Capítulo Cinquenta e Quatro: Você sabe beijar?

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2698 palavras 2026-03-04 14:57:58

— Lu Xia, vendi a bolsa que meu tio tinha comprado para mim, e também os cosméticos que minha tia me deu, só assim consegui ganhar esse carro — disse a filha de milionário, encostada no meu ombro, olhando para o céu estrelado com um sorriso suave no canto dos lábios.

— Na primeira vez que fui com os colegas àquele lugar, me apaixonei por um dos pilotos de lá. Ele era o máximo, muito charmoso!

Virei o rosto e olhei para ela encostada em meu ombro. De repente, aquela garota altiva, sempre segurando uma taça de vinho, aquela que pulava alegremente, que sorria o tempo todo, ou ainda aquela cheia de ideias e conselhos para tudo, parecia se tornar uma lembrança difusa. Diante de mim só restava uma menina sensível e sonhadora, frágil, sozinha, prestes a se quebrar.

— Bastou um olhar e me apaixonei — a princesa puxou um sorriso nos lábios, ergueu o rosto e perguntou: — Lu Xia, já gostou tanto de alguém assim? Ao ponto de fazer tudo por essa pessoa, até morrer por ela?

— Eu não chego a esse ponto de loucura! — respondi, desprezando a ideia. Mas, no fundo, algo frio cortou meu peito, como se uma lâmina tivesse dividido meus órgãos em duas partes.

Depois disso, a filha de milionário gastou bastante dinheiro com aquele delinquente. Naquela época, ele também a tratava bem; foram os dias mais felizes dela.

— Lu Xia, você sabia? Naquele tempo, a gente saía assim, ele me levava de moto, desde o entardecer até altas horas da noite, atravessando túneis da cidade e subindo até o topo da montanha. Juntos, olhávamos as estrelas, víamos o nascer do sol, vivemos muitos momentos maravilhosos…

Mas a felicidade não durou. Logo o pai dela descobriu e, sem conseguir convencê-la, começou a controlar suas finanças.

No início, ela não se importou. Mas, aos poucos, percebeu que o delinquente começou a se afastar e a flertar com outras garotas.

Um dia, o delinquente disse a ela: “Quero comprar uma moto nova, você tem dinheiro?”

A princesa balançou a cabeça, percebendo pela primeira vez a importância do dinheiro em sua vida.

Depois disso, ele nunca mais falou com ela.

— Lu Xia, agora você entende por que eu precisava tanto ganhar esse carro! — ela disse.

Assenti entendendo: — Mas por que não deu o carro para ele?

A filha de milionário suspirou: — Faltaram oito mil. Sabe, antes eu tinha vários contatos, mas depois que meu pai avisou todo mundo, ninguém quis me emprestar dinheiro.

Senti uma dor inexplicável nas costas. — Alteza, permita-me perguntar… seu pai é…?

— Eu sou princesa, claro que meu pai é o imperador! — ela respondeu com um olhar de desprezo, depois se animou e cuspiu: — Fica tranquila, meu pai nunca vai saber que você me emprestou dinheiro.

Sorri, tentando disfarçar: — Na verdade, era só curiosidade!

Suspirei, olhando para o céu: — Seja seu pai o imperador ou Jesus, logo não vai mais mandar em mim…

A princesa virou o rosto para mim: — Por quê? Vai pedir demissão?

— É uma longa história — suspirei de novo. Olhei para ela e perguntei: — E aquele delinquente, como está agora? Ele estava entre as pessoas de hoje à noite?

A princesa soltou uma gargalhada: — Ele foi preso.

— O quê? — me espantei — Cometeu um crime?

— Só soube semana passada, pelo Dapeng. Pegou uma pena pesada, cinco anos — ela disse, esfregando as palmas das mãos e chutando distraidamente o chão. Talvez nem soubesse como lidar com isso. Afinal, era alguém que ela amou, mas que também a machucou.

— Então seu pai estava certo! — comentei.

No oriente distante, um brilho tênue de aurora começou a surgir. A noite, prestes a acabar, escurecia ainda mais, resistindo ao fim.

Tremíamos de frio, eu e a filha de milionário, sem sono, mas sem vontade de falar. Ficamos apenas olhando o céu distante.

— Lu Xia, já beijou alguém? Posso te ensinar — disse a princesa de repente.

— Some daqui…!

Quando o primeiro raio de sol atravessou o céu, um quadro brilhante e esplendoroso se descortinou diante de nós. Nuvens douradas, névoa ondulante, e o sol tímido aparecendo com um rosto encantador…

Foi a primeira vez que vi um nascer do sol tão bonito. Antes, só havia presenciado isso em viagens com Luo Qian e Zhou Haoran, acampando em lugares lotados de gente e barracas, onde a aurora era recebida com barulho e confusão, sem um pingo dessa atmosfera calma e suave.

A princesa, com sono, olhou para cima e apontou para o horizonte: — Lu Xia, amanheceu.

Depois, deitou no meu ombro e adormeceu. Uma mão abraçou minha cintura, ela esfregou os olhos e começou a roncar suavemente.

De manhã, Xiaobianzi veio com uma caminhonete e carregou a moto junto conosco de volta para a cidade.

Sem dormir a noite toda, o sono me atingiu forte pela manhã; as pálpebras pesavam como chumbo, impossível mantê-las abertas.

Depois que Xiaobianzi ajeitou a moto, procurei uma pousada próxima para tomar um banho e descansar. Pensei no encontro com Hu Shanshan ao meio-dia, sentindo um leve nervosismo.

A filha de milionário não tinha aula no sábado, não queria voltar para casa, insistiu em ficar comigo: — Lu Xia, prometo não atrapalhar, só quero aproveitar um almoço de graça. A comida da babá que meu pai contratou é intragável.

— Nem pensar! — tentei empurrá-la para fora: — Com você por perto, não me sinto segura!

A princesa fez beicinho, abraçando meu braço: — Me leva junto, vai… Comigo lá, posso explicar para sua “amiga da internet” pessoalmente. Vai soar mais convincente do que você se justificando sozinha.

Não resisti à sua insistência e acabei concordando. Mas estávamos exaustas, então fomos para um quarto duplo na pousada, cada uma dormiu um pouco.

Eu planejava sair de fininho depois de cochilar, não queria levá-la ao encontro com Hu Shanshan. Imagina o que ela pensaria! Já seria uma situação difícil de explicar.

Mas a noite anterior tinha sido exaustiva. Assim que deitei, senti os ossos amolecerem, o corpo pesado como se uma pedra me puxasse para o fundo do mar, afundando cada vez mais…

No sonho, vi Luo Qian de novo. Abri a porta e a vi no sofá, contorcida de dor, abraçada ao estômago, rosto pálido, cabelos grudando no nariz, lábios tremendo…

O toque insistente do telefone me despertou. Sonolenta, olhei a tela e vi o nome de Hu Shanshan piscando. Fiquei paralisada, mil pensamentos se embaralhando na cabeça.

— Lu Xia, você tem noção do horário? Sabe que horas são? Onde você está?

O tom sarcástico de Hu Shanshan me deixou atordoada, sem saber o que responder.

— Desculpa, desculpa, acabei dormindo! Já estou indo, chego já.

— Já vem nada! Nós já estamos indo embora! — disse, impaciente. — Onde você está agora? Numa pousada?

— Sim, acabei de acordar.

— O que houve? Dormiu tão pesado assim? Passou a noite com alguém?

— Eu…

Antes que eu explicasse, a filha de milionário virou na cama e resmungou: — Lu Xia, que barulho, deixa dormir!

Quase enfiei uma meia suja na boca dela, cobrindo o telefone, torcendo para que Hu Shanshan não tivesse ouvido.

Mas Hu Shanshan não era de ter audição ruim. Logo depois, perguntou, desconfiada: — Tem uma mulher aí com você?

— Não… quer dizer, sim… — fiquei nervosa, levei um tempo para me recompor e expliquei: — Não é o que você está pensando. Ontem à noite, a moto ficou sem gasolina na montanha, esperamos até de manhã, só depois viemos para a pousada. Eu estava sozinha, mas ela insistiu em vir almoçar comigo…

Falei tudo atropeladamente, mas antes que eu terminasse, Hu Shanshan desligou na minha cara. Não sei se ela entendeu, muito menos se vai acreditar.

A filha de milionário também acordou com meu barulho, sentou-se na cama, enrolada no cobertor, me olhando.

Quando olhei para ela, arregalou os olhos e abriu a boca, como quem pergunta: — Já desligou?

Fiquei furiosa, joguei o travesseiro nela: — Sabia que, com você por perto, mais cedo ou mais tarde eu ia me dar mal!