Equipamento padrão

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2481 palavras 2026-01-30 12:49:54

O telefonema que Fang Zhuo fez para o telefone fixo de casa não foi atendido; só pôde, com certa frustração, memorizar o canal de notícias de Lin’an, para não ficar sem provas quando fosse se gabar para a mãe depois.

Ele realmente não esperava que aquele Fórum de Desenvolvimento da Internet ainda estivesse sendo divulgado até agora. Ah, sim, antes de subir ao palco, ainda conseguiu ser entrevistado por um jornalista — de qual meio era mesmo?

Fang Zhuo não se recordava direito, mas pelo visto, havia muitos caminhos para esse tipo de divulgação.

“Me dá seu telefone, vou ligar para a Weiwei, ela precisa saber o quanto a aluna dela é promissora.”

Yu Hong interrompeu os pensamentos de Fang Zhuo, pegou o celular e ligou para a casa de Su Wei.

Porém, lá em Luzhou, a televisão não pegava o canal local de Lin’an, e Su Wei não pôde ver o chefe em todo o seu esplendor — teve que se contentar, mais uma vez, com o relato oral.

“Pelo visto, depois da IBM, nossa empresa precisa adquirir mais uma filmadora”, Fang Zhuo falou, satisfeito. “Quem sabe se esse noticiário terá reprise? Hoje em dia, nem na internet deve ter vídeo dessas emissoras locais de Lin’an.”

“Compra sim, eu mesma carrego para o grande chefe, registrando seus momentos de glória”, brincou Yu Hong.

Fang Zhuo riu: “Quando eu tiver dinheiro e prestígio, contrato alguém formado em jornalismo para fazer isso. Estou te falando, no futuro, isso vai ser um material valioso.”

Yu Hong torceu o nariz. Vendo que a televisão já passava comerciais, trocou de canal e disse: “Vai ver seu mapa, amanhã não alugue um escritório muito longe.”

“É, preciso pensar em como recrutar gente.” Fang Zhuo estava ligeiramente preocupado com isso: tanto em Luzhou quanto em Lin’an precisariam de muita gente para fazer divulgação direta, e todo esse pessoal teria de ser selecionado e gerenciado.

No momento, Tang Shangde ainda era inexperiente; Hu Meili, nem se fala — o site de marcação de consultas carecia de uma equipe de gestão madura.

Pensando nisso, Fang Zhuo lançou um olhar significativo para Tang Shangde, que estava sentado no sofá. Este, sem entender o motivo, ficou um tanto desconcertado, achando que talvez tivesse dito algo inconveniente.

Naquela noite, Zhou Xin voltou tarde outra vez do cybercafé, demonstrando claros sinais de dependência, embora estivesse realmente trabalhando.

No dia seguinte, os quatro continuaram indo ao hospital, enquanto Fang Zhuo pegou uma bicicleta para percorrer a cidade.

O site de marcação de consultas precisava de um escritório em Lin’an, não muito grande, já que o trabalho ali era basicamente ir aos hospitais, e a divulgação futura seria voltada para as cidades e condados ao redor, mas era necessário um ponto de apoio.

No caminho, passou por várias universidades, parou em frente aos portões para observar os jovens — as flores do futuro da pátria —, já pensando em como poderia aproveitar esses talentos.

Ao longo do dia, descartando três ou quatro estabelecimentos cujos proprietários não acreditavam que ele fosse mesmo alugar, Fang Zhuo selecionou três opções de localização.

Às sete da noite, os quatro voltaram juntos, conversando e rindo. Fang Zhuo estava sentado no sofá, zapeando pelos canais, tentando ver se encontrava mais alguma aparição sua na TV.

“Fang, já comeu?” Zhou Xin foi o primeiro a entrar e cumprimentou.

“Não, estava esperando vocês. Vamos, comer fora.” Fang Zhuo se levantou.

Yu Hong sorriu: “Vai você sozinho, já comemos.”

Assim que terminou de falar, notou uma sacola em destaque no sofá, e perguntou casualmente: “O que é aquilo?”

“IBM”, respondeu Fang Zhuo.

Zhou Xin repetiu, sorrindo: “Comprou um IBM novo.”

Ficou paralisado por um instante, e logo explodiu de alegria.

Zhou Xin não fazia ideia de como sua expressão de entusiasmo era engraçada; gaguejou repetindo: “O quê? Fang, você comprou… comprou um IBM? Para quem?”

Fang Zhuo fingiu provocá-lo: “Comprei para mim, claro, assim posso mostrar o site para os outros a qualquer hora. Ou você achou que fosse para você?”

“Ah…”

A decepção de Zhou Xin era tão evidente que até Yu Hong ficou com pena.

Ela apontou para a sacola: “Se você fosse vendido, ainda ajudava a contar o dinheiro dele. Tá na cara que é para você. Muito ingênuo.”

Zhou Xin olhou incrédulo para o chefe: “Sério?”

Fang Zhuo caiu na risada — Xiao Zhou era realmente um sujeito simples, incapaz de disfarçar nada no rosto.

No riso encontrou a resposta, e, radiante, Zhou Xin foi pegar o primeiro IBM de sua vida.

ThinkPad T20, o modelo mais recente do ano 2000; a tela aumentou de 13.3 para 14.1 polegadas em relação ao modelo anterior, e contava com função hot swap entre CD-ROM e disquete.

Zhou Xin ligou o notebook, e antes de tocar no teclado, ainda lavou as mãos.

Depois de um tempinho, lembrou-se de perguntar: “Fang, quanto custou isso?”

“Use, ora, faz parte do patrimônio da empresa. Isso é… como se diz mesmo… ah, produtividade. Tem que usá-lo para gerar valor.”

Zhou Xin assentiu com entusiasmo, o sorriso não saindo do rosto nem por um segundo.

Tang Shangde e Hu Meili, um de cada lado, sentaram-se ao lado de Zhou Xin, assistindo curiosos enquanto ele mexia no notebook.

“Olha só, com aquele entusiasmo, se você mandar ele para o leste, ele jamais vai para o oeste.” Yu Hong também admirava a generosidade de Fang Zhuo — gastar tanto assim era uma habilidade. Aquele IBM não custava menos de dez mil e poucos, e ele nem pestanejou.

Ela perguntou: “E você, não pensou em comprar um para si?”

Fang Zhuo levantou o queixo: “Tão pesado, nem me dou ao trabalho de carregar.”

Yu Hong revirou os olhos — que sujeito, ainda por cima cheio de pose.

Fang Zhuo falava a verdade: desde que comprou o celular, só agora se acostumou a sacar o Nokia do cinto…

“Toma, grande chefe, seu cartão de visitas.” Yu Hong tirou uma caixinha da bolsa. “Pedi para a Hu Meili providenciar na hora do almoço. Cada um tem o seu, até a Weiwei ganhou um.”

Fang Zhuo pegou um para ver: na frente, o nome do site, cargo e número do celular, atrás, o lema “Making Progress”.

“Haha, Presidente do site de marcação de consultas.” Fang Zhuo guardou, sorrindo. “Com medo de eu mudar o slogan? Já fez os cartões tão rápido?”

“Coisa simples, se não gostar, quando acabar a caixa faz do jeito que quiser.” Yu Hong encheu um copo d’água e disse: “Hoje o administrativo do hospital central separou um espaço no saguão para nós. E já fizeram o levantamento do número de consultas em cada especialidade, dia a dia.”

“O chefe Li fez uma divisão preliminar entre os departamentos: 10%, 20%, 30%. Por exemplo, medicina nuclear pode ceder 30% das vagas; gastroenterologia, só 10%. Isso é provisório, depois ajustamos conforme a realidade.”

Yu Hong perguntou: “E aí, Xiao Fang, o que acha?”

Fang Zhuo assentiu: “Sem problemas, tudo ajustável. Ah, lembrei de uma coisa: nosso anúncio no hao123 pode ser expandido do Anhui para Zhejiang. Já tinha falado com o administrador que poderíamos aumentar o alcance.”

Yu Hong elogiou: “Esse anúncio de dois anos valeu muito a pena!”

“Na época você não achou estranho? Agora está achando ótimo?” Fang Zhuo riu.

“Por isso você é o chefe, né?” Yu Hong recuou. “Minha opinião não mudou nada, eu sou uma funcionária qualquer, que visão de longo prazo eu teria?”

“De todo modo, Xiao Yu é sempre muito modesta. É o que mais gosto em você”, disse Fang Zhuo, assentindo.

Yu Hong já preparava uma resposta mental, mas ao ver o olhar esperançoso de Fang Zhuo, percebeu que talvez não conseguisse vencê-lo na conversa. Afinal, era alguém capaz de fazer até a Sequoia concordar.