Capítulo Vinte e Um: O Batom de Wang Yuqing

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2805 palavras 2026-03-04 14:57:18

Como era de se esperar, quando deixamos o homem para trás e pegamos a estrada, Zhao Ziwú voltou seus olhos acusadores para mim e para Hu Shanshan.

Nesse momento, Zhao Ziwú dirigia, Wang Yuqing estava no banco do passageiro, e eu e Hu Shanshan descansávamos, cada um encostado à sua janela, de olhos fechados. De repente, ouvimos Zhao Ziwú praguejar:

— Ei! Esse desgraçado só deixou esse tanto de combustível para nós!

Eu e Hu Shanshan nos assustamos com o grito, trocamos um olhar silencioso. Zhao Ziwú espiou pelo retrovisor e, pouco depois, voltou a se queixar:

— Ainda falta um bom trecho até o próximo posto, será que conseguimos chegar lá? Yuqing! Se acabar o combustível, você vai ter que descer e empurrar o carro!

— Hein? — Wang Yuqing, que assistia a uma série, tirou os fones e olhou o painel. — Não tem três barrinhas ainda? Não é suficiente?

— Você não entende nada! — Zhao Ziwú olhou de novo pelo retrovisor, respirou fundo. — Esse carro consome muito!

Não suportando mais as indiretas de Zhao Ziwú, fingi conversar com Hu Shanshan:

— Shanshan, o gerente Zhao nos emprestou o carro, foi uma ajuda enorme! Já que estamos juntos nessa, não podemos deixar que só ele arque com tudo. Não seria justo dividir o custo do combustível?

Hu Shanshan assentiu, cantarolando:

— Claro! Isso é certo. Tem que ser nossa responsabilidade.

Zhao Ziwú ouviu, tentou recusar, mas não insistiu muito, riu satisfeito, finalmente aliviado. Algumas pessoas são felizes de maneira tão simples, acham uma moeda e ficam alegres por semanas. Às vezes, eu invejo esse apego ao concreto: cem reais, mil reais, um carro, uma casa... Pelo menos, estão ali, claros e tangíveis. Outros podem viver uma vida inteira sem saber o que realmente valorizam; seguem o fluxo, ganham dinheiro porque os outros ganham, compram casa e carro porque os outros compram. Há ainda quem pareça ter sonhos, mas nunca realmente luta por eles, encontra mil desculpas. O que está ao alcance das mãos vai se afastando, e eles só observam.

No posto de serviço do Pavilhão, abastecemos o carro. Zhao Ziwú perguntou se podíamos revezar ao volante. Concordei de imediato, não confiava deixar toda a viagem nas mãos dele. Mas nunca se sabe o que passa pela cabeça de um executivo: para eles, as pessoas são apenas duas categorias — amigas ou inimigas. Não sei quando Zhao Ziwú nos classificou como adversários, talvez por promessas passadas que se tornaram um fardo, como um peixe engasgado na garganta.

— Vamos aproveitar e comer algo! — Zhao Ziwú apontou para o restaurante, mas logo percebeu que a porta estava trancada.

Wang Yuqing colou o rosto na janela, olhou para dentro e voltou desapontada:

— A essa hora, onde é que tem comida?

— Pois é! — Zhao Ziwú esfregou a barriga. — Estou faminto! Quando chegarmos em Anshi, preciso comer e descansar.

— Você não vai levar o irmão Lü Xia e a irmã Shanshan para casa?

— Ah... é mesmo, esqueci disso. — Zhao Ziwú sorriu para mim e para Hu Shanshan, visivelmente incomodado. — Feishi não é longe, mas ir e voltar vai tomar quase toda a noite. Ai...

Eu e Hu Shanshan nos ocupamos com o celular, fingindo não ouvir. Na verdade, a cidade natal de Zhao Ziwú era Shoucheng, e Anshi fica entre Feishi e Shoucheng, não era um grande desvio.

Wang Yuqing não era novata com Zhao Ziwú, entendia bem suas intenções. Seu rosto ficou sério, como se tivesse engolido um peixe salgado, e ela exclamou:

— Zhao Ziwú, o que está dizendo? Vamos ou não vamos?

Zhao Ziwú sorriu para ela, jogou as chaves para mim e correu para abrir a porta para Wang Yuqing.

— Querida, não se irrite à toa, eu só queria passar mais tempo com você.

— É melhor você passar mais tempo com sua esposa! — Wang Yuqing respondeu, inflando as bochechas e virando o rosto, ignorando Zhao Ziwú, por mais que ele tentasse agradá-la. Hu Shanshan, no banco da frente, olhou para mim, deu de ombros e apertou o cinto.

Chegamos a Anshi já ao entardecer. Não sei se Zhao Ziwú realmente queria passar mais tempo com Wang Yuqing ou se buscava uma desculpa para se livrar de mim e de Hu Shanshan, sempre reclamando de fome. Segui o conselho de Hu Shanshan, fingi não entender, fazia o que nos diziam, só não aceitava abrir caminho com outro carro, jamais discutia.

Zhao Ziwú nos levou a uma casa de chá, onde comemos doces e bebemos café. Muita conversa fiada e elogios mútuos, meia hora de enrolação. Quando percebeu que eu e Hu Shanshan não nos deixávamos influenciar, Zhao Ziwú finalmente se resignou, discursou com pompa diante da mesa.

Antes de partirmos, encontrei Wang Yuqing no lavabo, diante do secador de mãos, que se virou para mim com um sorriso sereno:

— Irmão Lü Xia! Venha me visitar quando puder, é tão perto.

— Sim! Com certeza.

— Promete mesmo? Não vale só por educação!

— Claro!

Passei sabonete líquido nas mãos, sorri para Wang Yuqing:

— Também será bem-vinda em Feishi, prometo um banquete.

— Eu vou sim. — Wang Yuqing assentiu, mas logo pareceu lembrar de algo, inclinou a cabeça e perguntou: — Irmão Lü Xia, quando eu for a Feishi, você e a irmã Shanshan já estarão juntos, não?

Senti meu pescoço esquentar, não sei se era efeito do café.

— Isso... quem sabe?

— Vocês combinam muito bem!

Fiquei sem jeito, cocei a cabeça. Deveria responder educadamente, mas dada a relação especial entre ela e Zhao Ziwú, nada parecia apropriado.

— Não sou páreo para ela — respondi, enxaguando as mãos, sentindo a água refrescar minha palma.

— Irmão Lü Xia é muito modesto!

Wang Yuqing pulou atrás de mim, batendo nas minhas costas com a mochila:

— Combinado, nos encontraremos em Feishi, nós quatro!

Mesmo sabendo que era só gentileza, senti um aperto no peito. Acho essa possibilidade remota; não sei se eu e Hu Shanshan ficaremos juntos, mas Wang Yuqing e Zhao Ziwú, será que durarão? O amor deles é distorcido; Wang Yuqing é pura e ingênua, Zhao Ziwú é astuto e mercenário, no fim, ele vai acabar destruindo essa garota.

— Então... — Limpei a garganta e disse a Wang Yuqing: — Se Zhao realmente se divorciar por você...

No meio da frase, arrependi-me, não sabia como continuar, as palavras ficaram presas.

Mas Wang Yuqing apenas sorriu, arrumou a franja diante do espelho, veio até mim e ergueu o rosto encantador:

— Irmão Lü Xia, estou com Zhao Ziwú há dois anos, você realmente acha que não sei de nada?

Ela voltou ao espelho, pegou um batom e começou a retocar a maquiagem. Nesse momento, veio à minha mente o olhar de Hu Shanshan no hotel, como se dissesse: esse batom é caro.

Wang Yuqing, com os lábios coloridos, virou-se para mim e sorriu! O sorriso era lindo, como uma fada imaculada. Fiquei encantado, pois aquele sorriso tinha uma beleza tentadora e misteriosa.

Depois de nos despedirmos com um abraço sob as luzes da casa de chá, Zhao Ziwú entrou no carro, um tanto amargurado, e iniciamos nosso último percurso.

Chegamos a Feishi já de madrugada. Quis convidar Zhao Ziwú para entrar, mas ele recusou, pegou a mala de Hu Shanshan no porta-malas e acenou. Nesse momento, Zhao Ziwú olhou para o portão do meu condomínio, arqueou as sobrancelhas, com um tom enigmático:

— Meu jovem, aproveite a chance! Não seja aquele bonzinho bobo, vai se arrepender a vida inteira.

Fingi não entender, disse para ele ir logo, ainda tinha mais de uma hora até Shoucheng.

Vi o carro de Zhao Ziwú se afastar. Hu Shanshan segurava o puxador da mala, também olhou para o portão:

— Aqui é sua casa?

— É sim — respondi, pegando a mala dela e indicando a entrada. — Não vai ter medo de entrar, vai?

— Estou um pouco apreensiva — Hu Shanshan ajeitou os ombros, franziu as sobrancelhas delicadamente. — Você deveria me levar para casa esta noite, sabe que houve um luto lá.

— Fique tranquila! Faltam só seis horas para amanhecer. Dirigir cansado é perigoso, pode acabar em desastre.

— Tem tanto medo de morrer assim?

— Eu prezo minha vida!

— Prezar a vida não é medo de morrer?

— Tá bom, eu tenho medo de morrer!

...