A verdade finalmente revelada

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2448 palavras 2026-01-30 12:40:54

Diz o velho ditado: ler dez mil livros não se compara a percorrer dez mil léguas, e percorrer dez mil léguas não se compara a ter o auxílio de pessoas influentes.

Como o fazendeiro mais conhecido de Yingzhou, dono de vastos campos e grande criador de gado e ovelhas, Liu Bo já não se satisfazia em desfrutar, em sua terra natal, dos olhares admirados dos vizinhos. Queria, mais do que tudo, desenvolver-se na capital da província.

Afinal, ele tinha apenas quarenta e cinco anos; nessa idade, não só podia realizar grandes feitos, como até mesmo ter outro filho!

No entanto, a estrada até a cidade grande era árdua. No último ano, mesmo dedicando-se ao seu ofício nas pequenas cidades e condados próximos de Luzhou, Liu Bo encontrou obstáculos por toda parte. Desta vez, ao ouvir falar de um grande evento de promoção industrial na cidade, esforçou-se ao máximo para conseguir um convite.

Mas, mesmo tendo chegado, as relações e conexões na capital lhe pareciam tão nebulosas quanto uma névoa – não conseguia distinguir o que era verdade ou boato. Soubera, por acaso, que Chen Shuhu, diretor de uma empresa estatal, estava a ponto de progredir em sua carreira, mas não sabia ao certo em que consistia tal progresso.

Resumindo, no último ano, Liu Bo sentia-se como uma mosca perdida num labirinto, esbarrando em todas as paredes. Agora, ao conhecer o irmão do Diretor Chen, sabia que precisava aproveitar o momento para encontrar um rumo.

Achava que já haviam conversado o suficiente, preparando o terreno.

— Irmão Wan, você acabou de voltar, preciso compartilhar um pouco da minha experiência nos negócios. Neste ramo, a harmonia traz fortuna; é preciso ser íntegro e, sobretudo, jamais esquecer quem nos ajuda.

— Tudo o que conquistei foi graças a isso: nunca abandonei velhos amigos e sou grato a quem me estendeu a mão.

— Se não acredita, pode perguntar a qualquer um dos meus irmãos! — concluiu Liu Bo, achando suas insinuações já bastante claras, mas ainda temia que o jovem ao seu lado não as compreendesse. Pensou se não deveria ser ainda mais direto.

— Agradeço a sinceridade de Liu, — respondeu finalmente Fang Zhuo, sentindo que só faltava o anfitrião chamar o secretário para trazer um bule de argila roxa. Era um gesto esperado.

Comedidamente, acrescentou: — Vejo que Liu é um homem sincero. Se quiser se desenvolver aqui na capital, pode procurar meu irmão.

Ao ouvir isso, Liu Bo brindou, radiante.

Fang Zhuo não se aprofundou no assunto; naquele momento, era apenas o irmão do líder, e bastava sugerir.

Passado algum tempo, já embriagado, Liu Bo sentiu que o silêncio estava maduro o bastante. Ergueu o copo mais uma vez:

— O Diretor Chen tem alguma boa oportunidade agora? Ou, quem sabe, quando ele terá tempo para um jantar por minha conta?

— Liu, como pode ver, este evento de promoção industrial é de grande porte. Meu irmão anda bastante ocupado ultimamente — respondeu Fang Zhuo, começando pela última pergunta, antes de hesitar, propositalmente.

Contudo, esse tipo de hesitação era desperdiçado: Liu Bo, já trocando de garrafa, não percebeu a piscadela.

Felizmente, o interesse de Liu era persistente. Serviu mais uma dose e perguntou, sorrindo:

— Então, será que o Diretor Chen teria algum conselho para nós, empresários rurais?

Fang Zhuo percebeu algo curioso: não sabia se Liu Bo percebia, mas toda vez que se emocionava ou queria demonstrar humildade, trocava o “eu” formal por um “nós” campesino, de modo muito evidente.

— Bem... — fingiu hesitação novamente.

Liu Bo, vendo que havia esperança, apressou-se a brindar.

— Liu, Liu, minha resistência é limitada, não posso beber mais — disse Fang Zhuo, erguendo a mão.

Liu Bo riu alto e virou o copo de uma vez. Muitas de suas parcerias haviam sido seladas à mesa, e agora, ao se aproximar do irmão do diretor, sentia-se em terreno familiar.

Vendo isso, Fang Zhuo balançou a cabeça, ergueu o polegar e elogiou:

— Liu, que resistência admirável.

Talvez por causa daquele último gole, o irmão do líder demonstrou admiração. Suas próximas palavras fizeram o coração de Liu Bo acelerar.

— Veja só, por coincidência, meu irmão está com uma boa oportunidade em mãos. Posso compartilhar com você.

— Ele está cuidando de uma reestruturação de ativos.

— Normalmente, esse tipo de reorganização significa encontrar alguém para assumir ativos problemáticos.

— Mas, Liu, não sei se tem acompanhado os jornais: há uma fábrica de papel Xuan Hongxing...

Fang Zhuo falava pausadamente, como quem descasca uma cebola camada por camada, sem chegar ao núcleo, já fazendo Liu Bo se emocionar.

— Papel Hongxing? — Liu Bo não perdeu tempo, mesmo enquanto Fang Zhuo trocava o suco. — Essa fábrica faz papel? Dá lucro?

Fang Zhuo riu:

— Se desse muito lucro, seria considerado ativo problemático? Os jornais já noticiaram isso diversas vezes.

O álcool subiu à cabeça de Liu Bo, mas ele estava acostumado a pensar nesse estado. O que significava um ativo problemático?

— Talvez você ainda veja uma entrevista do meu irmão sobre o assunto nos jornais em breve. Lá dizem que não é fácil resolver — Fang Zhuo aproximou-se, abaixou o tom, e confidenciou: — Mas, na verdade, nos bastidores, a competição para assumir essa fábrica é acirrada.

Liu Bo pousou o copo e bateu na perna, entendendo por que não conseguia abrir portas: outros sabiam dessas notícias antes dele.

Notícias de jornal não se deve acreditar totalmente, mas as informações de bastidores, essas sim, são valiosas!

Fang Zhuo tomou outro gole de suco e calou-se, sorrindo.

Liu Bo brindou mais duas vezes o suco do irmão do líder.

Contudo, Fang Zhuo não demonstrou entusiasmo diante de tanta sinceridade e mudou de assunto, comentando sobre o desenvolvimento econômico do país e, ocasionalmente, sobre apreciação de bules de argila roxa.

Na verdade, em sua vida passada como exportador, Fang Zhuo adorava presentear amigos estrangeiros com artefatos nacionais. Eram baratos e elegantes – ainda que nem sempre fossem bem recebidos.

Liu Bo, cada vez mais embriagado, manteve a conversa por um tempo, até não aguentar mais.

Perguntou, então:

— Irmão Wan, já decidiu onde pretende se estabelecer agora que voltou?

Fang Zhuo sorriu e balançou a cabeça. A conversa avançava mais um passo. Esses empresários eram tão ágeis que três segundos de hesitação já lhes pareciam demais; não era preciso explicar tudo, eles próprios se adiantavam.

— Irmão Wan, que tal montarmos uma fábrica de ração aqui perto da capital? Você entra com a técnica, eu entro com o dinheiro — propôs Liu Bo com entusiasmo.

O sorriso de Fang Zhuo ficou um pouco mais forçado. A direção era correta, mas o conteúdo o surpreendeu.

Demorou alguns segundos para responder de modo adequado:

— Uma fábrica de ração, Liu, haha, você realmente gosta de brincar.

O coração de Liu Bo afundou; sua experiência de tantos anos não serviu de nada! O irmão Wan não queria uma fábrica de ração.

Fang Zhuo recompôs-se, deu um grande gole no suco e, com tranquilidade, disse:

— Não entendo nada de ração. Mas meu irmão sugeriu algo interessante: aqui em Luzhou falta uma empresa de consultoria de informações.

— Consultoria de informações? — repetiu Liu Bo, intrigado. — Para que serve isso?

— A economia está crescendo cada vez mais rápido, e as empresas são cada vez mais numerosas. Uma consultoria orienta, indica caminhos — explicou Fang Zhuo.

Liu Bo elogiou na hora:

— Excelente, irmão Wan, sua consultoria certamente vai dar certo. Fui precipitado, eu, um sujeito bruto, há tempos queria experimentar um setor promissor.

Sem hesitar, ofereceu-se:

— Irmão Wan, deixe-me investir nesse negócio. Alguém como você, que voltou do exterior, precisa ajudar empresários rurais como nós.

Fang Zhuo sorriu, ergueu o copo de suco para brindar: “Investir? Você só quer é dar dinheiro!”

Liu Bo virou mais uma dose de álcool e pensou consigo mesmo: “Consultoria de quê? Vocês dois querem é dinheiro.”