048 Grande Aula (Peço Recomendações)
— Xiao Zhou, em um ou dois dias, a nossa empresa estará oficialmente registrada. Você acha que precisamos de um escritório? Parece mais formal.
— Para mim tanto faz. Contanto que tenha computador, sala de servidores e salário, o resto não importa.
Pois é, Fang Zhuo percebeu rapidamente que conversar sobre assuntos administrativos da empresa com o supervisor Zhou era um erro.
— Então, daqui a pouco vamos chamar Song Rong, nós três levamos dois computadores para o Primeiro Hospital Afiliado. À tarde, vamos procurar duas impressoras usadas. Com sorte, hoje não teremos nenhum problema com o hardware — corrigiu Fang Zhuo, mudando de assunto.
— Fang, você comentou da máquina de agendamento da última vez. Quando vamos cuidar disso? — Zhou Xin lembrava-se muito bem dessas coisas. Apesar de seu foco ser internet, ele tinha bastante interesse por hardware também.
Fang Zhuo pensou um pouco e respondeu:
— Isso precisa ser encomendado de fábrica. Acho melhor esperarmos até integrarmos todos os hospitais de referência de Lushan para, então, procurar os fabricantes de hardware. Tecnicamente, não deve ser difícil.
— Quantos hospitais de referência tem em Lushan? — perguntou Zhou Xin.
— Oito — já tinha feito um levantamento de dados —. O Primeiro Afiliado já está praticamente integrado. Ele e o Hospital Provincial são os melhores de todo o Estado de Anhui. Vamos usar o Primeiro Afiliado como exemplo para negociar com o Provincial.
E completou:
— Resolvidos os dois melhores, usamos isso nas negociações com os outros seis.
— Tranquilo. Mesmo se vierem mais hospitais, nosso servidor aguenta — calculou Zhou Xin mentalmente, achando tudo bem administrável.
Fang Zhuo sugeriu uma nova ideia:
— Sobre o Hospital Provincial, por que não pergunta ao seu orientador se ele tem algum contato por lá?
— Hã? — Zhou Xin estranhou o pedido —. O professor Liang é de computação, Fang. Como ele teria contatos em hospital?
— Não tem problema, só tenta perguntar. Eu te ensino: diga que somos uma empresa de ex-alunos e veja se conseguem algum apoio do hospital. Depois, quando estivermos consolidados, a empresa de ex-alunos vai retribuir à universidade.
Zhou Xin ficou sem reação.
Jovens honestos sempre hesitam em incomodar os outros, especialmente se o pedido parece improvável.
Fang Zhuo franziu a testa:
— Você não confia em você ou não confia em mim? Estamos prestes a integrar o Primeiro Afiliado! Mesmo que não haja grandes retornos, pelo menos facilitará para quem precisa de atendimento, não?
— ...Eu pergunto, eu pergunto — Zhou Xin respondeu com um sorriso forçado.
Só então Fang Zhuo ficou satisfeito.
Na verdade, ele também não sabia se algum professor da Universidade de Ciência e Tecnologia teria contato, mas na noite anterior, antes de dormir, lembrou-se de algo: cerca de dez anos depois, o Hospital Provincial, um dos melhores do Estado, mudou de nome.
Passou a se chamar Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Ciência e Tecnologia, numa grande parceria.
Claro que, com tanto tempo pela frente, não sabia se as relações pessoais atuais serviriam de algo, mas não custava tentar.
— Olha essa sua cara de quem comeu jiló, parece que perguntar algo é um martírio.
— Professor Liang, certo? Ele não convidou a gente para a aula magna? Eu pergunto antes, você aproveita a oportunidade e pergunta também. Assim não tem erro, né? — ponderou Fang Zhuo, levando em conta as habilidades sociais do bom aluno.
Zhou Xin ficou claramente mais aliviado.
— Vamos lá. Ontem você disse no telefone que encontrou aquela jovem repórter, né? Então hoje não vai ter café da manhã entregue para ninguém. Melhor irmos ao refeitório comer alguma coisa — disse Fang Zhuo, sorrindo ao ver o ambiente animado do campus.
— Fang, está arrependido? — Zhou Xin tentou adivinhar o humor do amigo.
Fang Zhuo riu às gargalhadas.
Zhou Xin ficou confuso.
Fang Zhuo não respondeu à dúvida do supervisor. Certas experiências só convencem quem as vive. Talvez Xiao Zhou nunca entendesse o que significa receber a iniciativa de uma garota.
Tomaram café da manhã no refeitório da Universidade de Ciência e Tecnologia. O sabor era igual ao da vez anterior, o que provava que o calor das mãos da menina não tornava a comida mais gostosa.
Às oito e cinquenta da manhã, Fang Zhuo, Zhou Xin e Song Rong, carregando os computadores, pegaram um táxi até o Primeiro Hospital Afiliado.
Com o apoio do setor médico e a ofensiva das frutas da última visita, não tiveram nenhum obstáculo para instalar os computadores no saguão. De vez em quando, uma enfermeira parava para observar, curiosa, o trabalho dos três.
Ou melhor, dos dois.
Zhou Xin e Song Rong cuidavam da instalação, enquanto Fang Zhuo conversava com as enfermeiras — o que não podia ser subestimado: no futuro, seriam elas que cuidariam dos computadores e impressoras.
Divisão de tarefas clara, cada um no seu papel.
Na hora do almoço, Fang Zhuo instruiu os dois técnicos a comprarem frutas e se familiarizarem com o pessoal. Ele mesmo percorreu quase meia rua até achar, coisa rara em outubro em Lushan, melancias vindas do norte.
Escolheu duas, reforçou o saco plástico e voltou ao hospital.
— Irmã Liu, melancia! Escolhi especialmente, nem precisa cortar, está docíssima — disse, sorridente, largando as melancias na bancada do balcão de informações.
— Olha só, tua língua é mais doce que a melancia — brincou a enfermeira Liu, sem recusar, mas intrigada —. Ontem dei uma volta e não vi nenhuma banca de frutas com melancia.
— Pois é, só encontrei porque passei de bicicleta outro dia. Até aprendi a escolher: essas têm a casca bem definida, o cabinho é curvado, e esse ponto mais fino aqui, é o mais doce — Fang Zhuo girou a melancia, exibindo seu conhecimento.
— Tá bom, tá bom, sei que você, Xiao Fang, é atencioso — elogiou Liu —. Ainda estudante e já tão diferente dos outros dois bobões.
Fang Zhuo falou sério:
— Não subestime os dois, irmã Liu. São excelentes alunos, dominam tecnologias que eu nem entendo. Coisas como escolher melancia, eles até aprendem, mas programar sites, isso eu não consigo.
— Humilde, hein. Já está namorando? — ativou seu instinto de casamenteira.
Impassível, Fang Zhuo respondeu:
— Minha família é tradicional, tenho noivado arranjado desde criança.
— Em pleno século XXI? — Liu desconfiou —. Aqui no hospital tem enfermeiras lindas. Se gostar de alguma, fala comigo, que te apresento.
Fang Zhuo juntou as mãos num gesto de súplica:
— Irmã Liu, se algum paciente vier usar o computador para tirar senha, por favor, explique para eles como funciona. Prometo trazer melancia toda semana para vocês!
Liu riu até as rugas dos olhos se destacarem:
— Tá bom, tá bom, sei que é coisa do seu negócio.
Depois de mais um tempo de conversa, Fang Zhuo foi com os dois técnicos procurar impressoras usadas.
No mercado, não foi difícil encontrar; os vendedores ainda fizeram a entrega no hospital, o que poupou bastante trabalho.
— Fang, dá para ativar amanhã? — Zhou Xin e Song Rong estavam animados a caminho de casa.
Fang Zhuo respondeu com calma:
— Ativar como? Espera os materiais de divulgação ficarem prontos, senão ninguém vai usar. Não adianta ativar só para bonito. Calma, ainda preciso conversar com a Yu sobre a divulgação.
— Tudo bem, estamos prontos para qualquer coisa — Zhou Xin mostrou rara esperteza.
— Ótimo, afinal, todas as coisas da internet precisam chegar nas pessoas — concordou Fang Zhuo.
— A propósito, Fang, não esquece: amanhã, às três da tarde, tem a aula magna do professor Liang — lembrou Zhou Xin.
Fang Zhuo sorriu:
— Não vou esquecer, ainda quero aproveitar um pouco o professor Liang.
Zhou Xin assentiu várias vezes:
— Até amanhã à tarde, Fang.
...
No dia seguinte, às duas e cinquenta, Fang Zhuo, Zhou Xin, Song Rong e Yu Hong, levando os documentos da empresa, se encontraram antes de entrar juntos na maior sala multimídia da Universidade de Ciência e Tecnologia.
Assim que entraram, Fang Zhuo viu que o auditório estava lotado, com pelo menos trezentos ou quatrocentos estudantes, professores na penúltima fila e uma câmera ao fundo.
— Caramba, perdoa minha ignorância, eu não sabia que a aula magna de vocês era assim... — Fang Zhuo ficou meio atordoado.