Ouça-me.

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2555 palavras 2026-01-30 12:48:49

18 de novembro, Lushan, céu limpo.

Zhou Xin sentou-se à pequena janela de uma pensão modesta, sorrindo distraidamente enquanto comia um pouco de macarrão instantâneo, dava uma olhada para o céu azul, comia um pouco, olhava de novo...

Seus 5% de participação tinham sido reduzidos para 4,5% devido ao estabelecimento de um fundo de opções e, depois, cortados para 3,6% com a entrada da Sequoia como investidora.

Ainda assim, essa participação já estava avaliada em 360 mil!

Trezentos e sessenta mil!

Meu Deus!

Zhou Xin balançava a cabeça, completamente embriagado pela situação; imaginava se a empresa abrisse capital. Com Fang tão habilidoso, e se realmente fossem para a bolsa?

Sem conseguir se conter, ele lançou um olhar para Fang Zhuo, que dormia profundamente na cama, sentindo que a vida estava finalmente se abrindo diante dele.

Quando Zhou Xin terminou o último gole do macarrão, fechou a janela, temendo que o vento frio prejudicasse o CEO da Guahao Online.

Arrastou o banquinho desconfortável para junto da cama e passou a analisar os traços do rosto do patrão.

Sim, a testa era ótima—isso, diziam, era sinal de sorte no topo da cabeça. As orelhas, também, com lóbulos generosos, típico de quem tem fortuna. E o nariz e os lábios? Como se interpretava mesmo?

Zhou Xin fixou o olhar no rosto do chefe, mergulhando em reflexão.

— Eu... cof, cof, cof!

Fang Zhuo acordou abruptamente. Assim que abriu os olhos, deparou-se com um rosto enorme bem diante do seu, assustando-se e engasgando ao tentar gritar, o que resultou em uma crise de tosse.

— Ei, ei, Fang, o que foi? — Zhou Xin despertou assustado e tentou ajudar, batendo-lhe de leve nas costas.

Fang Zhuo afastou a mão enquanto lutava para recobrar o fôlego. Depois de um tempo, reclamou:

— Mas que inferno, o que está fazendo aí sentado? Quase me matou do coração.

— Fang, não consegui dormir — respondeu Zhou Xin. — Fiquei te analisando enquanto você dormia.

Fang Zhuo apenas murmurou, massageando o rosto, vestiu-se e foi escovar os dentes, já pensando em como resolver outra questão.

— Você não quer saber o que vi? — Zhou Xin perguntou curioso.

— Fica com essas superstições, cuidado para eu não te denunciar por prática feudal e supersticiosa, te boto na cadeia e pego suas ações de volta — respondeu Fang Zhuo, tentando adotar um tom frio, mas com a boca cheia de pasta de dente, só conseguiu balbuciar.

Zhou Xin riu:

— Você não é assim. De verdade, Fang, minha tia entende disso, aprendi um pouco com ela. Você nasceu pra ser patrão.

Fang Zhuo não deu atenção, continuou escovando os dentes e admirando o rosto jovem e bonito no espelho.

— É sério, Fang, não estou brincando — insistiu Zhou Xin. — Enquanto você dormia, dei uma olhada e vi que você tem destino de chefe.

"Você já me viu antes, por que não falou disso antes do acordo com a Sequoia?", pensou Fang Zhuo, sem dar mostras.

— É, nasci pra ser patrão mesmo. Quando nasci, minhas tias já cochichavam sobre meu futuro, e à medida que crescia, só piorava nas notas, mas ainda assim sabia que um dia tocaria o sino de abertura da bolsa de valores — zombou Fang Zhuo, vestindo-se e calçando os sapatos. Olhou o relógio: duas da tarde.

— Zhou, não comemore antes da hora. Hoje precisamos conversar sobre as participações. Receber dinheiro de investidor é coisa séria. Não quero te desanimar, mas se a Guahao Online não decolar, tuas ações não valem nada.

Fang Zhuo falava para dar um choque no diretor técnico, e ficou satisfeito ao ver a expressão esperada.

— Nos vemos à noite. Vou até a universidade trocar de roupa.

Zhou Xin ficou desanimado por um tempo e, quando saiu da pensão e percebeu que teria que pagar sozinho, ficou ainda mais desanimado.

...

Às cinco e meia da tarde, Su Wei já havia se encontrado com Yu Hong no refeitório da Universidade de Ciência e Tecnologia. Quinze minutos depois, Zhou Xin chegou.

Agora, as duas mulheres, cheias de dúvidas, encontraram finalmente a fonte de informações e ouviram atentamente a versão completa de Zhou Xin: o encontro com o "webmaster Li", a oportunidade de discursar no palco, a apresentação marcante, o contato com o fundo Sequoia, o jantar com oficiais, e, no dia seguinte, o episódio do Audi.

No meio do relato, ainda surgiram orientações sobre o aluguel de escritório, convites do lado de Lin'an para empréstimos...

Su Wei e Yu Hong ouviram tudo atônitas; eram tantos acontecimentos que parecia impossível tudo ter se passado em apenas dois dias.

Zhou Xin concluiu:

— De qualquer forma, Fang foi articulando tudo até conseguir que Zheng Lang viesse da Sequoia. Se houve mais bastidores, ele não me contou.

— Por exemplo, só fiquei sabendo do tal chefe Zheng Danrui porque ouvi Fang conversando com o diretor Zheng na volta. É um grupo de promoção de aplicativos.

Assim que Zhou Xin terminou, a pessoa que ele mencionava entrou no refeitório, envolta nos últimos raios do sol poente.

Fang Zhuo sentou-se diante dos três sócios, exausto:

— Que cansaço... Estou velho, um dia já me derruba.

— Conte logo, como conseguiu o investimento? — Yu Hong não se conteve.

Fang Zhuo foi direto:

— O pai de Xiao Yu é funcionário público. Usei insinuações para amplificar as expectativas de Zheng Lang. A Sequoia não só aposta na união da internet com a saúde, mas entende a força das relações políticas para o sucesso de uma empresa.

— Lin'an quer consolidar sua posição na indústria de internet nacional. Achou nosso modelo interessante e o convite deles reforçou o julgamento de Zheng Lang.

— Fora isso, não há muito mais.

Os três demoraram para digerir tudo.

Su Wei, hesitante, comentou:

— Isso parece impressionante...

— É só aproveitar a assimetria de informações — respondeu Fang Zhuo, sorrindo. — Vou buscar um mingau de arroz, Xiao Yu, me empresta seu cartão do refeitório.

Yu Hong, ainda processando tudo, entregou o cartão por reflexo. Só quando Fang Zhuo voltou com a bandeja, ela perguntou:

— Mas você me usou como isca... não foi um pouco demais?

Fang Zhuo nem deu tempo de provar o mingau. Olhou para ela com sinceridade:

— Xiao Yu, foi por necessidade.

Yu Hong, já calejada, balançou a cabeça:

— Sem essa. Tem mais coisa? Fez algum acordo de influência ou dinheiro?

Fang Zhuo protestou:

— Com que dinheiro eu faria isso?!

Yu Hong insistiu, séria:

— E influência?

— O que eu poderia prometer? Sou sócio majoritário da empresa, se desse errado nem teria para onde correr. Não faria besteira. Não tem mais nada, de verdade.

Zhou Xin veio em defesa do chefe:

— Não tem nada disso. Vi Fang correndo atrás de informações o tempo todo. O pessoal de Lin'an foi receptivo, até a secretária Liu Yangyang foi bastante simpática.

Yu Hong: — ?

Su Wei: — ?

De repente, surgiu outro nome desconhecido? Não tinha sido mencionado antes.

— Secretária do segundo setor administrativo da prefeitura. Talvez precisemos dela para negócios em Lin'an — explicou Fang Zhuo, mantendo-se calmo.

Olhou para os três, agora sério:

— Embora o contrato com a Sequoia ainda não esteja assinado, preciso alertar vocês: avaliação nunca foi valor real, não representa nada. Não pensem que já garantiram a liberdade financeira.

Fang Zhuo lembrou:

— Um dos motivos para a Sequoia investir foi Zheng Lang acreditar em nossa estratégia de lucro, mas já disse antes: a política jamais permitirá cobrança comum por agendamento online.

Os três, ainda embriagados pela notícia do investimento, sentiram um calafrio. O risco regulatório já fora mencionado, mas agora, com a entrada do investidor, tornava-se ainda mais evidente.

Mesmo confiando nas análises de Fang Zhuo, a generosidade do fundo de investimento ainda balançava seus corações.

Mas Fang Zhuo cortou qualquer ilusão com uma frase:

— Eu sou o sócio majoritário. Sigam minha liderança.