010 Usando Dinheiro

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2733 palavras 2026-01-30 12:41:13

O quão revigorante pode ser o frescor outonal? Será que poderia se comparar ao seu próprio estado de espírito, tão leve e feliz? Banho de sol, passos tão leves quanto se caminhasse pelo ar, assim retornava à escola, sentindo-se cada vez mais relaxado à medida que se afastava da cena dos acontecimentos. No entanto, mesmo relaxado, mantinha o hábito de refletir sobre a experiência, para que, numa próxima vez... não se encontrasse em posição passiva, sendo apenas um coadjuvante numa vitória mútua.

Nestes últimos dias, salvo por momentos cruciais de tensão, seu estado geral era de tranquilidade, mostrando plenamente à turma do ano 2000 o vigor dos trabalhadores do futuro. Quanto àqueles dois parceiros, ambos colheriam os frutos esperados: Chen Shuhu resolveria um problema de trabalho, enquanto Liu Bo aguardaria tranquilamente a valorização de um terreno. Ambos satisfeitos, uma situação em que todos ganham.

Quanto a si mesmo, nem sequer sentia que estivesse ludibriando alguém: Liu Bo forneceu o capital para a fundação da consultoria, e o que fazia naquele momento era exatamente o papel que uma empresa de consultoria devia desempenhar. A única imperfeição era que a empresa não estava oficialmente registrada. Mas, afinal, até uma consultoria informal ainda é uma consultoria — o que importa não é a propaganda, mas sim o resultado!

Com um assobio, olhou ao longe o portão da escola. Se não fosse pela urgência do dinheiro, talvez essas idas e vindas já bastassem para abrir uma consultoria, e mesmo que não pudesse desfrutar do melhor, ao menos poderia saborear um pouco do caldo. Mas agora não era possível: o registro revelaria sua identidade real, e sem respaldo, ninguém confiaria. O hábito faz o monge, e o ouro faz o santo. Quando as mesmas palavras vêm de um irmão de um dirigente e de um estudante do terceiro ano, o efeito é totalmente diverso; o primeiro pode ganhar três vasos de barro, o segundo, talvez apenas três maços de cigarros.

No entanto, para Liu Bo, isso pouco importava. Ele só queria entregar o dinheiro de maneira adequada.

À medida que se aproximava da escola, seus passos tornavam-se menos leves e mais pesados. Mais uma vez, advertiu-se de que não haveria próxima vez: esse não era o modo correto de construir fortuna naquela época; fazia o que precisava por necessidade.

— Ei, Fang Zhuo, por onde andou esses dias? Vamos jogar bola? — assim que entrou pelo portão, foi saudado por um colega.

Carregando sua bolsa, recusou com calma. Quando retornou ao dormitório, não havia ninguém. Guardou a bolsa no armário, retirou um maço de dinheiro, escondeu a bolsa sob as roupas e só então sentiu-se seguro.

Agora, um novo problema surgia: como usar aquele dinheiro? Depositar tudo assim, diretamente no banco, estava fora de cogitação. Embora Liu Bo e Chen Shuhu tivessem testemunhado o acordo, não havia garantias para o futuro. Depositar uma grande quantia em uma conta com nome verdadeiro era arriscado, especialmente naquela cidade do interior, bem diferente das regiões costeiras desenvolvidas.

Também não podia simplesmente levar tudo ao hospital. Não tinha como explicar à família a origem daquela quantia. Era necessário criar um processo legítimo para usar o dinheiro — o famoso “lavar”...

De repente, a porta do dormitório foi escancarada com um chute!

Fang Zhuo ficou tenso, sentado na cama, sentindo que aquela última palavra de seu pensamento desaparecia como se tivesse sido atingida em cheio.

— Caramba, Fang! Você voltou! — seu colega Lin Cheng, carregando uma bacia cheia de roupas, exclamou surpreso.

— Que susto, quase me matou do coração! — Fang Zhuo soltou o ar devagar. — Seu chute quase fez meu fígado saltar!

Lin Cheng largou a bacia, coçou a cabeça: — Eu tinha certeza de que tinha trancado a porta. Volto e vejo que não está mais trancada.

Logo, olhou com estranheza: — O que aconteceu com seu cabelo? Parece que um cachorro roeu! Tá horrível.

Fang Zhuo deu de ombros. No caminho de volta, tinha comprado uma tesoura numa lojinha e foi cortando o cabelo enquanto andava; depois jogou a tesoura no rio. O corte, por sua vez, ficava ao acaso.

Se no passado se cortava o cabelo para não perder a cabeça, agora Fang Zhuo mudava o visual para não ser reconhecido. Com esse novo estilo e evitando aqueles dois, quem ainda o reconheceria?

Se reconhecessem, ele mesmo saltaria no rio Nanféi naquele instante!

— Ah, lembrei! Vai logo para o hospital! Sua mãe veio à escola atrás de você. Sua prima já está internada! — Lin Cheng, lembrando do motivo principal, apressou-o.

Fang Zhuo respirou fundo, pegou o casaco e saiu: — É no Primeiro Hospital?

— Isso, é lá. Eu disse para sua mãe que você estava viajando. — respondeu Lin Cheng, meio sem jeito.

Fang Zhuo assentiu. Não estava tão ruim, só teria que ouvir algumas broncas.

Lin Cheng ainda gritou, vendo-o sair: — O orientador também está atrás de você! Faltou muitas aulas esses dias!

— Não pedi para você me ajudar com isso? O que disse para ele? — Fang Zhuo queria alinhar as versões.

— Disse que você estava viajando. — repetiu Lin Cheng, agora com mais convicção.

Fang Zhuo quase tropeçou. Que desculpa inesperada.

Virando-se, perguntou: — Tem mais alguma novidade?

— Só isso. Sua mãe pediu que fosse avisado imediatamente quando você chegasse, porque sua prima não está bem. — disse Lin Cheng.

O coração de Fang Zhuo apertou. Apressou-se para fora do dormitório, indo direto ao portão da escola.

A Escola Técnica de Impressão de Luzhou ficava no subúrbio sul, longe do centro e de difícil acesso até para táxis. O único ponto positivo era a vista agradável e, de vez em quando, a aparição de coelhos selvagens.

Com uma fortuna no bolso, Fang Zhuo esperou dez minutos sem ver sequer um táxi. Por sorte, avistou um rosto conhecido chegando de bicicleta. Sem hesitar, aproximou-se e, rapidamente, pediu: — Professora Su, empresta sua bicicleta para mim! — e, logo em seguida, cobriu o rosto, subiu e saiu pedalando.

Su Wei, com seu sorriso gentil de professora, nem teve tempo de reagir; viu apenas sua bicicleta e um aluno desaparecerem juntos.

Seria esse o jeito de pedir uma bicicleta emprestada? Ao menos poderia ter dito de que turma era!

Recém-chegada à escola em setembro, Su Wei hesitou um instante e, olhando para o vazio, murmurou: — Certo, mas não esqueça de devolver.

O silêncio respondeu.

Su Wei segurou a bolsa e entrou no portão.

— Boa tarde, professora Su! — alguns alunos já conhecidos a cumprimentaram.

Ela sorriu e acenou, mantendo a postura de educadora. Após alguns passos, algo a intrigou: de fato, os alunos sempre a chamavam de “professora Su”, mas aquele, ao dizer “professorinha Su”, provavelmente não era aluno, mas algum colega cujo nome não se lembrava.

Tranquila, entrou na secretaria.

— Su, venha cá, esta é a lista de alunos do curso de Gestão Econômica. Dê uma olhada, o professor Wang ainda ficará alguns dias. Qualquer dúvida, pergunte a ele. — disse o chefe da secretaria, Xu Chun, sorrindo. — E se tiver algum problema no trabalho, pode me procurar.

Su Wei agradeceu, pegou a lista: eram apenas duas turmas, sentia-se confiante de que daria conta.

— Diretor Xu, vou conhecer melhor a situação deste ano.

De volta ao escritório, largou a bolsa e, caneta em mãos, marcou alguns nomes na lista.

Novo cargo, velhas tradições.

...

Ao entardecer, Fang Zhuo chegou, apressado, ao setor de internação do Primeiro Hospital da Universidade de Medicina de Anhui. Tal como em sua vida anterior, encontrou a família do lado de fora do quinto andar.

— Fang Zhuo, onde você se enfiou?! — sua mãe, Zhao Shumei, ao vê-lo, apertou-lhe o braço com raiva.

— Mãe, mãe... — chamou duas vezes, mas ao ver a mãe, sua voz falhou, e lágrimas subiram aos olhos. — E a Qi... e a Qiqi, como está?

Zhao Shumei, vendo o filho daquele jeito, sentiu o peito apertar. Lembrando-se da sobrinha que criara desde pequena, as lágrimas voltaram aos olhos: — Leucemia... não está bem.

Olhando as rugas no rosto da mãe, Fang Zhuo tirou um maço de dinheiro do bolso do casaco: — Mãe, aqui tem dez mil. Usa para o tratamento da Qiqi, por enquanto.

— De onde veio esse dinheiro?! — o semblante de Zhao Shumei mudou.

— Fui para Yiwu fazer uns negócios, vendendo coisas na rua. — explicou Fang Zhuo em voz baixa.

Zhao Shumei ficou nervosa: — Fala a verdade, de onde conseguiu?

— Ganhei cobrando proteção! — Fang Zhuo aumentou o tom.

— Então você realmente foi vender coisas na rua? Ai, está crescendo... — Zhao Shumei suspirou, misturando preocupação e um pouco de orgulho. — Daqui a pouco, vai ver sua prima.

— Sim.