Capítulo Um: O Encontro ao Vivo
— Vamos deixar para lá, “até amanhã!”
— Sim! Até amanhã.
Ao desligar o telefone, uma onda cálida se espalhou pelo meu peito, um remoinho de emoções tocando-me suavemente. Porque, nos dois anos em que a conheci, só este “até amanhã” era realmente amanhã, o dia em que poderíamos nos encontrar.
Dizem que, atualmente, nos registros de casamento, os matrimônios iniciados pela internet representam 30% dos casos. Não sei de onde vem esse dado; como é que dois estranhos que nunca se viram podem estar juntos? Mas, na verdade, muitos jovens tornam-se casais graças à internet; eles namoram, casam-se, formam famílias. É uma característica do nosso tempo. E, no processo de se conhecerem, apaixonarem-se e finalmente realizarem o sonho, há uma etapa inevitável: o encontro presencial.
Amanhã é o dia em que eu e Hu Shanshan nos encontraremos pela primeira vez. Dois anos atrás, conheci-a num fórum literário; como muitos que se conhecem online, depois de algum tempo fomos tentados a romper a barreira do espaço. Quando a expectativa de um encontro romântico supera o receio de um estranho, a confiança entre as duas pontas do cabo virtual cresce, e o encontro presencial nasce de maneira natural, como água que transborda.
Meu conhecimento sobre Hu Shanshan ainda era limitado! Apenas algumas selfies e as impressões das nossas conversas. Sei apenas que ela tem 25 anos, é professora de ensino fundamental e, provavelmente... é muito bonita!
O ofício de professora costuma transmitir uma ideia de seriedade e respeito, mas, pelo que conheço dela, é divertida, irreverente, às vezes até um pouco mimada e mordaz.
Um dia ela me perguntou:
— Que tipo de garota você gosta?
Enquanto eu buscava, em vão, a imagem da minha musa, ela acrescentou:
— Namorar? Não importa o tipo de garota que você goste, eu posso me transformar nela.
Eu também tenho 25 anos, trabalho como assistente numa pequena empresa. Salário alto, cargo elevado, benefícios... nada disso é realidade para mim!
Três anos de trabalho já apagaram quase toda a sensação de estranhamento diante da sociedade; a confusão e o sentimento de inferioridade vão se dissipando aos poucos. Às vezes sou preguiçoso, às vezes entusiasmado, às vezes nem sei como encarar a vida e o trabalho.
Como muitos da minha idade, cheguei ao ponto em que as pessoas ao redor acham que já é hora de falar em casamento. “Sair da solteirice” tornou-se, de repente, uma prioridade maior do que qualquer promoção.
“Namorar?” — essa frase de Hu Shanshan tocou meu coração num momento inesperado. Mesmo sendo uma brincadeira, foi como um fósforo acendendo o pavio de um romance virtual.
Olhei novamente para a data da passagem, sentindo uma euforia crescente, e não resisti: abri o chat do WeChat para ler nossas conversas.
— Você deveria colocar aspas nesse “até amanhã”, porque realmente vamos nos ver amanhã.
— Hahaha, é verdade!
Hu Shanshan respondeu logo. Imagino que esteja tão ansiosa e nervosa quanto eu pelo encontro de amanhã.
— Ainda estou pensando se aquelas fotos são editadas. Se quiser confessar, ainda dá tempo — disse eu.
— Ao vivo sou bem pior, a luz do dia mata!
Ela enviou em seguida um emoji engraçado: uma mulher com traços masculinos cutucando o nariz e olhando de maneira provocadora.
Na verdade, não era a primeira vez que marcava encontro com alguém da internet, nem a primeira vez que brincava de flertar. Apesar das experiências anteriores, todas fracassadas, nesse momento eu sentia uma aproximação mágica! Como se um sol radiante me aguardasse adiante, como se pudesse sentir o calor em meu rosto só de fechar os olhos.
Na cidade de Wu, há um antigo edifício às margens do rio Yangtzé, famoso por uma lenda sobre uma garça celestial. Muitos turistas vão até lá, buscando um pouco de aura mágica, anestesiando a alma. Esse era o lugar escolhido por mim e Hu Shanshan para o nosso encontro.
Na manhã do vigésimo sexto dia do último mês do ano lunar, depois de duas horas de trem, cheguei pela primeira vez a Wu. Curioso com a cidade, ao sair da estação comecei a fotografar, procurando por marcas e símbolos que julgava interessantes.
No entanto, todas as cidades se parecem um pouco. Após várias fotos, fui perdendo o interesse.
Hu Shanshan só chegaria em meia hora. Pensei se deveria preparar algo especial. Esse pensamento me fez perder o horário de encontrá-la na saída. Quando ela ficou à porta, olhando ao redor, será que sentiu um pouco de nervosismo, pensando ter sido enganada? Mas acredito que ela confia em mim, assim como eu confio nela sem precisar de razões.
— Onde você está?
Hu Shanshan perguntou no WeChat, acompanhando o texto com um emoji irritado.
— Desculpe, tive que resolver algo, me afastei um pouco. Espere dois minutos... estou quase chegando.
Superestimei minha rapidez. Cidade desconhecida, ruas estranhas, um jovem de terno correndo com flores na mão. Se alguém registrasse essa cena, seria épica! Mas também bela, pois testemunhava minha dedicação e expectativa por esse encontro.
— O que você poderia ter para fazer aqui? Por que não esperou direito? Ficou vagando por aí?
— Fui comprar flores.
— ...
Às onze da manhã, sob o grande arranjo floral da praça sul da estação de Wu, encontrei-me com Hu Shanshan, vinda de Rao. Ela vestia um casaco branco ofuscante, segurando uma bolsinha igualmente branca diante da barriga, em postura tímida. Sob o sol, seu cabelo comprido caía graciosamente até a cintura, e seus brincos prateados brilhavam.
Dois estranhos se encontraram e ficaram em silêncio, apenas parados ali. Por fim, Hu Shanshan não conteve o sorriso, mordeu os lábios timidamente, olhou para as rosas em minha mão e, entre risos, perguntou:
— Por que você comprou flores? Que sentimental!
Sentia-me inexplicavelmente constrangido, cocei a cabeça sem saber como agir. Ao entregar as flores, meu coração disparou, o ar parecia congelar, quase sufocante.
Ao receber as flores, Hu Shanshan corou, sorriu e aspirou delicadamente, estendendo seus dedos de alabastro para acariciar as pétalas. Vi que o esmalte de suas unhas era tão vibrante quanto as flores, seu rosto delicado, envolto no rubor, parecia de uma divindade.
Hu Shanshan era realmente linda, ainda mais encantadora e cheia de vida que nas fotos; ao vê-la, senti-me até emocionado.
Não entendo por que há tantas notícias de encontros virtuais que acabam em tragédia; devo ser muito sortudo.
Encontros virtuais carregam riscos. Alguns se decepcionam por não corresponderem às expectativas; outros descobrem diferenças irreconciliáveis nos valores; alguns caem em armadilhas, vítimas de traição. Por mais que confie, por maiores que sejam as promessas, uma verdade permanece: ainda são estranhos.
Acho que a confiança virtual deve ser moderada. Todo mundo tem seu lado vaidoso; mostramos apenas o que queremos que vejam.
Não sei como será o contato com Hu Shanshan daqui em diante, mas, neste momento, estou animado e feliz.
“Você é ainda mais bonita que nas fotos”, pensei, mas não achei palavras para dizer. Olhei para o céu azul:
— O clima de Wu é maravilhoso!
— Você é mesmo Lü Xia? — ela perguntou, inclinando a cabeça.
— Como assim?
— O Lü Xia que eu conheço é muito mais eloquente!
Minha timidez afetou o clima do encontro, até a impressão que causei nela. Ela deve estar pensando: o Lü Xia do mundo virtual, tão falante, na vida real só fala do tempo.
— É... talvez eu esteja nervoso. Nunca vi uma garota tão bonita assim.
Falei sério, peguei o celular, mostrei uma foto dela:
— Minha namorada se parece com você. Olhe... Ela se chama Da Shanshan.
— Para com isso!
Hu Shanshan bateu com as flores no meu braço, rindo alto; algumas pétalas vermelhas voaram sob o sol, dançando no ar.