Sem Futuro

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2353 palavras 2026-01-30 12:49:13

Seis pessoas compareceram ao banquete de celebração: quatro sócios informados e dois membros essenciais, alheios aos fatos.
O ambiente era animado, e três acabaram embriagados.
Yu Hong, que só bebeu meia taça, manteve certa lucidez, mas seu talento em incentivar os brindes foi notável: Zhou Xin e Song Rong, ambos da equipe técnica, e Tang Shangde, do departamento de mercado, brindaram sem parar, até que este último conseguiu derrubar os dois primeiros.
Depois, Su Wei entrou em cena e, por fim, Tang Shangde também sucumbiu à embriaguez.
Os três homens jaziam esparramados no sofá, enquanto garrafas de cerveja e de destilado rolavam pelo chão.
— Parece que hoje vou dormir na casa da Weiwei — disse Yu Hong, com as faces coradas e de maneira encantadora. — Não vou arrumar a casa; que limpem tudo quando acordarem.
— Então não vou com você dormir na casa dela — afirmou Fang Zhuo, com seriedade.
Com o raciocínio lento, Yu Hong assentiu várias vezes:
— Está bem, não venha, vá cuidar das suas coisas.
Su Wei revirou os olhos para os dois, foi até o quarto, pegou uma manta fina e a colocou sobre o sofá:
— Vamos, deixei água na mesa. Se eles acordarem de madrugada, saberão o que fazer.
— Pequena Yu, quer que eu te ajude a andar? — perguntou Fang Zhuo, educadamente. Ele quase não havia bebido naquela noite, só provou um pouco.
Su Wei respondeu, impaciente:
— Fique longe dela, não encoste.
Obediente, Fang Zhuo se postou à direita de Su Wei, separando-se da meio-embriagada Yu Hong e comentou, surpreso:
— Xiao Su, você realmente surpreende; quem diria que aguentasse tanto álcool?
Su Wei, abraçada ao braço da amiga, respondeu com um muxoxo:
— É tudo herança de família. Meu pai e meu tio sempre foram bons de copo.
Depois acrescentou:
— Você, que é tão esperto no dia a dia, na mesa de bar também é?
— Ah, não tem jeito — riu Fang Zhuo —, só penso nos assuntos da empresa, não quero que minha cabeça atarefada se perca no álcool. Mas estou realmente feliz, é maravilhoso esse sentimento de estarmos todos juntos em um mesmo projeto.
— E não é? Suas ações já valem alguns milhões agora — disse Su Wei, trancando a porta e continuando a apoiar Yu Hong. — Eu também tenho ações, mas nem ajudei tanto assim. Quando surgir uma boa oportunidade, transfiro para você.
Fang Zhuo franziu a testa:
— Outra vez com esse assunto, secretária Su?
— Não sou como eles, tenho emprego fixo, continuo recebendo salário de professora — respondeu Su Wei, séria. — Uma professora com ações valiosas na empresa dos alunos, não soa bem de jeito nenhum.
Fang Zhuo sorriu de leve:
— Então peça demissão e venha comigo.
De repente, Su Wei sentiu uma tontura.
Ai, será que o efeito do álcool chegou agora?
Ela forçou a vista para frente e disse, séria:
— Tenho emprego estável, com dois grandes feriados por ano. Sua empresa pode desaparecer a qualquer momento; se isso acontecer, vou viver de quê?
— É verdade, professora Su tem razão. Por isso que toda essa fortuna é só estimativa. Lembre-se, estimativa e valor real são diferentes. Não dá para saber se isso tudo vai se converter em dinheiro — explicou Fang Zhuo. — A empresa acabou de receber o investimento-anjo; se um sócio transfere as ações logo em seguida, o que você acha que o fundo Sequoia vai pensar de mim?
Su Wei mordeu os lábios, reconhecendo que fazia sentido.
— Concordo — disse Yu Hong, achando razoável. Com água na mesa, acordar de madrugada não seria problema.
Su Wei lançou um olhar surpreso à amiga; até Da Hong concordava, então era melhor deixar o assunto de lado por ora.
— Onde está a chave da moto dela? — perguntou Fang Zhuo, divertido.
— Nós duas não vamos pilotar hoje; leve você de volta ao dormitório — respondeu Su Wei, jogando-lhe a chave.
— Vamos pegar um táxi. Vocês duas entram, eu sigo a moto até em casa, depois volto para a escola — sugeriu Fang Zhuo.
Su Wei não discordou.
Algum tempo depois, Fang Zhuo, dirigindo a moto, escoltou o táxi em segurança até o destino, só então buzinando e dando meia-volta para ir embora.
O vento de outono estava fresco, a noite, silenciosa.
Fang Zhuo passeou tranquilamente pela cidade, de ótimo humor, antes de retornar ao dormitório.
...
Banquete celebrado, brindes feitos, confidências trocadas, passeio noturno concluído.
Assim, as coisas continuaram a seguir seu curso.
Yu Hong e Zhou Xin já haviam solicitado estágio antecipado na Universidade de Ciência e Tecnologia; Tang Shangde, por sua vez, simplesmente pediu licença, dizendo apenas: “Se der errado, largo a faculdade.”
Esses três eram práticos, não havia muito o que preparar; logo no dia seguinte, partiram de trem para Lin’an sob as despedidas calorosas de Fang Zhuo. Eles abririam a segunda cidade-chave da rede de agendamento médico.
Enquanto isso, Fang Zhuo aguardava a chegada dos fundos do Sequoia e dava início ao recrutamento de pessoal.
Começou filtrando entre os estudantes da própria faculdade que já faziam bicos; esses, contratados formalmente, viajariam pelo interior do estado promovendo a empresa — uma verdadeira missão de divulgação rural.
No entanto, os calouros surpreenderam: para trabalhos temporários, estavam dispostos; já para empregos formais... bem, hesitavam muito.
Aproveitando seu posto de veterano, Fang Zhuo perguntou sinceramente os motivos da hesitação.

— Trabalho? E os estudos? Sem diploma, não é desperdício de mensalidade?
— Bico é flexível, dá para ganhar um extra. Trabalho fixo exige viajar, sair de Lúzhou... nem consigo imaginar a vida fora da faculdade.
— O site nem dá lucro, e depois? Trabalhar com internet em Lúzhou parece não ter futuro.
— Quero ir para Xangai ou Shenzhen depois de me formar, não quero perder tempo no estado.
Fang Zhuo ficou desanimado; de fato, o ponto de vista deles fazia sentido, e trabalho não era algo para se forçar. Por ora, não podia anunciar abertamente que o site já havia recebido o investimento do Sequoia.
Então, deixou-os à vontade.
Antes que pudesse continuar o recrutamento no mercado, o dinheiro do Sequoia foi depositado na conta empresarial.
Dois milhões, redondinhos.
Sim, “redondinhos” era como Fang Zhuo imaginava; de qualquer forma, ele não via a hora de arrastar a professora Su para o Banco Industrial e Comercial.
— Duzentos mil? Transferência de conta empresarial para pessoal?
A atendente do banco, uma senhora, ficou boquiaberta, olhando desconfiada para a dupla de jovens.
— Carimbo da empresa, do setor financeiro, do representante legal, meu RG, registro da empresa, tudo aqui. Moça, a conta empresarial do nosso site foi aberta justamente aqui — explicou Fang Zhuo, entregando os documentos. — Minha conta também é de representante legal, e agora preciso de um fundo de caixa para as despesas da empresa.
As justificativas mais comuns para transferências desse tipo são “fundo de caixa” ou “pagamento de serviços terceirizados”.
A atendente examinou tudo com cuidado, chamou até a gerente, e depois conferiu a foto do RG com o rosto de Fang Zhuo.
Encarando aquele olhar avaliador, Fang Zhuo respondeu com um sorriso aberto, demonstrando sinceridade — ele ainda trazia o contrato do Sequoia na mochila.
— Preencha o formulário de transferência, carimbe com o financeiro e com o representante legal — autorizou a atendente, ainda surpresa, entregando o papel e advertindo: — Os fundos da empresa pertencem à empresa; desviar é crime.
Fang Zhuo só pôde rir; tão correto e honesto, e mesmo assim, ela sabia ler as pessoas como ninguém.