004 Quem Quer, Cai na Rede (Parte 2)

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2379 palavras 2026-01-30 12:40:35

Depois de algum tempo, quando o clima estava adequado, eles já haviam chegado ao terceiro andar.

Foi então que Fang Zhuo falou: "O recente estouro da bolha da internet nos Estados Unidos afetou muita gente, inclusive aquela empresa sobre a qual conversamos agora há pouco, a América Online. Além de fornecer acesso à internet, seus principais serviços de e-mail, navegador e mensagens instantâneas enfrentam concorrência de novas empresas. Nos próximos dois ou três anos, provavelmente terão grandes prejuízos."

Chen Shuhu não entendia muito do assunto; limitava-se a ouvir, enquanto tentava descobrir o que seria o tal aroma de charuto.

"No ano passado, os Estados Unidos mantinham juros baixos, a internet era a nova fronteira da economia, então o capital especulativo correu para as empresas do setor", continuou Fang Zhuo calmamente. "Isso produziu efeitos imediatos: as bolsas subiram, as receitas das empresas aumentaram, o consumo cresceu. As empresas de internet aproveitaram para contar histórias aos acionistas, criando um ciclo sem fim."

Fang Zhuo soltou uma risada irônica: "Depois disso, investidores, analistas, bancos de investimento e fundos de capital de risco enlouqueceram, todos exaltando o valor da internet, incitando o pequeno investidor a entrar no mercado. Só que, este ano, o Federal Reserve começou a aumentar os juros."

Apesar de ser um dirigente de uma empresa estatal, Chen Shuhu nunca tinha analisado o país do outro lado do oceano sob esse ângulo. Nos jornais não havia discussões assim.

Em poucas frases, sentiu-se como se tivesse testemunhado o funcionamento de um mercado em ciclo fechado.

Seu interesse, que já era grande, tornou-se ainda mais intenso.

"Aumento de juros? Isso não diminui a liquidez? O ciclo começa a apresentar falhas?" questionou Chen Shuhu, refletindo.

Fang Zhuo lançou-lhe um olhar surpreso, o que deixou Chen Shuhu satisfeito.

"Exatamente. O fluxo de caixa diminui, executivos vendem suas ações, os preços caem, o risco aumenta, o entusiasmo por captar recursos no mercado secundário esfria, a confiança se esvai, as ações são vendidas em massa, ocorre uma corrida ao mercado."

"A bolha estoura, boom!"

Fang Zhuo fez um gesto de explosão com a mão direita no ar e balançou a cabeça: "Muita gente perdeu tudo, não é raro ver pessoas se jogando dos prédios em Wall Street todos os dias."

Falou com tal naturalidade que pareceu perder o interesse pelo charuto, cortando a cinza e colocando-a sobre o jornal.

Chen Shuhu esperou dez segundos antes de apagar também o próprio charuto.

"Chen, fique com esse brinquedo", Fang Zhuo colocou diante dele um isqueiro requintado — era o objeto mais autêntico que trazia consigo, um isqueiro à prova de vento da Zippo.

"Obrigado, é realmente bonito", Chen Shuhu aceitou sem cerimônia.

"Tem até uma história por trás. Ganhei vários de um amigo, dizem que é da época da Segunda Guerra Mundial. Veja só, resistente até hoje", comentou Fang Zhuo com um sorriso, inventando algo de improviso.

Chen Shuhu, porém, não se mostrou impressionado.

A imagem que construíra já estava consolidada: um pouco extravagante, mas suficiente para impressionar as pessoas da época. Quando se tratava de "falar com eloquência", os dois estavam em patamares distintos.

Fang Zhuo estava mais à vontade e a conversa seguiu para temas distantes da realidade nacional, focando nos mercados estrangeiros.

Chen Shuhu ouvia com atenção; certos bastidores, inacessíveis pelas vias normais, deixaram-no fascinado.

O tempo foi passando e a conversa corria solta.

De repente, uma onda de euforia se espalhou pela bolsa: os números no painel saltaram para 1900 pontos, um novo recorde para as ações locais.

Ambos ergueram o olhar.

Os pensamentos de Chen Shuhu retornaram, sem saber como, ao seu próprio trabalho.

Após comentar algo sobre o mercado nacional, perguntou: "Onde o Xiao Wan vai passar a noite? Vai jantar com a família? Ora, já que me chama de irmão Chen, o mínimo é eu oferecer um jantar!"

"Minha família está toda em Xangai. Aqui tenho um parente distante, comerciante, vim primeiro encontrá-lo e tratar de assuntos familiares. Deixamos para a próxima, Chen", respondeu Fang Zhuo, já demonstrando pouco interesse em prolongar o assunto.

Xangai era o centro da abertura econômica, impossível de comparar com Lu, e Chen Shuhu percebeu que Xiao Wan ainda era muito jovem.

"Não vou esperar o fechamento do mercado. Até logo, Chen", despediu-se Fang Zhuo, sorrindo.

Chen Shuhu levantou-se também, acenou com a cabeça, mas não insistiu para que ficasse, apenas deixou um cartão de visita: "Venha sempre que puder, estou quase sempre por aqui."

Nesse momento, uma senhora apareceu na porta, reclamando: "Ora, o que está acontecendo? Usar jornal para cinzas de charuto? Mesmo sendo de graça, não precisa estragar assim!"

Fang Zhuo havia deixado a cinza do charuto no jornal.

Todos na sala olharam naquela direção.

Fang Zhuo, por dentro, achou graça, mas no rosto mostrou-se arrependido: "Desculpe, desculpe mesmo."

Tirou a carteira do bolso e entregou uma nota verde: "Aqui, senhora, compre mais jornais para deixar aqui, por favor."

A senhora recebeu o dinheiro desconfiada, examinando-o contra a luz.

Chen Shuhu explicou: "É dólar, viu? Vale ouro, aceite."

De repente mudou de ideia: "Xiao Wan, venha, vou te acompanhar. Para onde vai agora?"

"Vou ao Hotel Yangtzé hoje", respondeu Fang Zhuo.

O Hotel Yangtzé era o mais famoso de Lu, com restaurante e hospedagem.

Chen Shuhu assentiu, sorrindo: "Que coincidência. Depois de amanhã haverá um jantar de negócios no Hotel Yangtzé. Xiao Wan, tem tempo? Considere como um convite do seu irmão Chen."

Sim, melhor planejar do que deixar para um encontro fortuito no hotel.

Fang Zhuo sentiu-se finalmente aliviado por dentro; afinal, não era do tipo de enganar abertamente.

"Mas não sou empresário", hesitou.

"Não tem problema, venha conhecer como fazemos as coisas no interior. Digo mais: quem volta do exterior para investir não pode ficar só olhando para o litoral", revelou Chen Shuhu educadamente. "Lu tem políticas de atração de investimentos excelentes."

Fang Zhuo lançou um olhar significativo, fingindo pensar: "Vejo que o irmão Chen tem um campo de atuação bem amplo."

Saíram juntos da bolsa.

"Hoje não posso acompanhá-lo, os carros da empresa estão todos ocupados. Nos vemos depois de amanhã", despediu-se Chen Shuhu, rindo alto.

Fang Zhuo concordou com um aceno.

O céu já estava escurecendo.

Chen Shuhu estava prestes a voltar ao trabalho, mas parou e se virou: "Xiao Wan, posso perguntar uma coisa?"

"Diga, irmão Chen."

"Ouvi dizer que o ar no exterior tem cheiro doce. Isso é verdade?", perguntou Chen Shuhu, muito sério.

Fang Zhuo sorriu, achando que era uma brincadeira, mas vendo o semblante sério, ficou sem saber o que pensar — esses tempos eram mesmo surreais...

Percebendo o desconforto de Xiao Wan, Chen Shuhu apressou-se em esclarecer: "Não falo dos Estados Unidos, ouvi dizer que na Europa o ar é especialmente bom." Demonstrava sensibilidade política, já que o clima entre China e EUA estava tenso naquele ano.

Desta vez, Fang Zhuo não conseguiu conter um gesto sincero, levando a mão ao queixo e dizendo, entre risos: "Irmão Chen, o mundo inteiro compartilha o mesmo calor e frio."

Chen Shuhu, um pouco constrangido pelo olhar do outro, despediu-se mais uma vez e foi embora.

Fang Zhuo observou a silhueta do gerente, alguém que vinha tentando decifrar, e não conseguiu evitar uma última reflexão: que tempos mais fantásticos eram esses.