Cultura Empresarial
Um dia no hospital é daqueles que comovem a ponto de dar vontade de chorar.
Fang Zhuo jamais imaginou que a negociação entre o site e o hospital pudesse ser tão tranquila, nunca pensou que todos teriam tanta consciência sobre a importância da informatização, tampouco esperava que o hospital, além de não cobrar nada, ainda oferecesse recursos.
É esse o prazer do modo fácil!
Colaboração mútua e harmonia, todos juntos rumo à sociedade da informação.
À noite, os cinco voltaram para casa e, após o jantar, realizaram a primeira pequena reunião da Rede de Agendamento em Lin’an. O presidente Fang Zhuo tomou a palavra.
— Aqui em Lin’an, a cooperação foi ainda melhor do que esperávamos. Não sabemos ainda sobre os outros hospitais, por isso, precisamos fazer um ótimo trabalho no Primeiro Hospital Afiliado da Universidade de Zhejiang, torná-lo um exemplo.
— Pelo que vemos, estamos com falta de pessoal. Precisamos considerar contratar alguém por aqui, afinal, em Luzhou também teremos operações.
— Para aumentar a eficiência, Xiao Yu, tente levantar dados sobre a procura por consultas nos diferentes departamentos do hospital. Assim, poderemos abordar os próximos parceiros de forma mais assertiva.
— Esses dados precisam ser resumidos com agilidade. Quando formos contratar novos funcionários, podemos preparar um treinamento interno.
Fang Zhuo tomou um gole d’água para aliviar a garganta:
— Mais uma coisa, o chefe Li Ruyi me perguntou se existe uma máquina que una computador e impressora. Bem, vamos chamá-la de “máquina de agendamento” por ora. Ele acha que assim facilita a divulgação. Xiao Zhou, você acha que dá para fazer isso?
Zhou Xin pensou por um momento antes de sugerir:
— A gente pode montar um grande caixa de ferro, colocar o computador e a impressora dentro, deixar só a tela, o teclado e a saída de impressão do lado de fora. Não seria suficiente?
— Hahaha, Xiao Zhou, se você ainda cobrar caro do hospital, aí sim já vira estelionato — brincou Fang Zhuo.
Yu Hong se animou:
— Isso é uma inovação técnica, como seria fraude?
— Se alguém denunciar e desmontar o aparelho, aposto que não dá outra — retrucou Fang Zhuo, desdenhoso.
Hu Meili, que sempre falava pouco, arriscou uma observação tímida:
— Mas eles teriam que denunciar, não? E não temos o apoio do prefeito Qiu?
Fang Zhuo olhou surpreso para a colega mais nova: que rapidez de raciocínio! Gente como você é o que o Hanxin precisa!
Com um rosto sério, declarou:
— Estamos fugindo do assunto. A nossa Rede de Agendamento não é empresa de trapaças. Chega de conversa fiada.
Yu Hong encarou o chefe, duvidando: Sério mesmo? Duvido.
Fang Zhuo prosseguiu:
— Xiao Zhou, veja se dá para montar esse hardware. Em teoria, só precisamos das funções de conexão à rede, digitação do número e impressão. É difícil?
Zhou Xin hesitou:
— Não entendo muito de hardware. Melhor eu perguntar a alguns colegas da faculdade.
— Tudo bem. Ligações são caras, então vá a uma lan house à noite e entre em contato pelo Q — decidiu Fang Zhuo prontamente.
Zhou Xin ficou em silêncio.
A empresa estava só começando, sem recursos, era compreensível... Mas, como diretor técnico e sócio com ações avaliadas em 36 mil, não ter nem um notebook para o trabalho administrativo era um pouco desolador.
Respirando fundo, Zhou Xin tomou coragem:
— Fang, quando a empresa tiver dinheiro, será que podemos comprar um IBM para cada um?
Raramente fazia pedidos. No almoço da reunião em Lin’an, ele se contentou com um miojo no quarto.
Fang Zhuo viu o desejo nos olhos do seu diretor técnico: um IBM preto e robusto? O uniforme número dois dos programadores?
Lançou um olhar ao xadrezinho de Xiao Zhou e prometeu:
— Está combinado.
Hu Meili, mais participativa naquela noite, sugeriu baixinho:
— Podemos incluir na lista de compras do hospital.
Naquele instante, Fang Zhuo sentiu profundamente a necessidade de aperfeiçoar as normas financeiras e de controle da própria empresa.
Após três segundos de silêncio, declarou:
— Não precisa dessas artimanhas. Há dinheiro suficiente.
Quis dizer que era dinheiro de investidores, mas como Tang Shangde e Hu Meili ainda não sabiam, limitou-se a garantir com firmeza que não faltava recursos.
— O chefe Li não está exigindo isso, certo? — questionou Yu Hong.
— Acho que não — respondeu Fang Zhuo, pensativo. — Pelo tom e expressão dele, me parece mais uma sugestão. Aqui no Primeiro Afiliado, tudo deve correr bem. Se ele nos fizer um favor, podemos retribuir.
Yu Hong arqueou as sobrancelhas:
— Sendo assim, podemos improvisar por uns dias e instalar computador e impressora separadamente.
— Pergunte, de qualquer modo. O ideal é integrar tudo numa máquina só. Se o hospital quiser, montamos. Mas sem truques — advertiu Fang Zhuo, balançando a cabeça. — Já será um avanço. O preço nem precisa ser alto. Se conseguirmos customizar, pode virar um equipamento emblemático da Rede de Agendamento, já que vai ficar em exposição.
Yu Hong ponderou:
— A Rede é inovadora, mas não precisa abraçar toda “inovação” que aparecer.
Fang Zhuo respondeu com serenidade:
— Acho difícil definir com precisão onde está o limite do nosso avanço. Mas temos que tentar. Somos pioneiros no país, já temos reconhecimento dos líderes de Lin’an. Até onde podemos ir, o futuro depende só de nosso esforço e visão.
Zhou Xin e Yu Hong entenderam que o chefe falava do crescimento pós-investimento anjo, enquanto Tang Shangde e Hu Meili ouviam de maneira mais direta.
— Este ano não está fácil para as empresas de internet no país. Se conseguirmos trazer algo novo aos clientes, vamos em frente. Não podemos nos acomodar, nem achar que duas ou três pequenas conquistas serão suficientes.
— Hoje usamos computadores para agendar e retirar senhas. Mas e se, no futuro, disserem que o celular também serve para isso? Você vai duvidar? Vai achar que tal avanço não nos diz respeito?
— Para uma empresa crescer, precisa ter uma força motriz interna. Mesmo sendo poucos, precisamos de uma cultura que aponte para a frente.
Yu Hong assentiu, refletindo. Como Zhang Ruimin destruindo as geladeiras.
Fang Zhuo olhou em volta para os quatro colegas e sorriu:
— Acho que precisamos de um lema, para imprimir nos cartões de visita e colocar no site. Vamos pensar juntos.
O grupo mergulhou em silêncio reflexivo.
Zhou Xin foi o primeiro:
— Nós podemos consertar os bugs do mundo.
— ????
Fang Zhuo nem se dignou a comentar, apenas passou o olhar para o próximo.
Yu Hong sugeriu:
— Você sempre diz que resolver problemas gera valor, não é? Que tal essa frase?
— Pode ser uma opção — respondeu Fang Zhuo, voltando-se para Tang Shangde.
Tang Shangde, desconfortável, coçou a cabeça:
— Todo mundo bem, só assim é bom?
Sem esperar resposta, Zhou Xin contrapôs:
— Isso não é aquele comercial da TV? Daquela marca de xampu de Cantão!
Tang Shangde ficou desconcertado:
— Sério? Achei que combinava com a gente... Paciente bem, médico bem, todos bem...
Fang Zhuo olhou para Hu Meili, esperando alguma surpresa.
— Eu... eu... prefiro não opinar — gaguejou Hu Meili.
Fang Zhuo apertou os lábios. Hm...
Após ponderar, propôs:
— Que tal algo mais próximo das pessoas? Progresso é desenvolvimento. Podemos imprimir: “No caminho do progresso”.
Yu Hong respondeu de pronto:
— Making Progress.
Os demais aprovaram na hora:
— Ótima, Yu! Essa ficou moderna, é essa mesmo.
Fang Zhuo ficou calado. Não são todas parecidas? Olhem só para vocês...