122 Fideicomisso
A véspera do Ano Novo Chinês de 2001 caiu no dia 23 de janeiro.
Com o reconhecimento oficial obtido em Luzhou, a rotina de trabalho da "GuaHao Wang" (Rede de Agendamento) tornou-se intensa, e o feriado do Ano Novo Lunar aproximou-se rapidamente. Até o dia 13 de janeiro, a empresa contava com 31 funcionários em Lin'an e 18 em Luzhou. Foi exatamente nesse dia que a sede em Luzhou finalmente ganhou um espaço de trabalho fora da sala de servidores: uma loja térrea.
— Xiao Fang, você tem algum apego especial por lojas térreas? Lembra-se daquela noite em que o pessoal da Sequoia Capital veio e dissemos, diante daquelas grandes vitrines, que alugaríamos algo melhor no futuro...? — Su Wei não conseguia aceitar muito bem a escolha do chefe.
— Bem, o espaço é um pouco pequeno, mas se contratarmos alguém para fazer uma placa, ficará bem melhor. — Fang Zhuo não via problema nisso. — O "futuro" onde alugaremos algo melhor ainda não chegou. Em Lin'an, a situação é parecida, e o trabalho flui da mesma forma.
Su Wei balançou a cabeça e mudou de assunto:
— Precisamos definir quando voltaremos a trabalhar após o feriado. Além disso, o departamento financeiro... como fica o nosso financeiro?
Hum... o departamento financeiro era, de fato, um grande problema. Fang Zhuo pensou por um segundo e disse:
— Não voltarei para a minha cidade natal este ano. Vou para Xangai acompanhar minha irmã, e minha mãe também irá para lá. Quanto ao financeiro, deve estar resolvido logo após o feriado.
— Sério? Seu primo aceitou vir? — Su Wei perguntou, surpresa.
Fang Zhuo ignorou a pergunta e mudou de assunto rapidamente:
— Voltaremos logo após o Festival das Lanternas. É insensível pedir para as pessoas irem aos hospitais para consultas durante as festividades.
— ... — Su Wei assentiu. — Não tinha pensado por esse lado, estava apenas seguindo o padrão das outras empresas.
Fang Zhuo estava pensando no que dizer a seguir quando seu celular tocou. Era uma ligação da sua mãe.
— Oi, mãe! — Fang Zhuo atendeu com um tom extremamente carinhoso.
— Filho, aquele seu site, aquele de agendamento de consultas, é realmente bom? — perguntou sua mãe, Zhao Shumei.
Fang Zhuo riu:
— É sim. Eu ia te contar quando te ligasse à noite. Por que perguntou isso de repente?
— Ora, o filho da irmã da sua tia Liu, que mora na casa da frente, recebeu um serviço para pintar muros no interior, escrevendo "Para agendar consultas, acesse a GuaHao Wang" — disse Zhao Shumei seriamente.
Fang Zhuo tentou entender o parentesco — era um pouco confuso, mas provavelmente deveria chamá-lo de primo. Ele não pôde deixar de rir:
— Então nosso pessoal de marketing deve ter chegado lá. Mas como é que ele soube falar disso com você?
— Somos vizinhos, às vezes conversamos e, quando me perguntam, eu digo que você trabalha com um site. O nome do site não é difícil de lembrar. — O tom de Zhao Shumei era de incredulidade. — Isso dá dinheiro mesmo? Como é que as pessoas chegam até aqui para falar disso?
— Esse assunto é muito popular no momento. Dias atrás, alguns líderes disseram que apoiam nosso desenvolvimento em Luzhou. Quanto a ganhar dinheiro... — Fang Zhuo pensou no capital de risco e respondeu: — Temos subsídios. O que ganhamos, por enquanto, são esses subsídios.
Zhao Shumei preocupou-se:
— Subsídios são fáceis de ganhar? Não é possível que continuem subsidiando para sempre.
— Eu estava em Lin'an há pouco tempo, lá também dão subsídios. — Fang Zhuo inventou na hora. — Nosso projeto é avançado e os governos locais apoiam o desenvolvimento. Esta é a melhor oportunidade. Construção de infraestrutura digital exige investimento; de qualquer forma, ganharemos dinheiro por alguns anos. Quando não der mais, vou comprar uma casa para você em Yecheng. Vamos passar o inverno lá, é bem quentinho.
— Comprar casa, comprar casa, comprar casa... só sabe falar disso. Toda vez que liga, fala em comprar casa. — Zhao Shumei estava irritada. — E ainda me faz contar para os parentes. Agora, toda vez que os encontro, perguntam quando vou comprar a casa, e eu não sei...
Fang Zhuo interrompeu:
— E eles ouvem? Estão dispostos a comprar?
— Quem é que ouve uma vez e já sai comprando casa? Além disso, nós mesmos não compramos. — disse Zhao Shumei, como se fosse óbvio.
— Pois é, pois é... — Fang Zhuo suspirou, impotente. Realmente, teria que insistir mais tarde.
Mãe e filho conversaram por mais um tempo e confirmaram que passariam o Ano Novo em Xangai para acompanhar a tia, que estava internada, e a prima. Este ano não seria possível reunir toda a família: Fang Zhuo estaria com a mãe, a tia e a prima em Xangai na véspera do Ano Novo, enquanto seu pai e seu tio resolveriam assuntos na cidade natal, pretendendo ir a Xangai apenas para o Festival das Lanternas.
Ao encerrar a chamada, Fang Zhuo soltou um suspiro involuntário antes de guardar o celular.
— Não é fácil ter um doente na família — disse Su Wei, que ouvira metade da conversa.
Fang Zhuo balançou a cabeça:
— Já está melhor do que antes. As condições de tratamento em Xangai são muito boas. Minha tia me disse que a quimioterapia da minha irmã está surtindo um efeito bem melhor.
Su Wei encorajou-o:
— Vai ficar tudo bem.
Fang Zhuo assentiu em silêncio. Logo em seguida, o celular que acabara de guardar tocou novamente.
— Parece que o grande presidente Fang precisa contratar uma secretária — brincou Su Wei.
Fang Zhuo deu de ombros ao ver que era um número local desconhecido.
— Alô, olá.
— Olá, é o senhor Fang Zhuo, da GuaHao Wang? — uma voz masculina de meia-idade soou do outro lado.
— Sim, sou eu. — perguntou Fang Zhuo. — Em que posso ajudar?
— Ah, é o seguinte, falo da Companhia de Investimentos e Fiduciária da Província de Anhui. — disse a voz. — A prefeitura não está incentivando a construção de infraestrutura digital? Vocês têm necessidade de capital? Onde fica o escritório? Podemos conversar pessoalmente.
"Fiduciária de Anhui? Chen Shuhu? Não, a voz do velho Chen não é essa." Ao ouvir o nome da empresa, Fang Zhuo sentiu-se um pouco atordoado. Que tipo de destino era aquele?
Ele umedeceu os lábios secos e perguntou calmamente:
— Não estou muito por dentro desse assunto. Hum, uma companhia fiduciária, certo? Como devo chamá-lo?
— Isso, somos uma empresa estatal e podemos oferecer taxas preferenciais em crédito para sua empresa. Sou o gerente Xu Hao. — apresentou-se. — A prefeitura nos indicou. A internet é algo bastante novo em nossa cidade e os líderes apoiam fortemente esse desenvolvimento.
— Entendo. Mas, bem, no momento não temos essa necessidade. — Fang Zhuo recusou como se fosse uma telemarketing, enumerando razões: — Temos capital suficiente em caixa e, além disso, já temos empréstimos bancários em Lin'an. Sinto muito, gerente Xu.
Xu Hao ficou surpreso:
— Senhor Fang, o nosso é sem juros.
— Não é isso, gerente Xu. É que este ano precisamos lidar com capital de risco e a primeira rodada de financiamento depende do nosso balanço financeiro. Por isso, não consideramos a entrada de crédito bancário agora. Obrigado, se precisarmos, entrarei em contato imediatamente. — Fang Zhuo tentou de tudo para recusar.
"Capital de risco? Primeira rodada de financiamento?" Xu Hao nunca tinha lidado com esse tipo de operação, então não insistiu. Após trocarem contatos, desligaram.
Sentado no escritório, Xu Hao pensou um pouco e ligou para o gerente geral, Chen Shuhu:
— Diretor Chen, aquela empresa de internet que a prefeitura pediu para investigar parece promissora. Ouvi dizer que já possuem capital de risco e estão planejando a primeira rodada de financiamento este ano.
— Ah? A GuaHao Wang, certo?
Chen Shuhu, diretor da Companhia de Investimentos e Fiduciária de Anhui, lembrava-se do nome do site; era muito fácil de memorizar. Ele refletiu e instruiu:
— Prepare um material e submeta. Se for viável, podemos investir nessa primeira rodada. De alguma forma, é apoiar uma empresa local.
— Entendido.