032 O Verdadeiro Estilo Minimalista
Fang Zhuo não era apenas dono de uma lábia capaz de se adaptar a qualquer situação — sabia falar conforme a pessoa, fosse ela um ser humano ou um fantasma, sendo nobre em princípios ou prático em interesses —, mas também possuía um olhar atento para perceber detalhes. Logo, percebeu que seu amigo Lin Cheng tinha algumas dificuldades.
— Velho Lin, tudo o que te disse são experiências bem básicas — comentou Fang Zhuo.
Bem, a verdade é que ele também não tinha muita prática nesse ramo.
— Quando for abordar alguém, sorria! Ninguém bate em quem está sorrindo. Você fica com a cara tão séria, parece que tomou uma injeção de botox, como vai convencer os clientes a confiarem em você? — criticou Fang Zhuo, sem poupar palavras.
Lin Cheng teve um momento de clareza. Ele ainda estava nervoso, nem havia notado isso.
— Certo, preciso sorrir. Além disso, o que é botox? — perguntou Lin Cheng.
Fang Zhuo esfregou as mãos:
— Hein? Eu disse isso? Ah, deve ser outra dessas fórmulas mágicas para ficar rico, não tem nada a ver contigo. Melhor garantir o dinheiro para as despesas primeiro.
Lin Cheng, obediente, nem pensou mais no assunto e foi logo praticar de novo.
Desta vez, finalmente teve resultados. Apesar de não ter o mesmo charme de Fang Zhuo, os clientes, meio desconfiados, acabaram cedendo — afinal, era fácil perceber que terceirizar o serviço saía mais barato do que ir pessoalmente.
Durante toda a tarde, Lin Cheng se deixou levar pela felicidade, enquanto Fang Zhuo refletia sobre o futuro do “Portal de Agendamento”.
O jantar ficou por conta de Lin Cheng. Comeram juntos uma tigela fumegante de macarrão com carne e vísceras num pequeno restaurante em frente ao hospital.
— Velho Fang, vamos voltar amanhã? — perguntou Lin Cheng animado, enquanto comia.
— Por quê? Já sentiu o gostinho de ganhar dinheiro? — riu Fang Zhuo.
Lin Cheng respondeu sem pensar:
— Não, é que gostei mesmo de ajudar os familiares dos pacientes.
Fang Zhuo, pouco impressionado, pediu mais um pão ao dono do restaurante.
Lin Cheng tomou várias colheradas de macarrão. Depois, largou os hashis e cuidadosamente contou o troco no bolso: uma, duas, três notas...
Cento e oitenta reais!
Ou seja, doze clientes atendidos!
Não era como quando, no dormitório, viu trezentos reais pela primeira vez; agora ele mesmo tinha participado do processo!
Ficou alguns segundos olhando para o dinheiro, depois separou cento e trinta reais e empurrou para Fang Zhuo:
— Velho Fang, deu cento e oitenta. Guardo cinquenta, o resto é teu. Caramba, isso realmente dá dinheiro!
Fang Zhuo lançou um olhar, separou quarenta reais e devolveu:
— A maioria dos clientes foi você que conseguiu, vamos dividir igualmente.
Lin Cheng, sem cerimônia, guardou o dinheiro satisfeito.
— Vamos voltar amanhã? Juntos, de novo.
Mas Fang Zhuo recusou:
— Não posso, tenho outros compromissos. Se quiser, pode ir sozinho. Amanhã é sábado, deve ter bastante gente, porque muita família nem sabe o horário de funcionamento.
E ainda alertou:
— Mas sua prioridade é estudar para as provas. Não confunda as coisas.
Lin Cheng, relutante, murmurou:
— Mas isso realmente dá dinheiro... Tem certeza que não vem? Se eu for sozinho, ainda divido contigo.
— Veja, Lin, esse serviço não tem segredo nenhum. Qualquer um pode fazer quando descobre. Se o hospital criar alguma facilidade, isso acaba. Se você não conseguir subir de nível na faculdade e perder o negócio, vai acabar indo trabalhar em fábrica — ameaçou Fang Zhuo.
Lin Cheng hesitou, pegou uma fatia fina de carne e, por fim, concordou:
— Noventa reais já me sustentam um tempo. Volto quando precisar de dinheiro.
— Estudando e trabalhando, que rapaz exemplar — elogiou Fang Zhuo.
— Ah, que nada — Lin Cheng tomou um gole de sopa quente, limpou a boca e disse sério — Velho Fang, obrigado. Você é um grande amigo. Amanhã não vem mesmo? Vai acompanhar sua irmã?
Fang Zhuo balançou a cabeça:
— Não, vou cuidar de um novo negócio, não sei se vai dar certo, e aproveitar para encontrar outras amigas especiais.
Lin Cheng ficou surpreso:
— O quê? Quantas “irmãzinhas” você tem?
Fang Zhuo sorriu:
— Brincadeira, só estou te provocando. Daqui a pouco digo que tenho uma professora favorita também.
— Sonhando acordado, hein? — Lin Cheng abriu um sorriso. — Falando em professoras, nossa orientadora é mesmo bonita. Se quando eu subir de nível ainda tiver uma dessas, seria ótimo...
...
— Su Xiao, me traz um copo d’água, por favor.
— Song Rong, senta, fique à vontade. Reparei que vocês, da computação, são todos tímidos. Não precisa, não sou nenhuma chefona importante.
Quando Fang Zhuo chegou ao apartamento de Yu Hong, os outros quatro já conversavam animados. Ele deixou as frutas sobre a mesa e pegou o quadro branco que Yu Hong já tinha preparado.
— Senhor Fang, que tal conversarmos depois do jantar? Assim vocês conhecem minha cozinha — disse Yu Hong, animada, vestindo um avental. Sua casa raramente tinha visitas, então aquele dia era especial.
— Você cozinha, Hong? — estranhou Fang Zhuo.
— Ora, quem você pensa que é pra me chamar assim? — Yu Hong percebeu de onde vinha o apelido e reclamou. — Weiwei, não vai dar um jeito nele?
Zhou Xin e Song Rong, atentos, trocaram olhares. Não sabiam que Su Wei e o chefe Fang tinham tanta intimidade.
Mas Su Wei não percebeu nada estranho — afinal, ele era seu aluno.
Ela apoiou:
— Fang Zhuo, não exagere. Por respeito, deveria chamá-la de tia.
Yu Hong ia concordar, mas de repente se virou, indignada:
— De que lado você está, afinal?
Fang Zhuo observou, divertido, as duas jovens discutindo, depois disse:
— Melhor ir logo preparar o jantar, temos assuntos importantes hoje.
Quando as duas foram para a cozinha, Fang Zhuo se voltou para os dois técnicos, que estavam sentados com postura rígida, e sorriu amistoso:
— Posso dar uma olhada no site? Esses dias procurei um lugar para alugar servidores. Vocês têm alguma sugestão? Talvez perto da universidade?
— Ao lado da faculdade pode ser. Mas a sala de servidores precisa de certas condições, ambiente seco, fornecimento estável de energia — ponderou Zhou Xin. — Vou perguntar ao meu orientador, talvez conheça alguém.
Fang Zhuo sentou-se ao computador de Yu Hong:
— Combinado, fica perto da faculdade. Coisas técnicas têm que ser resolvidas por especialistas, nem sabia que o ambiente tinha que ser seco.
— Tem sim, Fang. Existe uma exigência de umidade — Zhou Xin confirmou.
Fang Zhuo digitou o endereço do domínio que comprou, apertou enter e viu o site que Zhou Xin e Song Rong desenvolveram.
Ergueu as sobrancelhas e perguntou:
— Xin, pelo telefone não pedi um visual minimalista?
— Mas é minimalista! — Zhou Xin apontou para a tela. — Em cima está o nome da empresa, no meio os módulos de funções, embaixo a razão do nosso trabalho, e mais embaixo, espaço para os hospitais parceiros. Está simples.
Fang Zhuo cobriu parte da tela com a mão direita:
— Aqui, preciso de duas palavras grandes: gratuito. À direita, login e registro bem visíveis. Embaixo, os hospitais onde é possível agendar consultas.
Zhou Xin ficou surpreso:
— Um terço da tela só com “gratuito”? Isso...
— Isso é minimalismo de verdade. Diga logo ao usuário: somos um serviço público — afirmou Fang Zhuo, sério. — Ninguém conhece o Portal de Agendamento ainda, então nada de firulas. Assim está ótimo.
— De certo modo, os familiares dos pacientes também são consumidores. Vocês precisam entender a mente do consumidor.
Zhou Xin e Song Rong se entreolharam, incertos. Isso seria mesmo o melhor?