047 Algumas Pequenas Coisas (Peço Recomendações)

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2479 palavras 2026-01-30 12:45:35

Naquela noite, Wei Zhen, estudante de Estatística, retornou ao dormitório com um ar abatido e desanimado.

— Zhenzhen, o que houve? Seu crush foi visto de mãos dadas com uma caloura ou abraçando alguma veterana? Olha só essa sua cara! — brincou Hu Wenyu, sua colega de quarto, ciente da paixão que Wei Zhen vinha nutrindo por um veterano nos últimos dias.

Em outras ocasiões, Wei Zhen teria respondido com uma provocação ou uma análise fria e lógica. Mas, naquela noite, limitou-se a arrastar um banquinho e sentar-se junto à janela da varanda.

— Ué, será que ele realmente trocou você por outra? — Hu Wenyu percebeu que algo estava errado e sentou-se ao seu lado, preocupada.

Wei Zhen suspirou profundamente.

— Não é isso… Ele nem sequer é da nossa universidade.

Ela balançou a cabeça e continuou:

— Talvez sejamos de mundos diferentes.

— Mas, espera… No jornal da universidade diziam que aquele projeto de empreendedorismo era feito pelo pessoal daqui, não era? Como assim não é mais? — Hu Wenyu ficou surpresa.

Wei Zhen buscou na memória a primeira vez em que o havia entrevistado na sala multimídia. Sua expressão se acalmou um pouco e ela explicou, de forma mais racional:

— Alguns são da nossa universidade, outros não. Fiquei tão encantada com a aparência dele que nem perguntei direito. Achei que todos fossem daqui.

— De onde ele é, então? Mesmo que não seja da nossa, Anhui não é ruim. Ou será que é da Universidade Tecnológica de Lu? Mas lá também é boa, é de exatas… — arriscou Hu Wenyu.

Wei Zhen respondeu, um pouco irritada:

— Não, é uma escola técnica de artes gráficas, um curso profissionalizante.

Hu Wenyu alongou o “ah” e, pesarosa, disse:

— Aí complica… Melhor esquecer. Outro dia te apresento um calouro fofinho do nosso grêmio estudantil, ele também é bem bonito.

Wei Zhen olhou para o céu escuro além da varanda e balançou a cabeça.

— Deixa pra lá. Melhor focar no mestrado ou pensar em estudar fora.

Ela desabafou, um tanto magoada:

— Bonito ele é, mas beleza não sustenta uma vida inteira.

Hu Wenyu concordou, balançando a cabeça.

Naquela mesma noite, na mesma cidade, mas em outra universidade.

Fang Zhuo só voltou ao dormitório por volta das dez e meia. Ao entrar, percebeu que Lin Cheng ainda estudava à luz do abajur, e notou várias notas de dinheiro sobre sua escrivaninha.

— Zhuo, chegou? — Lin Cheng fechou o livro, cumprimentando o amigo.

— Uhum. E aí? Foi ao hospital de novo? — Fang Zhuo tirou o casaco, lançando um olhar às cédulas.

Lin Cheng assentiu.

— Notei que de tarde aparecem mais familiares de pacientes na patologia. Passei lá duas tardes e metade do que está aí é o que recebi. Já te falei que dividiria contigo.

Fang Zhuo sorriu de leve.

— Nem fui lá, pra que dividir? Fica com o dinheiro pra você.

Lin Cheng levantou-se, pegou o dinheiro da mesa e insistiu:

— Não, você que me ensinou como ganhar. E com o que está acontecendo na sua família, se você tivesse dinheiro, tudo bem, mas tem que aceitar.

Fang Zhuo rebateu sem hesitar:

— Não quero, de verdade. Tenho dinheiro, fica com isso.

— Para de mentir! Tem dinheiro? Então me mostra. Quero ver se tem quinhentos no bolso agora. — Lin Cheng não acreditou.

Fang Zhuo mudou um pouco de posição, desviando o olhar do armário onde guardava as economias. Ficou alguns segundos em silêncio e, sem dizer palavra, pegou o dinheiro das mãos do amigo.

Lin Cheng sorriu, satisfeito.

— E aí, como estão os estudos? — Fang Zhuo tossiu, sentindo que, depois de aceitar o dinheiro, deveria demonstrar algum interesse.

— Muito bem, melhor que nunca — respondeu Lin Cheng, animado. — De qualquer forma, se eu não passar, posso te acompanhar nos hospitais pra pegar laudos pra outras pessoas.

Fang Zhuo coçou a cabeça.

— Ótimo, assim você aproveita pra treinar lidar com as pessoas. Isso é importante.

Lin Cheng riu e sentou novamente.

— Primeiro, foco nos exames.

Fang Zhuo percebeu que o amigo tinha mudado de atitude, demonstrando uma maturidade diferente da vida passada.

Como se diz? O dinheiro é o que dá coragem ao homem.

Com coragem, não importa o que aconteça, não há receios. Se não passar, vai trabalhar e pronto. Medo de quê?

Enquanto lavava o rosto, Fang Zhuo refletiu que a empresa realmente precisava de gente. Se Lin Cheng não passasse, poderia mesmo ajudá-lo.

Atualmente, o contato com os hospitais exigia alguém para fazer as visitas. O ideal seria Yu Hong cuidar disso, mas ela ainda precisava se dedicar à universidade.

Afinal, ela recebia apenas uma ajuda de custo, não um salário. Não seria justo exigir tanto.

Fang Zhuo torceu a toalha, observando a água pingar na bacia, e tomou uma decisão difícil: não era hora de sentimentalismos, era melhor deixar a própria Yu Hong escolher.

— Zhuo, aquele novo projeto que você disse que ia tocar, sobre o que é? — perguntou Lin Cheng, folheando o livro.

Fang Zhuo ia responder quando o celular tocou. Era uma ligação de Zhou Xin.

Ele fez sinal para Lin Cheng esperar, atendeu e ouviu algumas instruções do outro lado.

— Ah, sim, tudo bem, é só uma palestra, tranquilo.

— Um fórum de desenvolvimento da internet em Lin’an? Quem vai estar lá? Alguém com sobrenome Ma? Não sabe? Ok, não esquece de agradecer ao seu orientador.

Fang Zhuo desligou e, sem responder ao amigo, pegou o caderno e anotou algumas palavras-chave.

Talvez fosse cedo demais. Se a empresa conseguisse integrar todos os hospitais de Luzhou, teria mais impacto quando fosse exposta ao público pela primeira vez.

Mas oportunidades não dependem só de nós; quando aparecem, o melhor é agarrá-las.

— Lin, conhece Song Ruhua? — Fang Zhuo, olhando para o caderno, perguntou, sorrindo.

— Não, quem é? — Lin Cheng respondeu, intrigado.

Fang Zhuo explicou, tranquilo:

— Ele inventou o conceito de parque tecnológico no Oeste, sem nenhuma base, e em dois meses o projeto já estava nos planos nacionais, recebendo incentivos e prêmios.

— No Oeste, sem mão de obra qualificada nem tecnologia, só na conversa de alta tecnologia… Tem muita gente que não entende, mas acha que é possível.

— Não é meio viagem?

— Quem sabe um dia eu o conheça.

Lin Cheng achou o relato familiar, lembrando de ter lido algo sobre um parque tecnológico no jornal. Perguntou qual era, mas Fang Zhuo não respondeu.

Pegou o caderno de exercícios e, murmurando "Parque Tecnológico Satélite", deu o assunto por encerrado.

E assim terminou a noite.

No dia seguinte, Fang Zhuo acordou animado e foi à Universidade de Ciências e Tecnologia primeiro, pensando se seria preciso alugar um escritório para servir de base.

— Xiao Zhou, seu professor gosta mesmo de você, hein? Até arrumou o laboratório de informática pra você, né? — disse Fang Zhuo ao encontrar seu chefe de tecnologia.

— Sim, ele quer que eu entre no mestrado orientado por ele — respondeu Zhou Xin.

Fang Zhuo sorriu.

— Entendi. É o tratamento diferenciado pra bom aluno, já vi muito disso desde pequeno.

— O professor Liang é muito bom pra mim, então… Ele pediu que a gente desse uma palestra como estudo de caso na aula magna, não consegui recusar — explicou Zhou Xin, um tanto sem graça.

— Não tem problema, é só uma aula, nada demais — tranquilizou Fang Zhuo.