Vento de Informações

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2490 palavras 2026-01-30 12:47:04

Do ponto de vista de Fang Zhuo, o site de agendamento já cumpria o papel que ele esperava para uso pessoal. Nem precisava mencionar à tia que estava ganhando algum dinheiro com o serviço; bastava contar a ela sobre o grande sucesso do site. Claro, esse tal “sucesso estrondoso” talvez não fosse tão intenso na realidade, mas o nome já bastava para ser convincente.

Quanto à credibilidade disso, o importante era que todo mês havia uma quantia regular, nem tão grande nem tão pequena, destinada a despesas médicas — e, diante da gravidade dos tratamentos, isso era o que mais importava.

Já para o site de agendamento, enquanto produto que impulsionava pequenas mudanças nos detalhes da época, Fang Zhuo considerava alguns possíveis desfechos. O melhor seria, naturalmente, que o negócio crescesse sem parar, facilitando cada vez mais a vida de médicos e pacientes. O pior, segundo ele, seria garantir que não acabasse endividado.

Entre esses extremos, não importava se, dentro do país, surgissem concorrentes de todos os tamanhos ou se a influência do site se limitasse apenas a Lu Zhou; de todo modo, Fang Zhuo poderia aceitar qualquer desses cenários. Porém, ao se dedicar a um projeto, é claro que mirava o melhor resultado possível — queria alcançar um desfecho “perfeito”.

Agora, para alcançar o melhor, a conferência sobre desenvolvimento da internet em Lin’an era fundamental. Aquela seria a primeira vez que o site de agendamento se apresentaria diante de tantas pessoas e autoridades, e também a chance decisiva para, quem sabe, decolar aproveitando a maré.

Fang Zhuo já havia conversado com Yu Hong sobre as duas faces das políticas públicas, mas certas coisas só se compreendem plenamente pela experiência, não apenas pela fala. Assim como a geração dos anos 90 não consegue imaginar o quanto as pessoas eram fascinadas pela febre do qigong, ou como o sonho de sair do país era desejado — eles cresceram numa época em que a tecnologia, especialmente a internet, evoluía rapidamente e o país ganhava cada vez mais força.

Yu Hong, Zhou Xin, Su Wei — todos, recém-formados ou ainda na universidade, também não conseguiam sentir a força do “vento das oportunidades” de que Fang Zhuo falava. Nível um é vento, nível dez também é vento.

Entre o fim dos anos 90 e começo dos 2000, a onda dos computadores ganhou força com o famoso lema: “A popularização do computador deve começar com as crianças.” Só depois de muitos anos de esforço coletivo essa tendência se transformou em uma maré social.

Atualmente, o chamado dos ministérios para informatizar o país era uma prioridade administrativa ainda mais específica; isso estimulava o surgimento e crescimento de muitas empresas, mas também permitia que alguns, embalados apenas por conceitos e capital, se lançassem no mercado com disfarces.

Fang Zhuo sabia que esse “disfarce” não duraria muito. No final do milênio, ainda havia algum calor nessa onda para agarrar; mas, no ano seguinte ou no outro, quando a maré baixasse, a verdade viria à tona.

Se sua memória não falhava, dali a dois anos — em 2002 — o país lançaria o primeiro plano nacional de informatização, um projeto prioritário dentro do Plano Quinquenal, que ao mesmo tempo resumiria o passado e traçaria perspectivas para o futuro.

O objetivo de Fang Zhuo, agora, era aproveitar aquela conferência em Lin’an para se destacar e fazer com que os envolvidos na informatização do país vissem nele o jovem empreendedor inovador, alinhado às demandas e resultados práticos.

Seria difícil?

Sim. O maior desafio era não saber se as autoridades presentes na conferência seriam aquelas que ele esperava. O restante — até mesmo subir ao palco e discursar — eram meros detalhes.

O jantar num reservado, com seis pessoas ao todo, era para Fang Zhuo uma espécie de “alinhamento de expectativas”; se pudesse, teria feito algo mais grandioso, mas precisava economizar.

Quanto ao efeito real, pelo que observou, os cinco colegas apenas concordaram, um tanto confusos, com a necessidade de se esforçar ao máximo naquele momento.

Às nove da noite, o jantar terminou sem pratos extras — só quando o dono do pequeno restaurante entrou duas vezes para avisar. Como de costume, Song Rong levou Tang Shangde de volta na garupa da moto, enquanto os sócios da empresa passeavam e conversavam pelo campus da universidade.

No entanto, Zhou Xin, de tanto beber cerveja, logo sumiu por um canto do campus, vencido por uma vontade urgente. Yu Hong, que só molhou os lábios no álcool, não estava bêbada, mas falava sem parar, ora reclamando dos aborrecimentos com o hospital, ora se vangloriando da vitória sobre a administração.

Fang Zhuo e Su Wei, mais calados, trocavam poucas palavras — o primeiro, de vez em quando, fazia algum comentário espirituoso.

— Xiao Su, bebeu demais? Está tão quieta — disse Fang Zhuo, depois de andar um pouco e notar o ar distraído da professora.

— Pois é, Weiwei, o que houve? — Yu Hong, já ficando com sede de tanto falar, perguntou.

Su Wei balançou a cabeça e sorriu:

— Nada demais, só estava pensando em quão importante é essa conferência em Lin’an. Acho que você está levando muito a sério.

Fang Zhuo soltou um “hum” e respondeu:

— É como decidir se no futuro vamos usar sapatos de couro ou sandálias de palha. É mais ou menos esse o grau de importância.

— Tudo isso? — Yu Hong se espantou. — Vai ter muito investidor lá?

Fang Zhuo segurou o riso:

— Hm... talvez o maior de todos.

— Sério? — Yu Hong não entendeu de imediato, mas pensou nos nomes de grandes empresas estrangeiras.

No escuro, Su Wei lançou um olhar a Fang Zhuo.

Ele achou que a professora era mesmo perspicaz e foi direto ao ponto:

— Da última vez, na sua casa, você disse que não devíamos esperar por iniciativas de cima para baixo, mas sim agir de baixo para cima.

Yu Hong pensou um pouco e admitiu:

— É, mas isso não é possível.

— O importante é saber disso. O que quero agora é: a gente faz barulho → as autoridades percebem que o setor está alinhado ao desenvolvimento → quando eles agirem de cima para baixo, estaremos incluídos — explicou Fang Zhuo, organizando as ideias. — Se perdermos esse momento, talvez nem dez vezes mais barulho resolva no futuro.

Ele acrescentou:

— Nesse caso, seria melhor abrir uma rede de chá com leite.

— Se quiser que Hong nos convide para tomar chá, é só pedir — brincou Su Wei.

Yu Hong, no entanto, ficou pensativa: por que ele tem tanta certeza desse momento? Você não pode prever o futuro.

Perguntou:

— Você não disse que os ministérios estão promovendo a informatização? A internet é uma tendência. No futuro, não vai precisar de tudo isso também?

— O foco inicial e ser apenas uma onda no meio da maré são coisas muito diferentes — Fang Zhuo sorriu levemente, completando em pensamento: em breve, virá até um documento dizendo para “coibir firmemente o excesso da ‘onda da informação’”.

Se lembrava, mais ou menos, que naquele ano mesmo, o parque de software Top, que vestiu a fantasia do “vento da informação” como as novas roupas do imperador, desapareceu; e aquele famoso Song Ruhua, que se autodenominava o “Bill Gates chinês”, fugiu apressado para o outro lado do oceano.

Sim, aquilo era um vento torto da informação.

Eu quero é soprar o vento certo.

Mas, se não for agora, depois nem isso será permitido.

Fang Zhuo caminhava sob a noite, pensativo.

— E se a conferência não for como você espera? — perguntou Yu Hong.

— Podemos tentar comércio exterior, que tal? Também entendo um pouco disso — respondeu Fang Zhuo, primeiro sério, depois deixando a mente divagar. — Criar uma marca de chá também não é má ideia, de verdade, isso dá dinheiro. Ou então, colecionar antiguidades, negociar nozes... Enfim, oportunidades não faltam.

— Está brincando? — Yu Hong ficou surpresa.

Fang Zhuo sorriu, não respondeu diretamente, e disse:

— Xiao Yu, amanhã prepare para mim o contrato oficial entre a empresa e o Hao123, vou levar para Lin’an e assinar com o Diretor Li.

— Ah? Como sabe que ele vai a Lin’an? — perguntou Yu Hong.

Fang Zhuo respondeu como se fosse óbvio:

— Tenho ele no QQ, e além disso, a gente se dá muito bem conversando.