Entrevista inaugural

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2535 palavras 2026-01-30 12:44:27

O mês de setembro em Lujou passou em tranquilidade. Uma fábrica foi vendida, uma empresa estava prestes a ser fundada, mas nada disso foi suficiente para causar grande agitação em uma capital de província tão interiorana.

No dia primeiro de outubro, o feriado da “Semana Dourada” do Dia Nacional começou.

Sobre essa Semana Dourada, todos ainda achavam uma novidade e não sabiam bem como receber um feriado tão longo, afinal, esse costume só surgiu após o regulamento nacional de feriados e datas comemorativas de 1999, sendo apenas o segundo ano de sua implementação.

Na Universidade de Ciência e Tecnologia da China, Wei Zhen, estudante do segundo ano e repórter temporária do jornal universitário, chegou à sala multimídia Leste 2 no horário combinado.

— Olá, veterano, chegou cedo — cumprimentou Wei Zhen assim que entrou, avistando Zhou Xin, veterano do terceiro ano com quem quase nunca conversara. Desta vez, ela viera entrevistá-lo a pedido de uma boa amiga.

— Wei Zhen, olá, muito obrigado por vir — Zhou Xin, vestindo uma camisa xadrez, levantou-se do assento e cumprimentou-a educadamente.

Wei Zhen sorriu, tirou com destreza a caneta e o bloco de notas, e perguntou: — Podemos começar a entrevista?

— Hã... ainda falta um amigo, vamos esperar por ele — Zhou Xin respondeu, um pouco envergonhado. Não era muito habilidoso para esse tipo de situação e, naquela manhã, havia ligado meio sem querer para o chefe Fang, que, estando livre, também quis dar uma passada.

Wei Zhen apenas assentiu, observou discretamente a expressão do veterano e puxou conversa: — Quantas pessoas participam do seu projeto de internet?

— Tem a Yu Hong, do curso de Marketing, Song Rong, da minha turma, ambos do terceiro ano, e mais... — Zhou Xin ia dizer o nome do chefe, quando a porta da sala se abriu novamente. Ele logo se levantou e acenou: — Fang, por aqui!

Wei Zhen também se levantou, virou-se para olhar o homem que acabara de entrar. Cabelos curtos e alinhados, traços delicados, corpo bem proporcionado, transmitindo uma sensação agradável.

— Prazer, sou Wei Zhen, do jornal da universidade, segundo ano, estudante de estatística — Wei Zhen não esperou Zhou Xin apresentá-la e estendeu a mão direita.

Fang Zhuo sorriu e apertou levemente a pequena mão dela: — Sou Fang Zhuo, Fang de retidão, Zhuo de distinção, curso de Gestão Econômica.

Wei Zhen não suspeitou de nada, achando que ele era mesmo um veterano do curso de Gestão Econômica.

Os três se sentaram novamente, Fang Zhuo e Zhou Xin lado a lado, Wei Zhen de frente para Fang Zhuo.

— A entrevista já começou? — perguntou Fang Zhuo, com um sorriso elegante.

— Ainda não, também acabei de chegar — respondeu Wei Zhen rapidamente.

— Então, obrigado pelo seu trabalho — disse Fang Zhuo, acenando para a jovem repórter.

Wei Zhen sorriu: — Você que é gentil, Fang, não é trabalho nenhum, o jornal precisa de conteúdo. Aliás, a primeira página é reservada para a diretoria e professores, tínhamos separado a terceira página para vocês, mas hoje de manhã tiraram um artigo da segunda página, então vamos colocar a matéria de vocês lá.

Fang Zhuo agradeceu prontamente.

Zhou Xin, ao lado, sentiu algo estranho. Ele também havia dito “obrigado pelo trabalho” e não teve resposta, nem ouviu nada sobre a página da matéria. Estaria acontecendo algo incomum? Alguma armadilha?

Tendo passado pela experiência de Yu Pu tentar prejudicá-lo pelas costas, Zhou Xin estava mais cauteloso. Todos amadurecem com o tempo.

Logo, percebeu que Wei Zhen olhava constantemente para Fang Zhuo durante a entrevista.

Talvez ela estivesse apenas sendo atenta à entrevista, pensou. Talvez tivesse entendido errado. Desta vez, provavelmente Yu Pu não estava envolvido.

— O Sistema de Distribuição de Senhas é fruto de nosso próprio desenvolvimento independente, já praticamente concluído. Durante todo o processo, Zhou Xin e Song Rong, ambos de Aplicações em Computação, tiveram papel fundamental — explicou Fang Zhuo com desenvoltura.

Zhou Xin, orgulhoso com o elogio, estufou o peito.

No entanto, percebeu que a repórter não o olhava.

Ela apenas perguntou, com seriedade: — E qual foi o papel de Fang nesse projeto?

Fang Zhuo sorriu e fez um gesto modesto: — Não sou da área de computação, no máximo colaborei com algumas ideias e direcionamentos, minha contribuição foi modesta.

Wei Zhen, pensativa, anotou rapidamente a expressão “visão estratégica”.

Ela prosseguiu: — Que impacto concreto esse sistema pode trazer?

— Economia de tempo, de esforço e de pessoal — Fang Zhuo levantou três dedos. — Vai otimizar enormemente o processo de pré-atendimento hospitalar, e esse é justamente o tipo de resultado que nosso curso de computação busca ao responder ao chamado do ministério para a “informatização”.

Wei Zhen arregalou os olhos, abaixou a cabeça e anotou a resposta palavra por palavra.

Zhou Xin, ao lado, começou a se remexer. Não pôde evitar pensar: “Responde ao chamado por 1500 yuanes, isso sim…”

— Se eu fosse uma paciente querendo agendar uma consulta, como utilizaria o sistema? — Wei Zhen fez uma pergunta mais específica.

Fang Zhuo elogiou: — Ótima pergunta, Wei Zhen. Se um dia você for jornalista, certamente será uma grande repórter.

Wei Zhen tentou ser humilde, mas, diante do olhar direto de Fang Zhuo, só conseguiu sorrir com doçura.

— Primeiro, acesse o site e faça um cadastro simples com seu número de identidade.

— Segundo, escolha o horário e o médico desejados conforme o departamento do hospital. Nesse momento, você receberá um número de quatro dígitos, que será seu número de agendamento.

— Terceiro, ao chegar ao hospital, basta digitar o número de quatro dígitos e sua senha num dos computadores do saguão para receber o comprovante de agendamento.

— Por fim, é só aguardar o atendimento — terminou Fang Zhuo, tentando explicar de forma simples.

Wei Zhen imaginou o processo e perguntou, hesitante: — Então, elimina o tempo de espera nas filas do hospital?

— Exato. Assim, você pode organizar melhor seu tempo. Também disponibilizaremos informações sobre os médicos de plantão — enfatizou Fang Zhuo. — E esse serviço de economia de tempo, esforço e pessoal é totalmente gratuito.

— Sério? Por quê? — perguntou Wei Zhen, surpresa.

— O agendamento é uma infraestrutura pública da saúde. Após muitas discussões… — Fang Zhuo respondeu lentamente e com convicção — chegamos à conclusão de que não deveria haver cobrança.

Ao lado, Zhou Xin lançou um olhar enviesado. Foram mesmo “muitas discussões”…

— E como pretendem manter o desenvolvimento do sistema? — indagou Wei Zhen.

— O agendamento é uma necessidade comum dos pacientes. Quando o site alcançar uma certa escala e um número expressivo de usuários, receitas de publicidade e serviços adicionais sustentarão o funcionamento — explicou Fang Zhuo, com segurança e sem hesitar.

Wei Zhen assentiu e continuou a questionar, sempre buscando novos ângulos.

Fang Zhuo respondia com fluidez, quase sem precisar pensar.

Zhou Xin ficou ali sentado por um bom tempo, até que o frio do banco deu lugar ao calor, e finalmente a entrevista chegou ao fim.

Fang Zhuo despediu-se de Wei Zhen, conversou um pouco mais na porta, e então chamou o chefe de tecnologia para almoçar.

— Os estudantes daqui são bem entusiastas — comentou Fang Zhuo, sorrindo.

Zhou Xin respondeu em tom misterioso: — Fang, percebi uma coisa.

— O quê? — perguntou Fang Zhuo, curioso.

— Você só disse “Gestão Econômica”, não mencionou a universidade, deixando ela pensar que você também é estudante daqui — Zhou Xin afirmou, com ar de quem entendeu tudo.

Fang Zhuo levantou o polegar: — Esperto. Vamos comer, estou morrendo de fome. Quando sair o jornal, me guarde um exemplar, tenho um uso para ele.

Zhou Xin concordou, já pensando em aproveitar o almoço para aprender com Fang Zhuo como conduzir entrevistas com tanta naturalidade.