Levar Pessoas
Fang Zhuo não conseguia decifrar o significado por trás da matéria no jornal, tampouco podia se arriscar a procurar Liu Bo, o empresário, naquele momento. Restava-lhe apenas acelerar o máximo possível o andamento da empresa.
Além disso, ele foi ao hospital para expressar carinho e amor, um a um, aos seus familiares.
“Tio, desde pequeno sempre achei você muito elegante, e depois passei a admirá-lo profundamente.”
“Tia, desde criança fui sempre muito próximo de você, Qiqi é como uma irmãzinha de sangue para mim.”
“Maninha, recupere-se logo, quero ver se consigo te arranjar uma nova cunhada no futuro.”
Após essas palavras carinhosas, quando foi levar sua mãe à estação, Fang Zhuo se viu sem saber o que dizer.
“Xiao Zhuo, você cresceu, está quase se formando e já começou sua própria trajetória. Precisa trabalhar mais, falar menos, ouvir os conselhos dos professores e dos amigos. Este ano não foi fácil para nossa família, mas você precisa ser forte e aguentar firme.”
“Seu tio só tem a Qiqi, e eu e seu pai só temos você. Desde sempre fomos uma só família. Agora, para tratar a Qiqi, ainda precisamos juntar mais dinheiro. Espero que não guarde ressentimentos da mamãe.”
“Você já conhece bem Lushou, então vá com frequência ao hospital cuidar da sua irmãzinha.”
“Ah, seu avô trabalhava na equipe do vilarejo, e nós queríamos seguir as orientações do governo. Se soubéssemos, teríamos tido mais um filho.”
Zhao Shumei aproveitou que o ônibus ainda não havia partido para conversar longamente com o filho.
Fang Zhuo sentiu um nó na garganta, mas... algumas coisas ele precisava manter. Ele dependia do dom da palavra, precisava se expressar...
“Mãe, se você e o pai quiserem me dar uma irmãzinha agora, ainda está em tempo.” Os olhos de Fang Zhuo estavam marejados.
“Ah, bobagem!”
Zhao Shumei subiu no ônibus, acenou para o filho e partiu preocupada, pensando em como arranjar dinheiro.
Fang Zhuo ficou perambulando pela estação por um bom tempo, até que alguém tentou convencê-lo a sair e se divertir. Então apressou-se em ir embora — não é porque sou careca que deixo de ser boa pessoa.
Registrar a empresa leva tempo, fazer contato com a imprensa leva tempo, montar o site também leva tempo.
Tudo precisava se desenvolver aos poucos.
Depois que o tio Zhao Yiqiang também voltou para casa, Fang Zhuo, depois de se despedir, tirou mais dez mil e entregou para a tia, Xu Ru, pedindo que colocasse na conta do hospital da irmã.
Como explicar isso? A tia Xu Ru era uma pessoa simples, sem grandes conhecimentos sobre a capital da província, então bastava dizer que tinham começado a prestar serviços para mais um hospital. Quanto ao restante da família, eles só podiam saber das novidades por telefone mesmo.
Assim se passou quase uma semana. Não houve mais cartas de agradecimento no jornal. Pelo contrário, Fang Zhuo encontrou uma notícia anterior: segundo o “Diário de Anhui”, as questões patrimoniais da Fábrica de Papel Xuan Estrela Vermelha haviam sido resolvidas satisfatoriamente.
Havia uma foto dos líderes da cidade com o gerente-geral da Anhui Investimentos, Chen Shuhu, e o empresário rural Liu Bo.
A data da reportagem era ainda anterior à “Carta de Agradecimento ao Irmão Wan”, ou seja, a compra do terreno por Liu Bo já estava garantida.
Fang Zhuo confirmou uma informação que, na verdade, não lhe servia de muito — só podia torcer para que o grande empresário tivesse paciência. Ele não tinha como saber quando sairia o novo plano de uso do solo do governo, apenas lembrava que, em um ou dois anos, o terreno iria valorizar.
Será que o famoso empresário rural aguentaria até lá? Mesmo que surgissem problemas financeiros, ainda poderia vender alguns potes de argila roxa para se virar.
— E aí, Fang, como vão os negócios? Você quase não aparece, está usando o dormitório como hotel? — no dormitório, Lin Cheng apareceu de surpresa, vindo da sala de aula.
— Hum, tenho tido muito serviço, estou bem ocupado — respondeu Fang Zhuo, tentando despistar. Perguntou em seguida: — E você, como vão os estudos?
— Me inscrevi num cursinho... Mas preciso me esforçar mais — suspirou Lin Cheng.
Fang Zhuo, junto ao armário trancado, assentiu e incentivou: — Força!
Lin Cheng, abraçado aos livros, começou a circular pelo quarto, contando as novidades do campus, sempre de olho no amigo.
Fang Zhuo achou graça. Ele tinha voltado para pegar um maço de dinheiro, e assim, como faria isso?
— Fala logo, Lin, vejo que você está com algo na cabeça.
— Ah? Está tão na cara assim? — Lin Cheng hesitou, largou o livro e disse: — Fang, o cursinho é meio caro... Eu poderia te ajudar nas tarefas, ganhar um trocado para as despesas?
Fang Zhuo ficou surpreso. Nos últimos dias, ele não tinha feito esses serviços, só usava como justificativa para tirar dinheiro do armário.
— Claro! Não é nada difícil, depois do almoço no refeitório, você vem comigo.
Pensou um pouco e completou: — Para ganhar dinheiro, tem que ser rápido. Pela minha experiência, antes e depois do almoço tem bastante cliente. Faz assim, pega duas marmitas no refeitório, a gente leva para comer no hospital.
Lin Cheng concordou na hora, deixando os livros para ir buscar as marmitas.
Fang Zhuo aproveitou para pegar um maço de dinheiro, guardou na bolsa e trancou o armário, saindo tranquilamente em direção ao refeitório.
Naquela manhã, ele passou procurando lugares para alugar e, à tarde, levaria Lin Cheng para vivenciar o trabalho — um descanso antes de ir, no dia seguinte, à casa de Yu Hong para o encontro com os colegas da empresa.
Às doze e meia, sentados nos degraus do prédio de exames técnicos do hospital, Fang Zhuo e Lin Cheng almoçavam marmitas frias.
— Caramba, será que somos bobos? Aqui no hospital tem comida para vender por todo lado! Pra quê comprar na escola e carregar até aqui? Sem noção! — resmungou Lin Cheng.
— Pois é, esqueci — respondeu Fang Zhuo, comendo distraidamente.
Lin Cheng ficou um pouco frustrado, mas logo a curiosidade e a ansiedade tomaram conta.
— Fang, como faz para conseguir os clientes? Como conquista a confiança deles? Como você sabe quem precisa e quem não?
— Daqui a pouco, vamos ao terceiro andar, no setor de patologia, ficamos no corredor esperando. Quem vai lá geralmente precisa pegar exames. — Fang Zhuo explicou detalhadamente. — Os laudos de patologia variam. Os diagnósticos comuns ficam prontos em três ou quatro dias. Já as imunohistoquímicas, que os hospitais menores da região não fazem, levam uma semana.
Lin Cheng pensou alto: — Os hospitais pequenos não fazem? E leva uma semana? Então é fácil fechar o serviço, não?
Fang Zhuo estalou os dedos: — Exatamente.
Ele fez uma pausa e completou: — Ah, e tem também os laudos de autópsia, mas esses normalmente não entregam para a gente.
Lin Cheng ficou arrepiado e perguntou gaguejando: — Como assim, autópsia?
— Eu também não sabia, até conhecer um sujeito... — Fang Zhuo semicerrando os olhos. — Ele era meio esquentado.
— Corremos o risco de apanhar? — Lin Cheng perguntou preocupado.
— Quem sorri não leva tapa. — Fang Zhuo compartilhou sua experiência. — Se você encarar como uma forma de ajudar a resolver o problema deles, basta saber conversar.
Lin Cheng recolheu as marmitas vazias e jogou no lixo, confiante: — Certo, sei conversar.
Logo depois, pediu em voz baixa: — Mostra pra mim como faz, pode ser?
Fang Zhuo concordou com alegria: — Claro, vem comigo, depois você tenta.
Os olhos de Lin Cheng brilhavam de gratidão.
À uma da tarde, passava o horário do almoço e os familiares dos pacientes começaram a chegar ao setor de patologia. Fang Zhuo conduziu Lin Cheng: abordava as pessoas, mostrava seus documentos, registrava informações e recebia o pagamento.
Depois de conseguir quatro clientes, Fang Zhuo deixou Lin Cheng assumir.
Das uma e meia às duas, Lin Cheng correu de um lado para o outro como uma abelha industriosa. Mas, diferente da abelha, não colheu nenhum néctar.
Sentou-se ao lado de Fang Zhuo, desanimado: — Fang, por que ninguém acredita em mim? Quando estávamos juntos, dava certo! Será que é porque não gostam do meu rosto?
Fang Zhuo também se surpreendeu. Perguntou como o amigo tinha abordado as pessoas e não viu nenhum erro.
Talvez... cada um tenha um jeito de conversar? Sua lábia, combinada ao rosto bonito, causava boa impressão, enquanto a de Lin Cheng mal se destacava no conjunto do rosto.