104 vagas

Reinventando a Era do Milênio Yu Xue 2631 palavras 2026-04-01 15:57:48

Topo soprou uma bolha bela, tecendo-a cuidadosamente com o capital, mas no final, governo local, investidores da bolsa e o próprio setor saíram todos prejudicados.

Song Ruhua obteve as políticas de incentivo da província de Sichuan e, como um cavalo selvagem sem rédeas, galopou pela vasta terra da China. Brincando com conceitos para colher benefícios, inevitavelmente seria também arrastado por esses mesmos interesses, avançando cada vez mais rumo ao abismo da razão.

Bang!

Qiu Di bateu o jornal com força sobre a mesa de trabalho.

Ele nem precisou terminar de ler a notícia; já imaginava do que falava.

Só de pensar que alguém assim foi convidado pessoalmente por ele para vir a Lin’an criar um tal parque de software, e ainda recordando que lhe serviu vinho e pediu-lhe poemas, Qiu Di sentia uma chama de raiva e vergonha queimando em seu peito.

Fitando o jornal imóvel sobre a mesa, murmurou entre dentes: “Atrevido, atrevido!”

Uma fraude dessas era como um balde de água fria jogado sobre o desenvolvimento da indústria de internet que ele conduzia em Lin’an; ainda mais agora que o assunto já havia circulado entre os membros do comitê do partido.

No entanto, “quase concretizado” ainda era diferente de “já concretizado”; ao menos isso era melhor que em outras cidades. Esse pensamento lhe trouxe um certo alívio.

Recuperou o controle emocional, pegou o telefone fixo e discou um número.

Logo, Liu Yangyang, do Segundo Departamento de Secretaria, bateu suavemente à porta e entrou.

— Xiao Liu, organize uma mesa-redonda sobre a indústria de internet da cidade — disse Qiu Di, o rosto sem transparecer qualquer irritação, — e peça ao Xiao Wan, do setor de imprensa, para cuidar do contato com a mídia.

Liu Yangyang confirmou e perguntou:

— Então, convido representantes de dez empresas?

O olhar de Qiu Di recaiu sobre o jornal, um novo incômodo lhe atravessou o peito. Após hesitar, respondeu:

— Melhor poucos e bons. Cinco será suficiente.

Liu Yangyang assentiu, entendendo bem o objetivo do encontro.

Ao sair, sentiu um impulso e perguntou, quase sem pensar:

— Ontem vi que o pessoal do nosso departamento já está usando o sistema online de agendamento do Hospital Universitário. Quer que eu convide o responsável pelo Agendamento.net?

— Pode ser, então serão seis — Qiu Di se surpreendeu. Já estava disponível o serviço de agendamento online?

Liu Yangyang deixou o gabinete e fechou a porta suavemente.

Primeiro avisou os colegas do setor de imprensa da Secretaria de Propaganda, depois começou a contatar, um a um, as empresas de internet da cidade.

AliBaba precisava ser convidada — tinha acabado de receber um grande aporte.

O Instituto de Pesquisa da NetEase em Lin’an também deveria estar presente, já que era uma empresa listada em bolsa.

A Sohu também, pois sua filial na cidade tinha perfil jornalístico, o que ajudaria na divulgação do evento. Era importante captar a intenção da liderança.

Restavam duas vagas: NetShield Tech, uma empresa emergente, e Triumph Consulting, de um amigo do prefeito Qiu.

Quanto ao Agendamento.net...

Liu Yangyang só conseguiu ligar para Fang Zhuo já depois do expediente.

— Alô, senhor Fang?

— Ei, irmã Yang, você nunca aprende, hein? Quando me chama de “senhor Fang”, eu fico nervoso. Me chame de Xiao Fang — a voz de Fang Zhuo soou animada, com a descontração de quem já tinha certa intimidade com Liu Yangyang.

Ela sorriu sem perceber:

— Xiao Fang, você vive perguntando quando o prefeito Qiu terá tempo livre, não é?

— Sim, irmã Yang. Estamos recrutando muita gente para o Agendamento.net aqui em Lin’an e gostaríamos de receber orientações da liderança. Mas o prefeito parece estar muito ocupado ultimamente.

— Xiao Fang, como você já me chamou de irmã várias vezes, vou te contar: a cidade vai promover uma mesa-redonda sobre internet, o prefeito Qiu estará presente, mas haverá apenas cinco ou seis vagas. Vou tentar garantir um lugar para você.

— Sério? Muito obrigado, irmã Yang! — Fang Zhuo exclamou, radiante.

— Mas não posso prometer, vou fazer o possível. A lista deve sair amanhã, então falo com você de novo.

— Combinado! Quando tiver tempo, quero te convidar para um jantar.

Satisfeita, Liu Yangyang encerrou a ligação. Nada mais eram que pequenos truques.

...

— Xiao Fang, percebi que nossos salários aqui em Lin’an são bem competitivos. Não só estudantes das escolas, mas até gente que passa na rua vem perguntar sobre as vagas — comentou Yu Hong.

— Sim, salário base, bônus e auxílio de deslocamento. Lin’an não é como Pengcheng, e além disso, somos uma empresa realmente inovadora — respondeu Fang Zhuo.

Ambos sopraram o vapor do caldo quente de carneiro antes de beber. Tinham tido um dia exaustivo, nem sequer almoçaram.

Yu Hong, satisfeita, provou uma fatia de carne:

— O que a sua irmã Yang te disse? Você é mesmo sem-vergonha, como consegue chamar os outros assim?

— Por que não? Ela é bonita, não saio em desvantagem — respondeu Fang Zhuo, despreocupado. — Disse que pode conseguir uma vaga para a mesa-redonda, acho que há grandes chances. Senão, nem teria me ligado.

Yu Hong resmungou, irritada, enquanto mastigava macarrão:

— Você é mesmo um canalha. Só porque é bonita, chama de irmã?

— Claro, irmã Yu — Fang Zhuo devolveu, elogiando-a indiretamente.

De repente, Yu Hong sentiu o rosto esquentar. Canalha, absolutamente canalha...

— Essas mesas-redondas servem para as empresas exporem suas dificuldades. Pretendo falar sobre nossa integração com os hospitais. É uma ótima oportunidade, talvez até melhor do que visitar o prefeito em particular — ponderou Fang Zhuo, voltando ao assunto sério.

Poucos segundos depois, notou:

— Ei, Xiao Yu, por que seu rosto está vermelho? Não está sentindo frio com essa queda de temperatura?

— Eu... Eu não aguento pimenta, coloquei demais sem querer — justificou-se Yu Hong, forçando a desculpa.

— Ah — Fang Zhuo assentiu e chamou o dono do restaurante: — Senhor, coloca mais caldo de carneiro para esta bela moça!

— Para com isso! — Yu Hong reclamou, constrangida. Quem faz esse tipo de elogio em voz alta no restaurante?

O dono, sorridente, serviu mais caldo em sua tigela e ainda deu uma olhada: sim, era bonita mesmo.

Fang Zhuo não se importou e retomou o raciocínio:

— Aqui em Lin’an vamos contratar vinte pessoas, em duplas. Acho ótima a ideia de montar um estande na porta das faculdades. Quem pode viajar e entende de informática, fácil achar entre os estudantes.

Pensou por um instante e perguntou:

— Você acha que deixar Tang Shangde responsável pela divulgação em Lin’an é arriscado? Ultimamente ele parece meio bobo, antes era bem descolado.

— Deve ser influência do Zhou Xin — Yu Hong refletiu. — Se fecharmos as vinte vagas, salário, materiais, aluguel do escritório... tudo junto vai custar uns cem mil por mês. Seu irmão vem ou não para cuidar das finanças? Do jeito que está, as contas estão um caos, isso não é bom.

— ...Vou pressionar ele de novo. Se não der, contratamos alguém — decidiu Fang Zhuo, planejando adiar dois meses para complicar o acompanhamento do fluxo de caixa.

— Pressiona hoje, sem enrolar — Yu Hong insistiu, incomodada.

— Vamos comer, isso é detalhe. Quero ver o quanto a mesa-redonda pode ajudar. Agora sem os grandes tubarões, o prefeito vai ter que engordar alguns peixinhos, não?

— Acho que ele anda evitando esses jantares, talvez já saiba que você está aprontando pelas costas — comentou Yu Hong.

Fang Zhuo mexeu os hashis:

— Vai saber. Na dúvida, testo ele na reunião?

Yu Hong se assustou:

— Nem pense! Não faça besteira!

— Calma, é brincadeira. Não sou louco de cutucar onça com vara curta — Fang Zhuo riu.

Yu Hong, observando as feições do chefe, sentiu que ele sim seria capaz de tal ousadia.