
Fang Zhuo bateu no banco traseiro da bicicleta:
— Vamos, professora Su, suba, que partimos para conquistar o hospital!
“…”
Leve demais.
Su Wei sentou-se em silêncio no banco traseiro, refletindo sobre como tinha se envolvido em tudo aquilo.