Capítulo Dezoito: A Loja à Beira da Estrada
Os flocos de neve dançavam no ar, cobrindo a terra com um manto branco. Ao sair da caverna, era impossível distinguir qualquer trilha, e só após tropeçar por um bom tempo consegui encontrar a estrada de cimento. Pensei que, se não nos preocupássemos tanto com a direção, poderíamos simplesmente seguir pela estrada, pelo menos evitaríamos cair em algum barranco. Agora estávamos com pouca água e comida, e o celular quase sem bateria; se continuássemos andando sem rumo, logo nem saberíamos distinguir os pontos cardeais.
Caminhávamos arduamente, o som dos passos sobre a neve era um estalido constante, deixando atrás de nós uma longa trilha de pegadas. Na verdade, não detestávamos a neve; era melhor do que chuva, pois não nos molhava nem deixava gotas nas folhas. Mas ninguém tinha ânimo para admirar a paisagem, que era de fato belíssima, cenário que mais tarde voltaria inúmeras vezes aos nossos sonhos.
Seguimos pela estrada principal, cada vez mais cansados, até que ao meio-dia encontramos um pequeno comércio. Era uma mercearia de beira de estrada, mantida por um agricultor, com poucos produtos, quase todos itens básicos como óleo, sal, molho de soja, vinagre. Não éramos exigentes: cada um preparou um copo de macarrão instantâneo, e comer aquilo nos trouxe um conforto indescritível! O proprietário foi cordial, convidando-nos a entrar e a carregar o celular.
Passamos por alguns vilarejos ao longo do caminho, mas aquela cena de calor humano parecia existir apenas na televisão, ou talvez fosse por timidez, evitando chamar atenção. Com o estômago cheio, o espírito se renovou! Ao ver que estávamos cada vez mais próximos do destino, comecei a me animar. Afinal, a jornada tinha sido difícil demais; quem imaginaria que uma viagem pudesse trazer tantos obstáculos, a ponto de não conseguirmos nem voltar para casa?
Enquanto o celular carregava, Jéssica recebeu uma ligação e seu semblante se tornou sombrio. Não quis me meter, fingindo não notar, mas na hora de partir precisei chamá-lo três vezes até que, hesitante, ele nos alcançasse.
Suzana, perspicaz e gentil, percebeu a inquietação de Jéssica e perguntou com delicadeza: — Irmão, você parece preocupado, está tudo bem?
Jéssica caminhou trôpego, franzindo a testa: — Meu chefe ligou agora há pouco, dizendo que tem uma obra urgente e que preciso ir trabalhar.
— Agora? — indagou Suzana, surpresa. — Em pleno feriado, ainda tem trabalho? Que tipo de empresa é essa?
Jéssica sorriu sem graça, coçando a cabeça, como se houvesse algo que preferisse não dizer. Imaginei que talvez ele tivesse outros motivos, ou quem sabe quisesse evitar voltar para casa no Ano Novo, criando essa desculpa.
— Pense bem, hein. Agora é época de festas, trabalhar significa salário triplicado! — adverti.
Suzana me lançou um olhar reprovador; talvez também achasse que Jéssica estava escondendo algo, e refletiu antes de perguntar: — Você está bem perto de casa, não seria melhor dar uma passada antes?
Jéssica assentiu, mas logo balançou a cabeça: — Eu não tenho muita vontade de voltar.
— Sim, construir o país é uma grande missão, apoio você! — incentivei, embora no fundo pensasse: sua decisão não me afeta, é um direito seu.
— Vai mesmo? — perguntou Suzana.
Jéssica ficou ainda mais indeciso, mordendo os lábios, sem saber o que fazer. Quando nos afastamos, ele enfim correu atrás.
— Desistiu da construção nacional? E o salário triplicado? — provoquei.
Suzana me beliscou, querendo que eu parasse. Jéssica apenas coçou o rosto, sorrindo constrangido: — Acho que é mais importante levar vocês.
— Chega, não quero dormir debaixo da ponte de novo — declarei.
Yuqing, impulsionada pela vontade de sobreviver, girou para trás: — O quê? Vamos dormir sob a ponte de novo?
— Não mais! — Jéssica correu à frente, apontando para uma colina ao longe — Vê aquela montanha? Quando cruzarmos, já veremos o município de Xishu.
Yuqing, animada com a esperança, comemorou: — Ah, finalmente vou poder voltar pra casa!
Seu entusiasmo, porém, foi logo contido por Jéssica: — Hoje dificilmente chegaremos lá. Depois de cruzar o morro, ainda temos uns quinze quilômetros até a cidade.
Yuqing, que saboreava a vitória, imediatamente se entristeceu, lançando a Jéssica um olhar frio: — Eu sabia que você não era confiável!
— Mas do outro lado do morro tem um povoado, lá dá pra dormir em uma pousada — explicou Jéssica, olhando para mim e para Suzana — De qualquer forma, vocês ainda vão precisar dirigir um pouco em Xishu, então serão dois dias.
Yuqing ficou desanimada, suspirando: — Ah, por que tenho que passar por isso?
Zhao Noon tentou confortá-la, abraçando seus ombros, mas ela se desvencilhou energicamente e, irritada, exclamou: — Você também não é confiável!