Capítulo Cinquenta e Dois: A Taberna
Na verdade, eu também não tinha tanta vontade de vir a este pequeno bar, só queria marcar presença mesmo. Porque, estando sozinho, até a atividade mais charmosa perde a graça!
Só que, ao chegar na Rua Yulin, percebi que não era tão ruim assim. Essa princesa herdeira, aparecendo e sumindo como um fantasma, até que trouxe um pouco de diversão para minha noite monótona.
Pagamos a taxa de entrada, quarenta e sete reais, e a princesa me puxou para dentro do bar. Fiquei olhando de um lado para o outro como uma alma penada, mas não achei nada de especial. O espaço era apertado, ainda não havia apresentações, e eu e a princesa pedimos dois drinques Screwdriver e ficamos ali, esperando.
A princesa tamborilava os dedos na mesa e, de repente, esticou o pescoço para me perguntar:
— Senhor gerente Lu, você sabe preparar coquetéis?
— Não! — balancei a cabeça.
— Eu sei! — ela sorriu, um sorriso radiante como a primavera. — Posso te ensinar.
— Parece que você sabe de tudo! Tem algo que você não saiba, por acaso?
Ela me lançou um olhar aborrecido:
— Você é mesmo um chato! Fala como se todo mundo te devesse arroz!
Depois tomou um gole do drinque, e com aquele jeito travesso, insistiu:
— Ei! Aquela sua “amiga da internet” não quer te encontrar, é?
— Nada disso, ela só não pode agora.
— Não pode? Por quê? — perguntou, inclinando a cabeça, e de repente bateu na mesa como se tivesse tido uma grande revelação. — Lu Xia, você é tão ingênuo, tem coisa aí!
Assustei-me com o gesto, e demorei um pouco para responder:
— Para de susto! Ela é professora voluntária, todo sábado tem aula na Universidade Chengdu, fica alojada no campus e não é fácil sair.
— Ah, entendi! — murmurou, pensativa, e logo se animou, encostando no meu ombro. — Mas se você quiser vê-la hoje, posso te colocar lá dentro, até arranjo um dormitório para vocês, se quiserem...
Quase cuspi meu drinque com o que ela disse.
— Obrigado pela gentileza, princesa, mas você está viajando! — neguei, mas logo fiquei desconfiado. — Você é estudante da universidade?
Ela franziu a testa:
— Não... Mas conheço muita gente! Aqui eu sou bem relacionada.
Assenti, pensando: com esse jeito, não duvido que conheça todo mundo! E essa influência toda deve vir do fato de carregar uma chave de ouro no bolso.
— Tem certeza que não quer ir? — insistiu a princesa. Diante da minha negativa, ela sorriu maliciosa:
— Melhor assim. Depois te levo num lugar divertido.
Ao ver aquele sorriso estranho, senti um mau pressentimento e, movido pelo instinto de sobrevivência, recusei:
— Princesa, é melhor você voltar logo para o dormitório! Está ficando tarde.
— Você veio a Chengdu tão raramente, preciso ser uma boa anfitriã! — disse, e, ao ver um cantor subindo ao palco, agarrou meu braço e ficou pulando de empolgação. — Começou, começou!
Não entendi seu entusiasmo. Quem serão esses de roupas extravagantes? Homens ou mulheres?
A princesa me acertou um soco de leve e me lançou um olhar de reprovação:
— Nem pensa em falar besteira, esse é meu ídolo.
Depois de ouvir um tempo aquele rock confuso e incompreensível, comecei a me sentir desconfortável.
Aparentemente, Chengdu é uma cidade de notívagos. Vi várias pessoas entrando, algumas moças muito maquiadas. Eu, sem conhecer ninguém, só pensava em não arranjar confusão, senão até arriscaria puxar papo.
Ouvi alguém dizer que, por sorte, chegamos cedo, porque depois até para beber água tem fila. No começo não dei importância, mas quando vi o lugar cada vez mais lotado e fiquei faminto, só pensava em ir embora. Ficava tentando convencer a princesa.
O estilo de vida em Chengdu é bem relaxado, e como era sexta à noite, muita gente vinha aqui depois do trabalho, como eu. Só quando saí foi que descobri, por comentários, que o Pequeno Bar tem duas filiais em Chengdu: esta, na Yulin, é a matriz; a do clipe do Zhao Lei é a segunda.
Olhei de novo para as pessoas ali. Talvez o estado de espírito fosse outro, pois muitos estavam animados, alguns cantarolando “Chengdu”. Senti uma pontinha de tristeza, por decepção e por saudade de Hu Shanshan. Se eu tivesse chamado ela antes, como seria bom virmos juntos.
— Para onde você vai? — a princesa me seguiu, perguntando.
Na volta pela Yulin havia muitos bares, mas comecei a perceber que não pertencia mais àquele lugar. Era desconfortável. Não encontrei o clima aconchegante e melancólico das músicas, talvez pelo frio, pela confusão ou pelo desânimo...
Olhei as horas, já era quase onze. Então disse à herdeira atrás de mim:
— Princesa, a noite está fria. Volte ao seu palácio descansar! Este servo vai procurar um canto para deitar, não vou mais te incomodar...
Fui até a esquina tentar pegar um táxi, mas, na verdade, não sabia para onde ir.
A herdeira olhava para mim, esperançosa. Quando um táxi parou, ela entrou rapidamente também.
— Motorista, para Tangqiao! — disse ela, sem me deixar abrir a boca.
Não havia o que fazer. Diante da situação, relaxei. Pensei: ela tem dinheiro, não vai me vender, não é?
— Onde fica Tangqiao? — olhei o mapa no celular, mas não achei esse lugar.
Ela sorriu misteriosa, ergueu o queixo:
— Você vai saber quando chegar.
O vento frio soprava, numa clareira à beira do rio, cheia de luzes. De longe, ouvia-se o burburinho constante, poeira subindo. Vi fileiras de pilotos de capacete, debruçados sobre suas motos, prontos para largar...
— Isso é... corrida? — tampei o rosto e tentei afastar o pó.
— Sabe pilotar? — ela perguntou, com um sorriso malicioso.
— Isso eu sei, não preciso que me ensine — meu instinto de sobrevivência dizia para não ser modesto ali.
— Melhor ainda! — ela me deu um tapa nas costas e, animada, foi pulando na frente. Ao perceber que eu não acompanhava, virou-se e me repreendeu:
— Vai ter medo de quê? Vem logo.
Ela parecia íntima de todos ali, cumprimentando com high-five. Por fim, me levou até uma tenda de acampamento, olhou lá dentro e puxou alguém:
— Ei, onde está o Dapeng?
Perguntou a vários até encontrar um homem de trança, e me apresentou:
— Lu Xia, esse é meu chefe, Dapeng, como o grande pássaro das lendas.
Instintivamente, quis cumprimentá-lo, mas logo percebi que ali ninguém era como as pessoas que conheço no trabalho. O jeito deles era rude e direto, e formalidades soavam deslocadas.
O homem de trança me analisou com desdém e perguntou à princesa:
— Hoje é no estilo retrô?
Ela deu um soquinho no peito dele e resmungou:
— Você não entende nada, esse aqui é gerente de uma grande empresa.
Para provar, a princesa tateou meus bolsos:
— Lu Xia, mostra seu cartão de visita para ele.
— O quê? Pra que eu traria cartão de visita pra uma noitada? Para com isso, não tenho!
O homem de trança ficou indeciso, mas perguntou de novo:
— E então? Veio buscar de novo?
A princesa ergueu o queixo e, encarando-o, respondeu:
— Claro, foi uma vitória minha!
Fiquei confuso. Perguntei:
— Princesa, afinal, por que você me trouxe aqui? Não deve ser só para ver corridas. Eu não tenho interesse.
Ela me puxou para o lado, passou o braço pelo meu pescoço e, com o rosto quente encostado no meu peito, sussurrou:
— Lu Xia, você tem oito mil reais?
...