No ano 2000, os líderes bradavam slogans sobre o PIB, os empresários ainda se orgulhavam de andar acompanhados de suas secretárias, enquanto os aventureiros se ocultavam nas ondas tempestuosas da époc
O teto alternava entre tons amarelados e brancos, o corrimão exibia marcas de tinta descascada, os colchões carregavam o cheiro de suor, adesivos ultrapassados decoravam as paredes; era um mundo simplório, mas vibrante.
Ao abrir os olhos, Fang Zhuo precisou de cinco minutos para confirmar que havia retornado aos seus anos universitários, no terceiro ano, trazendo consigo memórias de uma vida marcada por tempestades. Ele estava novamente no limiar de setembro do ano dois mil, pronto para recomeçar.
Despertando de seu devaneio, agarrou o jornal e se agachou junto à porta, folheando-o com pressa.
A porta do dormitório se abriu, e Lin Cheng, seu colega de quarto, entrou carregando uma garrafa térmica. Com tranquilidade, preparou uma xícara de chá, mas logo percebeu o comportamento estranho do amigo.
— Ei, Fang, o que está fazendo aí? Não bagunce minhas coisas, ainda nem li o jornal que comprei.
— Daqui a alguns dias compro mais pra você, só preciso dar uma olhada primeiro — respondeu Fang Zhuo, sem virar a cabeça.
Lin Cheng ficou confuso:
— Você está lendo tudo de uma vez, procurando o quê?
— Dinheiro, dinheiro, dinheiro — repetiu Fang Zhuo, enfatizando a importância, e acrescentou melancolicamente: — Daqui a pouco minha prima vai ser internada, preciso de dinheiro.
Prima internada? Daqui a alguns dias? Vai ser transferida?
Lin Cheng pensou por alguns segundos, organizando as informações, e perguntou:
— Que doença? Doente, mas não é você quem tem que pagar, certo? E se falta dinheiro, por que está vasculhando