Repreensão
— Como vocês vão resolver isso agora?
— Este pede dez mil emprestado, aquele também, como podem usar o dinheiro do meu tio?
— Essa doença tem cura? No fim, não sobra nada, como vamos viver depois?
A velha senhora falava cada vez mais alto.
Fang Zhuo, com o cenho franzido, aproximou-se, claramente aborrecido. Ele viu aquela tia, com quem não tinha muita intimidade, repreendendo seu tio Zhao Yiqiang.
A velha insistia, e mesmo ao ver Zhao Shumei e Fang Zhuo se aproximando, não calou a boca:
— Não é que não vamos tratar a criança, mas agora não adianta tratar!
— Jogar dezenas de milhares de reais nisso é como atirar água no chão, o dinheiro some, e depois, como é que se vive?
O tio Zhao Yiqiang apertava as mãos, batendo-as contra a parede. Fang Zhuo sentia a raiva crescer, mas manteve o controle:
— Tia, não se pode falar assim, Qiqi ainda está deitada na cama, não é hora de discutir se trata ou não!
A velha apenas lançou um olhar de lado, continuando a falar com Zhao Yiqiang:
— O médico já disse que o tratamento é difícil, se você não pensa em si, ao menos pense na minha irmã!
— Qiqi não é filha do tio? — Fang Zhuo não sabia se essa discussão já tinha acontecido na vida passada, mas tinha certeza de que o tio escolheria continuar o tratamento, e as palavras da tia o irritavam profundamente.
— O tio e a tia só têm essa filha. Não tratar, como podem? Iriam se arrepender para sempre. — Fang Zhuo deu um tapinha no ombro do tio.
A velha torceu o rosto:
— Tratar pode curar? Que doença é essa? Vocês sabem o que é leucemia? Se a menina não resistir, aproveitem para ter outra enquanto podem, como vão viver?
— Como vão viver, como vão viver... A vida deles precisa que você fale tanto? Quanto você gastou no tratamento de Qiqi? Se o tio quiser tratar a filha, trata. Se ele não quiser, eu trato. — Fang Zhuo respondeu friamente.
A velha hesitou, apontando para Zhao Shumei, que não intercedia pelo filho, e repreendeu Fang Zhuo:
— Você come e bebe do seu pai e mãe, vai tratar o quê? Que falta de juízo!
Fang Zhuo percebeu o motivo, virou-se e puxou o braço do tio, perguntando:
— Quanto você pediu emprestado a ela?
O tio Zhao Yiqiang não respondeu.
A velha ficou agitada:
— Que conversa é essa!
Fang Zhuo insistiu:
— Ela emprestou dinheiro para salvar vidas?
O tio balançou a cabeça lentamente.
— Vamos, tio, não há nada mais a dizer, é perda de tempo. — Fang Zhuo percebeu algo fundamental e não queria desperdiçar nem um minuto.
O dinheiro, pouco ou muito, não era o problema, mas se alguém não abre nem o bolso numa hora dessas, ainda vale a pena conversar?
Era a sobrinha dela.
Falava que pensava no futuro dos outros, mas ignorava as dificuldades tão próximas, quem não sabe falar bonito?
Se for para usar palavras, minha habilidade já fez empresários famosos abrirem a carteira!
Fang Zhuo puxou o tio com firmeza e o levou adiante.
Zhao Yiqiang começou hesitante, mas após alguns passos, firmou-se.
— Tratar, tratar, com que dinheiro! — o grito agudo da velha fez todos no corredor olharem — Não é tudo para o bem de vocês!
Fang Zhuo sentiu o braço do tio tremer.
Sua raiva explodiu, ele parou, virou-se para encarar a tia com fúria.
Soltou o braço do tio, jogou a mochila no chão.
Quase arrebentou o zíper, tirando com cada mão um maço de dinheiro do interior.
— Pá, pá.
Ele bateu o dinheiro no ar:
— Com que tratar? Com isso! Qiqi cresceu comigo. Mãe, o tratamento está decidido, eu que digo!
Fang Zhuo jogou o dinheiro de volta na mochila e, furioso, puxou o tio pelo corredor.
Zhao Shumei permaneceu calada, apenas franziu o cenho quando o filho usou palavrões em dialeto. Olhou para a irmã do marido, mas sem dizer nada, foi atrás do filho e do irmão.
Dois minutos depois, Zhao Shumei puxou a orelha do filho.
— Como você fala com sua tia assim?
— E o dinheiro da escola, vai deixar na mochila? Não tem medo de perder?
Ela o repreendeu.
— Ei, mãe, se achou que eu estava errado, devia ter falado na frente da tia!
— E puxar minha orelha atrás?
Fang Zhuo respondeu com firmeza.
Zhao Shumei resmungou, fechando o zíper da mochila do filho.
Depois, falou seriamente ao irmão Zhao Yiqiang:
— Qiqi precisa ser tratada, até quando der. Ela é minha sobrinha, é sobrinha do meu marido, eu penso assim, ele também.
Fang Zhuo rapidamente acrescentou:
— Tio, eu também penso assim.
— O que os outros dizem não importa agora. — Zhao Shumei afirmou — O negócio do Xiao Zhuo está indo bem, esse dinheiro é do apoio da escola e dos parceiros para abrir a empresa. Quando a empresa crescer, seu sobrinho pode ganhar mais.
— Não perguntei ao meu marido, ele mesmo disse ontem: se for preciso, vende o caminhão. Somos uma família, aconteça o que acontecer, enfrentamos juntos.
Enquanto pensava na sobrinha ainda deitada na cama, Zhao Shumei respirou fundo e determinou:
— E outra, não chame mais ninguém da cidade, não ajudam e só falam demais. Alguns só querem ver o espetáculo.
— Certo, irmã. — Zhao Yiqiang enxugou as lágrimas — Vamos tratar!
…
Fang Zhuo saiu do hospital rumo à Universidade de Ciência e Tecnologia, com o coração dividido entre o bem e o mal. O motivo disso tudo foi que o médico achava o resultado da primeira fase da quimioterapia pouco animador.
Isso significava pensar antes nas próximas etapas do tratamento, e preparar mais dinheiro.
Às duas da tarde, no refeitório antigo da universidade, Yu Hong e Zhou Xin já estavam lá, enquanto Su Wei não pôde vir por causa das aulas.
Pum, pum, pum.
Fang Zhuo colocou três maços de dinheiro sobre a mesa, falando direto:
— O capital para registrar a empresa é só esse por enquanto, apoio da família.
Yu Hong ficou surpresa:
— Sua família é bem aberta, guarde logo, está parecendo briga.
— Hmm… — Fang Zhuo controlou as emoções trazidas do hospital, resumindo os avanços: só faltava definir o nome para aguardar o registro.
— Se queremos que muita gente conheça, é melhor usar o nome do site. — Yu Hong sugeriu.
Fang Zhuo olhou para Zhou Xin:
— Zhou, acha que pode ser?
Zhou Xin pensava, respondeu educadamente:
— Está bom.
— Ótimo, está decidido, o nome será Tecnologia Rede de Agendamento da Província Anhui Ltda. — Fang Zhuo passou ao próximo ponto — Quanto à divisão de ações, eu fico com sete, vocês três com uma cada. Alguma objeção?
Zhou Xin mal teve tempo de pensar, ouviu sobre as ações e ficou vermelho, constrangido como estudante: falar de dinheiro… de ações… tão direto.
— Por ora, é isso, mas precisamos deixar espaço para futuros investidores. Os detalhes devem passar pelo advogado. — Fang Zhuo olhou para Zhou Xin e Yu Hong.
— O projeto é seu, o dinheiro também, já é muito. Se não der certo, ou se eu não quiser participar depois, abro mão das ações. — Yu Hong foi prática.
— Ações de empresa fracassada não valem nada. — Fang Zhuo voltou-se para Zhou Xin — Zhou, concorda?
Zhou Xin assentiu:
— É, tudo bem.
Fang Zhuo marcou no caderno e perguntou:
— Zhou, como está o desenvolvimento do site e do aplicativo? Eu não entendo, diga o que achar melhor.
— Tem uma coisa… Eu chamei alguns colegas, no início estavam animados, depois… depois… — Zhou Xin hesitou — Acho que meu orientador, Yu Pu, está recrutando gente para o projeto do clube de informática, agora só ficou um colega da turma ao lado.
Fang Zhuo ficou surpreso:
— Vocês não se dão bem?
— Achei que sim, mas agora talvez não seja como imaginei. — Zhou Xin respondeu, meio engasgado.
Yu Hong levantou-se:
— Yu Pu é assim mesmo?
— Bem, deixe ele pra lá. — Fang Zhuo achou estranho, pensou um pouco — Converse mais, fale sobre a remuneração: mil e quinhentos por mês, provisoriamente. Ah, além das ações, vamos fixar o reembolso de transporte em oitocentos por mês para nós quatro.
— Está ótimo, usa o que precisar. — Yu Hong respondeu sem hesitar, não era alguém que precisava de dinheiro.
Zhou Xin hesitou, falou baixo:
— Posso abrir mão das ações… e receber mil e quinhentos por mês?
Fang Zhuo recostou-se, surpreso: afinal, era falta de dinheiro ou não acreditava no futuro da empresa…