Progresso

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2448 palavras 2026-01-30 12:46:16

O céu de outono estava límpido e refrescante, com uma brisa suave e agradável. O humor de Ru Hong era tão bom quanto o tempo; ela montou em sua moto, estampada com o rosto do Soberano Supremo, e partiu diretamente para a Escola Técnica de Impressão de Luzhou.

Na última vez em que estivera ali, viera buscar Vivi; desta vez, vinha buscar a diretora.

Buzina, buzina, buzina.

Ru Hong avistou duas pessoas conversando enquanto caminhavam perto do portão lateral da escola e acenou com a buzina.

"Ei, ei, não buzina!", Su Wei ouviu o barulho e apressou-se por um atalho, gesticulando para que Ru Hong não fizesse mais barulho.

"O que foi? Está com medo de que os outros vejam?", Ru Hong riu alto, despreocupada. "Somos legais, está tudo regularizado, tenho o alvará de funcionamento na minha bolsa!"

Su Wei rangeu os dentes: "E para que você anda por aí com o alvará?"

"Por precaução, vai que precisa e não tem por perto", respondeu Ru Hong, virando-se para olhar para Fang Zhuo, que vinha lentamente, com o semblante carregado. "Xiao Fang, por que essa cara de preocupação?"

"Estou doente", respondeu Fang Zhuo.

Ru Hong se espantou: "Hã?"

"Doença de pobreza", suspirou Fang Zhuo.

Su Wei apressou-se em explicar: "Ontem, fomos jantar juntos e encontramos um jornalista. Perguntamos sobre os anúncios em jornais: custam milhares, dezenas de milhares, não temos dinheiro para anunciar desse jeito."

Fang Zhuo assentiu, concordando.

"Ah, era só isso?", Ru Hong não deu importância.

Fang Zhuo olhou de esguelha: "O que foi? A diretora Ru consegue dinheiro do nada?"

"Se eu sequestrar meu irmão, quem sabe consigo algum", brincou Ru Hong. "Quem tem dinheiro faz coisa de quem tem dinheiro; quem não tem, faz o que pode. Ficar invejando anúncio de jornal caro sem grana? Eu também acho bonito o comercial do canal central de TV."

Ela ironizou: "Por que você não pensa logo em juntar dinheiro para anunciar no programa do Ano Novo?"

Fang Zhuo refletiu: "Quanto será que custa um anúncio no programa de contagem regressiva do Ano Novo?"

"Este ano é da fábrica de remédios Hayaoliu, segundo nosso professor, custa na casa dos milhões", respondeu Ru Hong, batendo no ombro do chefe. "Xiao Fang, tem que se esforçar muito!"

Fang Zhuo sonhou acordado: naquela época, um comercial no programa do Ano Novo deveria alcançar pelo menos uns duzentos, trezentos milhões de pessoas. De repente, sentiu um ímpeto renovado: tendo conseguido voltar uma vez, como poderia não tentar nem mesmo isso?

"Xiao Ru, Xiao Su, programa do Ano Novo, no ano que vem... não, daqui a dois anos... não, daqui a três!", anunciou Fang Zhuo solenemente um futuro plano da empresa. "Vamos aparecer no programa também!"

Su Wei falou num tom de quem consola criança: "Tá bom, tá bom, programa do Ano Novo, programa do Ano Novo... agora vão pegar os panfletos prontos, vai."

O futuro era promissor, mas o caminho era tortuoso.

Fang Zhuo subiu calmamente na garupa da moto e tentou segurar-se à frente. Su Wei, atenta, rapidamente pegou o braço do colega: "O que pensa que está fazendo? Segure na parte da frente da moto."

"Xiao Ru, vamos lá, partimos agora!", exclamou Fang Zhuo, animado.

Ru Hong acelerou e, num instante, deixou a professora Su para trás no portão da escola.

Su Wei viu a moto se afastando, balançou a cabeça e voltou para dentro.

"Ei, vai devagar!", Fang Zhuo inclinou-se para frente, achando a velocidade excessiva.

"O que foi, está com medo?", Ru Hong diminuiu a aceleração.

"Claro, não estou no controle da moto, fico inseguro, é melhor ir devagar", admitiu Fang Zhuo.

Ru Hong gritou contra o vento: "Mas o site de agendamento está nas suas mãos, não se sente seguro com isso? Não queira abraçar o mundo de uma vez, vamos com calma."

Fang Zhuo pensou consigo mesmo: se nem pensar pode, qual seria a graça?

Ru Hong continuou: "Você não pediu para Zhou Xin e Song Rong irem ao Hospital acompanhar o retorno dos pacientes? Hoje de manhã eu passei por lá e vi que eles estavam super empolgados, ensinando com entusiasmo os familiares curiosos dos pacientes."

"Conseguiram ensinar mesmo?", perguntou Fang Zhuo.

"Na verdade, não é isso que quero te dizer. Quero dizer que Zhou Xin e Song Rong estavam realmente felizes e animados com essa tarefa", explicou Ru Hong, parando a moto à beira da estrada e falando em voz alta.

Fang Zhuo sorriu: "Eles são uns bobos."

"Sim, e se não fossem, por que estariam nessa empreitada com você?", respondeu Ru Hong, séria. "Mil e quinhentos é um bom dinheiro, claro, mas para dois alunos brilhantes da Universidade de Ciências e Tecnologia, especialmente Zhou Xin, que foi indicado para o mestrado direto pelo professor, eles tinham um futuro brilhante."

Fang Zhuo se surpreendeu, não havia pensado tanto nisso antes.

"Você diz que o site pode resolver problemas, que é um bom projeto de internet, e eles concordam. Acham mesmo que, passo a passo, pode melhorar certas coisas, por isso estão juntos nessa", Ru Hong só conseguia ver de relance o rosto de Fang Zhuo, mas esforçou-se para que ele percebesse sua sinceridade.

"Todos nós acreditamos que essa é uma iniciativa de progresso, e quem realmente precisa dela cedo ou tarde vai perceber isso. O negócio é seguir firme, sem pressa."

A garota virou-se para frente e perguntou: "Xiao Fang, entendeu? Tem algo que queira me dizer agora?"

Fang Zhuo ficou em silêncio por um momento.

Então, disse: "Posso segurar na sua cintura? Você dirige muito rápido."

Ru Hong por pouco não caiu da moto; silenciosamente, girou o acelerador.

A moto acelerou, e só um "tá, pode segurar" se perdeu no vento.

...

Ru Hong pilotava muito bem, e rápido. Fang Zhuo gostava.

Mais importante ainda: ela era uma ótima pessoa, e só assustava com a velocidade para, em seguida, diminuir discretamente.

Logo conseguiram pegar parte dos panfletos e materiais necessários para a divulgação.

Depois, Fang Zhuo levou Ru Hong a uma lan house.

No segundo semestre de 2000, as lan houses de Luzhou, ainda que não fossem poucas, estavam sempre cheias. Um computador era caro, o custo para usar a internet também não era baixo, mas, mesmo assim, havia muita gente disposta a pagar.

"O ar aqui é péssimo, pra que vir numa lan house?", Ru Hong entrou já franzindo o cenho — em casa, tinha computador, nunca ia nesses lugares.

"Aqui é a linha de frente da internet, temos que divulgar por aqui também", respondeu Fang Zhuo. "Ontem à noite registrei um e-mail e um QQ, mandei mensagem para portais perguntando o preço de anúncios, não sei se já responderam."

"Mas o que tem de bom para divulgar aqui?", Ru Hong olhou em volta: uns fumavam, outros comiam miojo, outros jogavam.

"Essas pessoas conhecem muito bem a internet, Xiao Ru. Não subestime as lan houses. Hoje vamos observar quais são os sites mais usados na linha de frente, já que não temos dinheiro, precisamos investir com precisão", explicou Fang Zhuo.

Ru Hong fez uma careta: "Você acha que alguém vai marcar consulta médica numa lan house?"

"Quando alguém da família adoece, muitos correm para o hospital durante a noite. Gasta alguns minutos na lan house para agendar, é tão difícil assim? Onde está a linha de frente da internet, nosso site de agendamento deve estar lá também", Fang Zhuo foi passando pelos corredores, vendo telas com jogos como 'StarCraft' e 'Age of Empires'.

De repente, parou, fixando o olhar na tela de um computador recém-ligado, onde o navegador estava aberto.

"O que foi?", Ru Hong acompanhou o olhar de Fang Zhuo.

"hao123", respondeu Fang Zhuo.

Ru Hong não entendeu: "O quê?"

"Achamos um ótimo alvo para investir", afirmou Fang Zhuo, convicto.